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Abraço quântico nacionalista

Chamo a atenção para este excelente artigo de Luis Pedro Nunes (o director do Inimigo Público) no Expresso. Um jornalista a escrever sobre pseudo-jornalismo sobre pseudo-ciência (os pseudos gostam de andar de braço dado).

Abraço quântico nacionalista

 

Para dizer bem de um português vale tudo? Até mandar para o lixo a Física Quântica?

 Para dizer bem de um português vale tudo? Vale. Até torcer as leis da Física Quântica

Anda por aí uma onda de nacionalismo bimbo que não tem explicação. Tudo serve para nos inflar. Do cão de Obama ao milagre azeiteiro do Condestável passando pelo jeitinho português que Barroso garante ter levado para Bruxelas até, imagine-se, à escolha que um site de humor norte-americano fez sobre as palavras que supostamente fazem falta ao léxico inglês. O termo português ‘desenrascanço’ é necessário ao vocabulário inglês, dizem. E o que é isso? “É um bigode arranjado de emergência com pêlos púbicos.” Ah, que orgulho… Eles bem queriam ter palavra ‘desenrascanço’. Mas não têm… por essas é que lá fora se aprecia muito o jeitinho do Barroso. Decidi deixar-me contagiar.

E vi, de facto, como a inveja grassa entre nós. Constatei que um amigo meu, cientista, só porque trabalha num daqueles superaceleradores de partículas que querem abrir um buraco negro e engolir o Universo e desta forma terminar o doutoramento com brilharete, resolveu denegrir um compatriota nosso que apareceu há dias na RTP numa peça do correspondente no Rio de Janeiro, Pacheco de Miranda, sobre um curso de Terapia Quântica em que “os portugueses já conseguem ensinar em vários pontos do mundo!”. Qual Manoel da Panificação. Agora Física Quântica quentinha em três minutos.

mais aqui.

(e agora vou continuar a trabalhar no buraco negro para engolir o mundo)

 

Publicado por David Marçal
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Ciência e Media em discussão no Porto

The Wonder Book of Science, 1922, © Nature Publishing group, Galbraith O'LearyNa tarde do dia 26 de Março esteve em discussão aberta o tema Ciência e Media, no auditório da Biblioteca Almeida Garret, integrada no Encontro “Science: What else?”. O painel foi moderado pelo Professor Manuel Sobrinho Simões (FMUP, IPATIMUP) e contou com a presença dos jornalistas de ciência Vasco Trigo (RTP), Andrea Cunha Freitas (Público e Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente), Virgílio de Azevedo (Expresso) e Helena Mendonça (Diário de Notícias).

As comunicações e debate reflectiram as diferentes tensões entre quem faz ciência e quem a reporta, a evolução desta relação e os desafios que se colocam. Como dizia Vasco Trigo, “o cientista está ligado ao conteúdo e o jornalista à forma”. Ao ir ao encontro de um cientista, o jornalista tem que decifrar a informação em função do interesse público e do tempo ou espaço disponível. Contudo, “há um grande esforço do cientista em ir ao encontro da notícia”, afirma Helena Mendonça. A revelação vem pelos resultados da sua tese de mestrado, publicada em 2006, que analisa o processo entre a interacção jornalista-cientista até à notícia escrita. Para os cientistas, “o desejo de aproximação aos media é tal que tendem mesmo a tolerar certas abordagens sensacionalistas e determinados lapsos encontrados nas notícias“. Mas, no fim, ambas as partes “mostram satisfação com os resultados”. Afinal, “cientistas e media sustentam-se em valores idênticos – como a objectividade, a verdade e a autonomia”.

Apesar da aproximação entre os dois campos, Vasco Trigo alerta: “a ciência está a desaparecer da comunicação de prime-time” na TV. E, simultaneamente, temos a “tabloidização dos jornais portugueses”, afirma Sobrinho Simões. A função pública dos media generalistas como educadores está a desaparecer. Quando temas complexos como o Aquecimento global e a Energia Nuclear são abordados, são comuns os argumentos afectivos e convicções dominantes. “É necessário que a ciência invada o ambiente”, defende Virgílio Azevedo. Mas, com a dimensão impressionante de informação científica, serão as redacções capazes de enfrentar o desafio?

“A comunicação científica precisa de ser exemplar!”, sublinha Sobrinho Simões. Poderão os mediadores entre os cientistas e os jornalistas ser uma peça importante deste puzzle? Assessores de imprensa, comunicadores e outros têm “um percurso profissional normalmente diferente dos jornalistas”, diz Virgílio Azevedo. Andrea Cunha Freitas realça que cada um tem os seus interesses mas sublinha a importância dos assessores como ferramenta de trabalho. Vasco Trigo não recomenda o uso de gabinetes externos de comunicação, tal como já tinha advertido recentemente na Conferência Parlamentar sobre Ciência.

De qualquer forma, todas as redacções reconhecem a importância das suas redes de contactos, especialistas crediveís que confirmam factos e agem como fontes exclusivas. Uma evolução que é capaz de perturbar este equilíbrio é o openspace científico, com os “jornais sem revisão de pares que começam a aparecer”. “É apetecível ter veículos rápidos”, reflecte Sobrinho Simões. Contudo, é opinião unânime o perigo em termos de credibilidade que se coloca caso o “mercado do conhecimento” evolua neste sentido…

O futuro passa pelo desenvolvimento de parcerias, que envolvam indivíduos e instituições. Relações honestas de confiança entre diferentes actores em rede. Antigamente, conforme explica Helena Mendonça, o jornalista ia sempre para a rua, directo para os cidadãos. Hoje procura cada vez mais perceber os fenómenos junto de analistas e cientistas. O sentido natural da evolução, qualquer que seja o rumo, será usar a ciência para interpretar a realidade. “O meu sonho”, finaliza Sobrinho Simões, “é que um dia todos sejam capazes de ler um horário de autocarros”.

Publicado por João Cão

Novo site do DN é uma boa notícia para a Ciência

Aspecto da Secção Ciência na renovada página do DN

Aspecto da Secção Ciência na renovada página do DN

O Diário de Notícias lavou a cara que apresenta on-line. No núcleo das secções permanece uma inteiramente dedicada à Ciência. A secção ramifica-se ainda em quatro subníveis: Saúde, Biosfera, Tecnologia e ‘Sabia que’.

Ainda é cedo para avaliar a dinâmica e qualidade dos conteúdos e a capacidade do Diário em potencializar as mais valias de uma presença forte na web, mas – para já – há que aplaudir a continuidade da aposta. É talvez – a par das apresentadas pelo Público e pelo Expresso – uma da páginas on-line sobre ciência (dos jornais de informação generalista) melhor estruturadas. E isso já é motivo suficiente para algum reconhecimento.

Publicado por Sílvio Mendes