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Literatura e Ciência (31): Manuel Rivas e o Astronauta que alcatroou uma estrada galega

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O escritor e jornalista galego Manuel Rivas publica, no livro “As vocês baixas” (2012), um magnífico conjunto de histórias que atravessa as suas memórias de infância. Uma delas, cruza a chegada do homem à lua com o ‘astronauta’ que alcatroou um caminho na aldeia de Elviña. Aqui fica essa narrativa:

«O camiño a Elviña era de terra, polo menos até que o home chegou á Lúa, pois xusto foi asfaltado en vésperas da aterraxe do Apolo 11 no verán de 1969. Falábase moito de astronautas e o operario da pistola de alcatrán, que se desprezaba por Castro com pasos foltantes sobre a grava cun escafandro branco, tiña un aire de misión espacial da NASA. Até que quitou o casco do escafandro. Ía moita calor, multiplicada pola exhalación do chapapote. Tiña na cara o brillo xelationoso dunha medusa. Alguén correu a ofrecerlle un xerro com auga. Tardou en falar, co respirar arfante e as palabras derretidas nos beizos. O noso astronauta explicou, por fin, que o enviaba a Deputación. E que o traballo, para o que era, non estaba bem pago.»

Publicado por Sílvio Mendes

 

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Os Sons da Ciência (18): Raul Seixas e a vida infinita no Universo


Voltamos ao Brasil, numa visita-relâmpago a Raul Seixas (1945-1989), através do tema S.O.S., retirado do álbum Gita (1974). Explicação simples: uma música extraordinária de intervenção social que aponta como ponto de fuga a infinidade do Universo. É, por isso, uma carta aberta ao «moço do Disco Voador» pedindo que o leve para um sítio melhor, visto que «tem tanta estrela por aí».

É quase o Lado A de outra música já partilhada aqui nesta rubrica. Gabriel o Pensador, em 1999, perguntava ao Astronauta porque é que ele queria voltar à Terra. Seixas pergunta ao moço do disco voador se pode sair dela.

«Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Do Disco Voador
Me leve com você
Prá onde você for
Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí»

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (4): Gabriel o Pensador contra a gravidade


Fazemos escala no Brasil para dar um salto até ao Espaço. Astronauta, de Gabriel o Pensador (álbum Nádegas a declarar, 1999), é um grande exemplo de uma canção cheia de ciência: a ciência de bem escrever e a ciência que há no que é escrito. É daquelas letras com o mundo inteiro dentro. E começa assim…

«Astronauta tá sentindo falta da Terra?
Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui em baixo continua em guerra
Olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar?
(…)
Você já tá perto de Deus, astronauta
Então, me promete
Que pergunta pra ele as respostas
De todas as perguntas e me manda pela internet
(…)
Eu vou pra longe, onde não exista gravidade
Pra me livrar do peso da responsabilidade
De viver nesse planeta doente
E ter que achar a cura da cabeça e do coração da gente»

Publicado por Sílvio Mendes