V Encontro Nacional de Biologia Evolutiva

Setembro 28, 2009 · Deixe um comentário

VcartazO V Encontro Nacional de Biologia Evolutiva terá lugar no dia 21 de Dezembro (2ª feira), no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), em Lisboa, por iniciativa da Unidade de Investigação em Eco-Etologia.

Os interessados em apresentarem uma comunicação oral ou poster devem enviar o seu nome, instituição, título de apresentação e curto resumo, até 30 de Novembro, para biologia.evolutiva@gmail.com

Os interessados em participar assistindo ao Encontro são bem-vindos, sendo necessário apenas fazerem pre-inscrição enviando nome e instituição, até 30 de Novembro, para biologia.evolutiva@gmail.com

Mais informações sobre o Encontro irão aparecer em http://www.biologia-evolutiva.net/.

Publicado por André Levy

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Fronteiras do Humano

Maio 18, 2009 · Deixe um comentário

Fronteiras do Humano

No dia 22 de Maio, das 10:30 às 18h, no Auditório Armando de Castro (Auditório 1) do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), na Rua Jardim do Tabaco, 34, em Lisboa, irá decorrer um simpósio cujo objectivo deriva da seguinte problemática: o ser humano é simultaneamente uma espécie biológica, fruto de processos evolutivos como as demais espécies, mas também um animal social, em que a cultura e a linguagem têm um papel de grande relevância. Do ponto de vista disciplinar, o ser humano, a sua cultura e sociedade, têm sido objecto de estudo de várias áreas do saber, com diferentes tradições, metodologias e problemáticas, incluindo a biologia, antropologia, psicologia, sociologia e história.

O simpósio irá reunir investigadores de diferentes áreas que estudem a nossa espécie, e discutir os limites e o nível de complementaridade entre cada perspectiva disciplinar, as fronteiras, barreiras e articulações entre as várias disciplinas. (ver programa e sumários das palestras.)

O simpósio está integrado nas comemorações do ISPA do 200º aniversário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos desde a publicação da sua obra «Sobre a Origem das Espécies».

Organizado pela Unidade de Investigação em Eco-Etologia e Centro de Biociências do ISPA, com colaboração do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

A entrada é gratuita, mas pede-se que os interessados se pre-inscrevam, enviando um correio electrónico para: centro.biociencias@ispa.pt

 

Publicado por André Levy

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Correcção de 2 mitos: Darwin & Mendel e Marx

Maio 15, 2009 · 1 Comentário

Há ideias que lemos ou ouvimos e depois propagamos sem verificar a sua validade, dada a autoridade intelectual e sapiência da fonte. Porém todos somos falíveis, e mesmo um autor consagrado pode ser fonte de uma história errada, contribuindo assim para a sua difusão. Ao repetirmos a história juntamo-nos à cadeia de propagação. Se a história é interessante tenderá a propagar-se mais que a sua, mais aborrecida, correcção. Vem isto a propósito de dois mitos, ou histórias incorrectas, que eu próprio tenho repetido e que aqui tenciono corrigir procurando redimir-me.

O primeiro é o mito de que Charles Darwin tinha uma cópia do artigo de Mendel «Versuche über Pflanzenhybriden», descrevendo as suas experiências com cruzamentos de ervilhas. Na verdade, as evidências apontam para que Darwin não tinha o artigo. Não subscrevia a revista no qual o artigo foi publicado e não existe cópia do artigo no espólio de Darwin. Leu alguns livros no final da sua vida que faziam referência à obra de Mendel, mas não em grande detalhe. Mesmo que tivesse o artigo é muito possível que, à semelhança dos seus contemporâneos evolucionistas que o leram, o seu significado não fosse evidente. (ver).
O mais curioso, do ponto de vista da difusão de histórias falsas, é que por vezes, no decurso da sua transmissão, se tornam mais elaboradas: há quem tenha até escrito que Darwin tinha a revista com o artigo de Mendel com as páginas ainda por abrir (livros e revistas antigos eram impressos em folhas grandes maiores que o formato do livro, sendo assim encadernadas e vendidas tendo depois o leitor que as cortar com uma faca ou “abre-cartas”, instrumento agora anacrónico mas que seria habitual em qualquer secretária até meados do século XX). Pois, este detalhe das folhas por cortar não faz sentido, já que a revista onde o artigo de Mendel foi publicado era distribuído já com as páginas separadas.

