Tag Archives: astronomia

Literatura e Ciência (15): Sérgio Godinho «nunca tinha visto a lua tão perto de Vénus»

Sérgio Godinho começa a ser um caso sério neste blogue. Já o apresentámos em versão vídeo, em versão letrista de fado, e agora voltamos à carga com um poema, retirado do livro O Sangue Por um Fio (Assírio e Alvim, 2009).

«Noite de estrelas e planetas

Noite de estrelas e planetas
não estava previsto.
O certo é que tinha estafado os olhos
numa tarde ensanguentada
e agora quero ver como é por dentro:

Constelações alinhadas ao sol poente
por ordem do caos sem nome
prontas a aprumar-se ao mínimo clarim
por ordem da sua entrada
nos desenhos do universo
(ao sol poente
desce o sangue a outra morte, está previsto
e desenhado).

Nunca tinha visto a lua tão perto de Vénus
por cima de Júpiter já foge, a hora é fugaz –
ao sentimento fugaz desce a noite antiga
segue o rumo.

Avisei, durante o dia, para a noite e o seu tamanho
e já portanto
não há surpresa que escureça
a incandescência
(vês por dentro? são estrelas ou planetas?).
Luz própria é mensageira
luz reflexa quem a sorve.

Ou está tudo
os recados
por abrir?»

Publicado por Sílvio Mendes
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Literatura e Ciência (10): Jorge Sousa Braga condensa o Universo em poesia de letra pequena

«PÓ DE ESTRELAS

Somos feitos
da mesma matéria
que as estrelas
e os amores-perfeitos

Somos feitos
de pó de estrelas»

Jorge Sousa Braga escreve, Cristina Valadas Ilustra. Juntos adicionam poesia ao Universo e todos os seus mistérios. Não sei se chega a ser «uma lição de astronomia para os mais novos», como descreve a sinopse do livro, mas é de certeza uma versão narrativa encantada que atrai as crianças para a curiosidade sobre os desígnios da Astronomia. E com ilustrações assim não haverá criança-curiosa que não adormeça nas margens do abismo da felicidade.

«O ASTRÓNOMO

No Monte Palomar
num telescópio gigante
passa a vida a perscrutar
o céu distante

Trata todas as estrelas
como se fossem irmãs
sejam elas gigantes
ou sejam elas anãs

Dorme durante o dia
de noite está acordado
Com o seu telescópio
varre o céu de lado a lado

Sempre na esperança
que do fundo do infinito
chegue um dia uma resposta
ao seu grito»

Pó de Estrelas, Jorge Sousa Braga (texto), Cristina Valadas (ilustração), Colecção: Assirinha, Assírio & Alvim (2004)

Publicado por Sílvio Mendes

Vê-se à segunda (2): Ali G, o divulgador de ciência

Há muito que não se via um apresentador de televisão tão familiarizado com todos os termos científicos. Ali G, a primeira das personagens mais mediáticas de Sacha Baron Cohen, vai a todas, fazendo enquadramentos perfeitos de temas fracturantes como a “tecmologia”, o evolucionismo vs criacionismo e a (alegada?) inevitabilidade de sermos todos Homo Sapiens.

No segundo vídeo, Ali G abre o livro da astronomia e faz piadas secas sobre Lua. Pelo meio, entrevista Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar a superfície lunar e com tanta sensibilidade para o humor como o primeiro para a investigação. Dois vídeos curtos e obrigatórios do mais improvável divulgador de ciência do novo milénio.

Publicado por Sílvio Mendes

Macau abre as portas do seu primeiro Centro de Ciência

Vista Exterior do Centro de Ciência de Macau, © CCM

«Arrastou-se durante vários anos, perdeu dimensão por via dos arranha-céus que nasceram nas imediações, foi inaugurado em Dezembro com pompa, circunstância e honras de Hu Jintao. Ontem, abriu finalmente as portas ao público, sem estar porém a funcionar na totalidade. Há quatro galerias ainda em construção, mas há muito para ver (e tocar) no Centro de Ciência de Macau.» (Ler texto de Isabel Castro no jornal macaense Ponto Final)

O projecto arquitectónico tem a assinatura de I.M. Pei (o mesmo que concebeu a Pirâmide do Louvre, em Paris) e oferece espaço para um Centro de Exibições, um Planetário e um Centro de Conferências. Isto, à margem das 14 galerias de ciência, pensadas para todas as faixas etárias, que se dedicam a áreas como a robótica, a astronomia, a ecologia, a saúde no desporto e a ciência alimentar, entre outras. Einstein, Newton, Goldbach e Darwin dividem as galerias para os mais pequenos, numa divisão espacial que não esquece também uma abordagem às ciências e tecnologias antigas da China.

Interior do Centro de Ciência de Macau, © Isabel Castro (Ponto Final)

Mais: Museu de Ciência de Macau (Website oficial)

Publicado por Sílvio Mendes