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Crónicas da Corunha (2): Fórmula confirmada: Jazz + Textos científicos = prazer desmedido

Rita Levi-Montalcini (Nobel da Medicina em 86) já ultrapassou os 100 anos de idade mas continua de corpo e alma na ciência. Um dos seus textos foi lido e acompanhado por jazz , na Corunha.

A programação da Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha apresenta sempre, à margem dos filmes exibidos, um pormenor de grande criatividade na sua programação. Na edição do ano passado testemunhámos o recital «Poesia + Ciência» e escrevemos aqui que o evento “fez a justa ponte de beleza entre as duas ‘artes’”.

A mesma expressão serviria perfeitamente para definir a solução encontrada na edição deste ano pelos organizadores da Mostra. Ao palco do Teatro Rosalía de Castro, na Corunha, subiram, no dia 27 de Outubro,  Abe Rábade, músico jazz, e Belén Regueira e Susana Róis, jornalistas da rádio galega, para conduzirem a sessão “Jazz + Ciência”. Um piano vagabundo e jazzístico acompanhou a locução de brilhantes textos de ciência, de nomes como Carl Sagan, Richard Feynman, Albert Einstein, Jane Goodall, Rita Levi-Montalcini e, como carinho da noite, Joana Barros (editorial do livro Vidas a Descobrir), da Associação Viver a Ciência.

Um serão inesquecível proporcionado pela competência e criatividade do trio galego e pela esperança e inteligência presentes em textos de grandes cientistas e, acima de tudo, fascinantes seres humanos.
Termino este texto com o mote usado para abrir o espectáculo: «Fiquem com o Jazz e que a Ciência vos acompanhe».

E só para satisfazer a curiosidade, aqui fica um tema original do pianista galego Abe Rábade (que, hoje, sirva também como substituto da rubrica Os Sons da Ciência):

Publicado por Sílvio Mendes
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Crónicas da Corunha (1): A editora de livros de ciência que se atreve a perguntar “por que não?”

Pormenor da Domus (la Casa del hombre), um dos Museus de Ciência da Corunha. Foto: Joana Barros

A Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha vai na III Edição (termina amanhã, 30 de Outubro) e é uma verdadeira montra do dinamismo que se concentra à volta da divulgação científica nesta cidade galega. Exemplos disso são os três (!) Museus de Ciência que a cidade possui, das quais já vos falei no ano passado.

Mas as surpresas não ficam por aqui. Na edição deste ano ficámos a conhecer melhor Julio Casal, economista de formação e profissão (a “ciência obscura”, como ele diz ser costume catalogá-la), e um profundo apaixonado pela ciência em geral, abraçando por isso a Asociación de Amigos da Casa das Ciências e as exigências da organização da Mostra.

Elementos que, por si só, já dariam uma boa história. Mas a que vos quero contar aqui é outra: Julio, que não se cansa de questionar o mundo, é o criador (2007) da editora de divulgação científica “le pourquoi-pas?” (por que não?), sediada, lá está, na Corunha.

A le pourquoi-pas? coloca no mercado uma “colecção de volumes de divulgação científica escritos por autores espanhóis de reconhecido prestígio”, como são os casos de Ramón Núñez, director do Museo Nacional de Ciencia y Tecnologia, Manuel Toharia e Miguel Barral.

Uma série de livros que tem como objectivo “dar respostas a questões da actualidade sob um ponto de vista da ciência mas também do censo comum”, com um estilo “multidisciplinar que demonstre as inesgotáveis conexões que [a ciência] tem com outros âmbitos”.

Julio Casal até nem precisava de ser economista para perceber que um negócio destes assenta mais numa ideia romântica e numa vontade de servir o público do que numa real possibilidade de lucro. Mas, com a sua iniciativa, garante mais ‘três pontos’ de admiração para o impressionante ‘Deportivo Cientifico de La Coruña’ (para que não suscite dúvidas: a expressão é mesmo invenção minha).

Porquê o nome “le pourquoi-pas?”? Julio conta aqui a história melhor que eu o faria.

Publicado por Sílvio Mendes

Vê-se à segunda (15)*: Gnus dançam com Beethoven, Zebras com Debussy


* Ou melhor, hoje Vê-se à quarta.

Wild Opera, do realizador francês Laurent Frapat, é o segundo filme já seleccionado para III Mostra de Ciência e Cinema da Corunha, que projectará películas entre 25 e 30 de Outubro de 2010. Hoje partilha-se por aqui um delicioso excerto desse filme que promete deleitar os espectadores. Pelo menos a avaliar pela receita: “a história da vida e morte na savana sem nenhum comentário”, apenas acompanhada pela música de alguns dos maiores compositores de todos os tempos: Beethoven, Wagner, Vivaldi, Debussy, Schubert e Dvorak, por exemplo.

O melhor é mesmo espreitar o trailer do filme.

Publicado por Sílvio Mendes