Já Mendel leu a «Origem das Espécies», tendo nós acesso aos comentários que fez na sua cópia do livro (a marginalia), que indicam que Mendel não compreendeu o significado dos seus resultados para a evolução.

O segundo mito é que Karl Marx escreveu a Darwin pedindo-lhe para lhe dedicar o segundo volume do «Capital». Também esta história parece ser falsa. A origem do erro provém de uma carta de Darwin encontrada entre o espólio de cartas de Marx, na qual Darwin cordialmente recusa o convite confessando não entender nada sobre o assunto. Era hábito na altura que no início das cartas constava apenas “Caro Sr.”, pelo que a carta em si não indica que Darwin respondeu a Marx. O espólio de Marx passou para o cuidado da sua filha Eleanor, companheira do socialista Britânico Edward Aveling. Dois investigadores estabeleceram que fora Aveling que escrevera a Darwin pedindo para lhe dedicar o volume 2, e resposta de Darwin a Aveling ter-se-á misturado entre as cartas do Marx. Curiosamente, Stephen Jay Gould repetiu a falsa história numa das suas primeiras colunas na revista «Natural History», tendo mais tarde rectificado o seu erro. (ver)

Moral: podemos cometer o erro de espalhar inconscientemente e acriticamente uma falsa história (afinal Gould, um historiador, ensaísta e cientista de distinção, fê-lo). Mas estaremos em melhor companhia, se como Gould procurarmos verificar cada detalhe e ter a humildade de reconhecer e corrigir erros cometidos, tentando pôr fim à transmissão de falsas histórias, por muito interessantes que sejam.

 

Publicado por André Levy

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127 anos da morte de Darwin

Abril 19, 2009 · Deixe um comentário

Enterro de Darwin
Tendemos a fazer celebrações quando as efemérides calham em números “redondos”, como 10, 20, 25, 50, 100, 150 anos. (Num aparte, seria interessante entender por que estes números são mais “redondos” do que 69 que, conotações sexuais à parte, me parece muito “redondo”.) Assim, e como é sabido pelos leitores deste blog, este ano comemora-se os bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da «Origem das Espécies». No passado dia 19 de Abril, passaram 127 anos desde a morte de Darwin, em 1882. Não será número redondo, mas estando nós este ano a celebrar a vida e obra de Darwin, parece-me apropriado assinalar a data. Recordo que depois de toda a controvérsia em torno das suas ideias, Darwin foi enterrado numa cerimónia de Estado em Westminister Abbey, perto de Issac Newton, sendo apenas uma das cinco pessoas não membros da família real a receber tal honra no século XIX. Reproduzo abaixo o obituário de Darwin escrito por Thomas Henry Huxley, seu amigo, admirador e defensor público (o “bulldogue” de Darwin”), mas também o seu crítico no seio da ciência (e.g., Huxley atribuía pouca importância ao mecanismo de selecção natural). O texto foi originalmente publicado na revista Nature, 27 de Abril de 1882.

