Tag Archives: De Rerum Natura

Ronda rápida por blogues de ciência (3): 2011 e os livros de divulgação de ciência em português

O divulgador de Ciência, António Piedade, apresenta uma lista de livros portugueses dedicados à divulgação de ciência e publicados em 2011. No Blogue De Rerum Natura, Piedade expões as suas escolhas e não lhes poupa elogios: «2011 deu à estampa alguns volumes que vão ficar (já estão) na galeria dos melhores livros de sempre de divulgação de ciência em língua portuguesa».
Vejamos então quais as obras que destacou:

:: “Haja Luz! – Uma história da Química através de tudo”, Jorge Calado, Imprensa do Instituto Superior Técnico

:: “A História Química de uma Vela, Michael Faraday, (Tradução e anotações de Sérgio Rodrigues e Maria Isabel Prata; Prefácio de Sebastião Formosinho), Imprensa da Universidade de Coimbra,

:: “Breve História da Química, Regina Gouveia, Editora 7 dias, 6 noites

:: “Dicionário de Geologia”,
A.M. Galopim de Carvalho, Âncora Editora
“Estas máquinas chamadas Mundos”, Eduardo Ivo Alves, Imprensa da Universidade de Coimbra;

:: “A Aventura da Terra – Um planeta em evolução
, Vários autores (Coordenação: Maria Amélia Martins-Loução), Esfera do Caos

:: “Pelo sistema solar vamos todos viajar
, Regina Gouveia, Gatafunho

:: “Vida no Universo, João Lin Yun, Editorial Presença

:: “O Grande Inquisidor
, João Magueijo, Gradiva

:: “Egas Moniz. Uma biografia
, João Lobo Antunes, Gradiva.

:: “Migrações: das Células aos Cientistas
, Coordenação Maria de Sousa, Esfera do Caos

:: “Uma Tampa para cada Tacho – Conflitos Genéticos e Evolução
, Francisco Dionísio, Bizâncio

:: “Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciências
, Carlos Fiolhais e David Marçal, Gradiva

:: “Casamentos e Outros Desencontros
, Jorge Buescu, Gradiva

Alguns leitores do post reclamam também a inclusão na lista de um livro do próprio António Piedade. Aqui fica ele:

:: “Caminhos de Ciência
, António Piedade, Imprensa da Universidade de Coimbra

No post original, António Piedade chama a atenção para a subjectividade deste tipo de listas sempre incompletas e convida os leitores a darem o seu contributo, complementando-a. Deixamos aqui também o mesmo desafio.

Publicado por Sílvio Mendes
Anúncios

“Por uma cultura científica” ou a actualidade de um texto do “tempo antes dos blogues”


Vale a pena passar pelo De Rerum Natura e ler um texto assinado por Carlos Fiolhais e Guilherme Valente, escrito no “tempo antes dos blogues” mas com uma actualidade espantosa. Aqui fica um aperitivo, mas recomenda-se dose completa.

«Podemos mudar a nossa cultura! Ela está de resto a mudar, com a abertura inevitável ao exterior, com a generalização do espírito científico, mas é uma mudança lenta demais por causa das resistências interiores que enfrenta. Precisamos, urgentemente, de uma nova cultura. Necessitamos de dar à mudança, baseada na cultura científica e iniciada na escola, todos os contributos, individuais e colectivos, que pudermos.

Será pouco? Pode ser muito. É tudo.»

Publicado por Sílvio Mendes

Chumbada actualização extraordinária de bolsas de investigação científica

Os projectos de lei do PCP e do Bloco de Esquerda para a actualização extraordinária das bolsas de investigação foram rejeitados no Parlamento com os votos contra do PS e a abstenção do PSD e CDS.

Como a notícia não vai muito a fundo, aqui ficam as intervenções das diferentes bancadas parlamentares que ontem debateram estas questões na Assembleia da República.

PCP (ver texto no site oficial):


PEV

BE (ver texto no Esquerda.net):

PSD (ver texto no site do Grupo Parlamentar do PSD)

Nota: Não encontrei na rede nenhuma referência a intervenções nem documentos relativos às mesmas por parte das Bancadas Parlamentares do CDS (abstenção) e do PS (voto contra) sobre estas matérias. Caso alguém as encontre, agradecemos que as partilhem também por aqui.

Entretanto, e para terminar, fica uma sugestão de leitura ao texto “Tudo Água“, assinado por David Marçal, no blogue De Rerum Natura, onde também se encontram os links para os projectos de lei reprovados.

Publicado por Sílvio Mendes

Átomo, poesia, memória: um Lucrécio perdido no livro de Química

10013651~Titus-Lucretius-Carus-Roman-Poet-and-Philosopher-PostersA primeira vez que me aconteceu alguma coisa semelhante foi quando, aos 20 anos, descobri uns poemas de Cecília Meireles no meu livro de Português da Escola Primária. A paixão pela sua poesia ainda era recente e acabava de descobrir, por linhas inesperadas, que afinal já a havia lido (ou alguém a lera por mim) uma década antes. Um choque.

No fim-de-semana passado, enquanto desfolhava o meu livro de Química do 8º ano, eis que surge mais um ajuste de contas com o passado. Então não é que na fase de todas as borbulhas deixei passar em claro o poema de Lucrécio (Titus Lucretius Carus) no qual, em pleno século I a. C., o poeta romano já abordava a constituição atómica da matéria – ideia que só veio a ter aceitação no século XIX.

Eis o que encontrei:

«… átomo algum interrompe jamais o seu movimento no vácuo, antes se move sem cessar, empurrando e sendo empurrado
Em várias direcções, e as suas colisões provocam,
Consoante o caso, maior ou menor ressalto.
Quando combinamos da forma mais densa,
A intervalos muito próximos, com o espaço entre si
Mais obstruído pelo entrelaçado da figura,
Dão-nos a rocha, o diamante, o ferro,
Coisas dessa natureza. (Não existem muitas espécies de átomos
Que errem, pequenos e solitários, através do vácuo.)

Apesar de se encontrarem em constante movimento,
O seu todo aparenta absoluta quietude,
Salvo, aqui e ali, alguma oscilação particular.
A sua natureza está além do alcance dos nossos sentidos,
Muito, muito além. Já que não somos capazes de ver
As coisas como são na realidade, elas são obrigadas a esconder-nos os seus movimentos,
Especialmente porque, mesmo as que conseguimos ver, muitas vezes
Nos ocultam também os seus movimentos, quando à distância.
Tomemos por exemplo um rebanho a pastar
Numa encosta; sabemos que esses animais de caracóis de lã
Se movimentam para onde quer que os atraia a bela erva,
Em qualquer lugar onde esta se encontre, ainda cravejada de jóias de orvalho cintilantes, e que os cordeiros,
Já saciados, saltam e brincam, brilhando ao sol.
Tudo isto, porém, visto á distância, é apenas uma mancha azulada
Esbranquiçada, repousando numa colina verde.
…»

O excerto é retirado do poema De Rerum Natura (Sobre a Natureza das Coisas), o único livro escrito por Lucrécio. O título de poema serviu também de inspiração a um dos mais competentes blogues portugueses de ciência, precisamente o De Rerum Natura. Nos arquivos do mesmo blogue encontram-se explicações bem mais completas sobre Lucrécio, em particular, e sobre a origem do atomismo, mais a fundo.

Publicado por Sílvio Mendes