Muitos poucos, mesmo entre aqueles que tiveram o maior interesse no progresso da revolução do conhecimento natural lançado pela publicação da «Origem das Espécies»; e que têm assistido, não sem admiração, a mudança rápida e completa que ocorreu tanto dentro como fora das fronteiras do mundo científico na atitude das mentes humanas perante as doutrinas expostas nessa grande obra, poderiam estar preparados para a extraordinária manifestação de respeito e afecto para o homem, e de profunda reverência pelo filósofo, que se seguiu ao anúncio, na passada quinta feira, da morte do Sr. Darwin.
Não apenas nestas ilhas, onde tantos sentiram o fascínio do contacto pessoal com um intelecto que não tinha superior, e com um carácter que era ainda mais nobre que o seu intelecto; mas, em todas as partes do mundo civilizado, parece que todos cujo trabalho é tomar o pulso das nações e saber quais os interesses das massas da humanidade, estavam bem cientes que milhares do seus leitores pensariam o mundo mais pobre após a morte de Darwin, e pensariam com ávido interesse sobre cada incidente da sua história. Na França, na Alemanha, na Austro-Hungria, na Itália, nos Estados Unidos, escritores de todo o espectro de opinião, por uma vez unânimes, prestaram de bom grado o seu tributo ao valor no nosso grande conterrâneo, ignorado em vida pelos representantes oficiais do reino, mas enterrado em morte entre os seus pares em Westminister Abbery por vontade da inteligência da nação. Não nos cabe a nós aludir aos sagrados lamentos da casa em luto em Down; mas não é nenhum segredo que, fora do grupo doméstico, existem muitos para os quais a morte do Sr. Darwin é uma perda inteiramente irreparável. Isto não apenas devido à sua natureza admiravelmente genial, simples e generosa; a sua conversa alegre e animada, e a infinita variedade e precisão da sua informação; mas porque quanto mais conhecíamos dele, mais ele aparentava incorporar o ideal do homem de ciência. Incisivos eram os seus poderes de raciocínio, vasto era o seu conhecimento, maravilhoso era a sua tenacidade imparável, sob dificuldades físicas que haveriam convertido nove em cada dez homens em inválidos desnorteados; não era estas qualidades, por grandes que fossem, que mais impressionavam aqueles que eram admitidos na sua intimidade com veneração involuntária, mas uma certa intensa e apaixonada honestidade que irradiava de todos os seus pensamentos e acções, como que através de um fogo central.
Era este mais raro e grandioso dom que mantinha a sua imaginação e grande poder especulativo dentro dos devidos limites; que o compelia a desenvolver trabalhos prodigiosos de investigação original e leitura, sobre os quais se baseiam os seus trabalhos publicados, que o fazia aceitar críticas e sugestões de qualquer um, não apenas sem impaciência, mas com expressões de gratidão e por vezes quais cómicas na sua excessiva valorização; o que o leva a impedir que nem ele nem outros fossem enganados por frases e não poupando tempo nem esforço por forma a obter ideias claras e distintas sobre cada tópico sobre o qual se ocupava.
Não era possível falar com Darwin sem ser lembrado de Sócrates. Havia o mesmo desejo de encontrar alguém mais sábio que ele próprio; a mesma crença na soberania da razão; o mesmo humor; o mesmo interesse simpático em todos os modos e trabalhos do homem. Mas em vez de voltar as costas aos problemas da natureza desesperadamente insolúveis, o nosso moderno filósofo dedicou a sua vida inteira a atacá-los com o espírito de Heraclíto e de Demócrito, com resultados que são a substância do qual as suas especulações eram as sombras antecipatórias.
O devido apreço ou até enumeração destes resultados não é praticável nem desejável neste momento. Há um momento para tudo – um tempo para glorificar as crescentes conquistas sobre o reino da natureza, e um tempo de luto pelos heróis que nos têm conduzido à vitória. Ninguém lutou melhor, e ninguém foi mais afortunado que Charles Darwin. Ele encontrou a grade verdade, espezinhado, vilificado por intolerantes, e ridicularizado por todo o mundo; ele viveu o suficiente para vê-la, sobretudo pelos seus esforços, irrefutavelmente estabelecida na ciência, inseparavelmente incorporada nos entre os pensamentos comuns do homem, e apenas odiado e atemorizado por aqueles que o vilificariam, mas não se atrevem. Que mais pode um homem desejar do que isto?
Mais uma vez a imagem de Sócrates emerge, e a nobre peroração da “Apologia” soa nos nossos ouvidos como se fosse a despedida de Charles Darwin :—
“A hora da nossa despedida chegou, e temos de ir em caminhos separados — eu para morrer e vocês para viver. Qual o melhor, apenas Deus sabe.”
T. H. HUXLEY

Publicado por André Levy

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