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Ir à Bola com Ciência – Cap. II: E o Público também

bailando-futbolDa relação do mundo do jornalismo desportivo com as metáforas científicas já se falou neste blogue. A premissa era simples: o website d’A Bola também apresenta notícias sobre ciência, de há uns dias para cá.

A novidade gerou uma reacção curiosa no Facebook e atingiu o seu auge com a publicação de um artigo humorístico, da autoria de David Marçal, no Inimigo Público.

Agora, porque “isto anda tudo ligado” ou talvez por pura coincidência, é a vez de um jornal generalista de referência – o Público – mostrar os seus créditos na nova corrente literária nacional: o jornalismo-que-vai-à-bola-com-ciência. Aqui fica o recorte.

«Para cada acção existe uma reacção de intensidade igual em sentido contrário. Sir Isaac Newton pensava em corpos e objectos quando, há três séculos, formulou este princípio fundamental da Física. Mas o pingue-pongue entre Rui Costa e Pinto da Costa, sobre quem tira jogadores a quem, demonstra que a terceira lei de Newton também assenta como uma luva ao futebol.» (Ler texto completo)

Aí está. Texto assinado por Victor Ferreira, que bem conheço e muito respeito, publicado na edição de 10 de Julho do Público (pag. 36).

Publicado por Sílvio Mendes
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Três diários, duas notícias

Ronda aleatória à procura de notícias sobre ciência nos portais de três diários nacionais. Eis o resultado: 

267756No Público, estende-se a passadeira vermelha às aranhas. Ou melhor, ao biólogo português – Luís Crespo – que descobriu novas espécies de aranhas. «Algumas vivem no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra». E, segundo o que é descrito no artigo, não é a primeira nova espécie que lhe entra ‘pela casa adentro’. Ler o artigo aqui.

No renovado Diário de Notícias, o destaque também vai para a investigação nacional: «Maiores triblobites do mundo encontradas em Portugal». E o artigo arranca assim: «O maior e mais completo conjunto de fósseis de trilobites do mundo foi descoberto na região de Arouca, perto de Aveiro, por uma equipa de paleontólogos espanhóis e portugueses. Entre os fósseis descobertos estão também os maiores exemplares conhecidos.» Confira o texto aqui.

No novíssimo i, só lá vamos com pesquisa. Ora: digitar “ciência” no motor de pesquisa (definindo apenas para artigos publicados nos últimos sete dias) dá este resultado: uma notícia apenas – «Portugal vai ter centro na invetsigação do cancro», publicada no dia 9. Resta apenas saber se serei eu que estou a encontrar dificuldades em perceber a lógica de um novo conceito de informação (?) ou se a nova publicação já nasceu mesmo sem o mínimo de vocação e interesse pelos temas de ciência.

 

Publicado por Sílvio Mendes

Ciência e Media em discussão no Porto

The Wonder Book of Science, 1922, © Nature Publishing group, Galbraith O'LearyNa tarde do dia 26 de Março esteve em discussão aberta o tema Ciência e Media, no auditório da Biblioteca Almeida Garret, integrada no Encontro “Science: What else?”. O painel foi moderado pelo Professor Manuel Sobrinho Simões (FMUP, IPATIMUP) e contou com a presença dos jornalistas de ciência Vasco Trigo (RTP), Andrea Cunha Freitas (Público e Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente), Virgílio de Azevedo (Expresso) e Helena Mendonça (Diário de Notícias).

As comunicações e debate reflectiram as diferentes tensões entre quem faz ciência e quem a reporta, a evolução desta relação e os desafios que se colocam. Como dizia Vasco Trigo, “o cientista está ligado ao conteúdo e o jornalista à forma”. Ao ir ao encontro de um cientista, o jornalista tem que decifrar a informação em função do interesse público e do tempo ou espaço disponível. Contudo, “há um grande esforço do cientista em ir ao encontro da notícia”, afirma Helena Mendonça. A revelação vem pelos resultados da sua tese de mestrado, publicada em 2006, que analisa o processo entre a interacção jornalista-cientista até à notícia escrita. Para os cientistas, “o desejo de aproximação aos media é tal que tendem mesmo a tolerar certas abordagens sensacionalistas e determinados lapsos encontrados nas notícias“. Mas, no fim, ambas as partes “mostram satisfação com os resultados”. Afinal, “cientistas e media sustentam-se em valores idênticos – como a objectividade, a verdade e a autonomia”.

Apesar da aproximação entre os dois campos, Vasco Trigo alerta: “a ciência está a desaparecer da comunicação de prime-time” na TV. E, simultaneamente, temos a “tabloidização dos jornais portugueses”, afirma Sobrinho Simões. A função pública dos media generalistas como educadores está a desaparecer. Quando temas complexos como o Aquecimento global e a Energia Nuclear são abordados, são comuns os argumentos afectivos e convicções dominantes. “É necessário que a ciência invada o ambiente”, defende Virgílio Azevedo. Mas, com a dimensão impressionante de informação científica, serão as redacções capazes de enfrentar o desafio?

“A comunicação científica precisa de ser exemplar!”, sublinha Sobrinho Simões. Poderão os mediadores entre os cientistas e os jornalistas ser uma peça importante deste puzzle? Assessores de imprensa, comunicadores e outros têm “um percurso profissional normalmente diferente dos jornalistas”, diz Virgílio Azevedo. Andrea Cunha Freitas realça que cada um tem os seus interesses mas sublinha a importância dos assessores como ferramenta de trabalho. Vasco Trigo não recomenda o uso de gabinetes externos de comunicação, tal como já tinha advertido recentemente na Conferência Parlamentar sobre Ciência.

De qualquer forma, todas as redacções reconhecem a importância das suas redes de contactos, especialistas crediveís que confirmam factos e agem como fontes exclusivas. Uma evolução que é capaz de perturbar este equilíbrio é o openspace científico, com os “jornais sem revisão de pares que começam a aparecer”. “É apetecível ter veículos rápidos”, reflecte Sobrinho Simões. Contudo, é opinião unânime o perigo em termos de credibilidade que se coloca caso o “mercado do conhecimento” evolua neste sentido…

O futuro passa pelo desenvolvimento de parcerias, que envolvam indivíduos e instituições. Relações honestas de confiança entre diferentes actores em rede. Antigamente, conforme explica Helena Mendonça, o jornalista ia sempre para a rua, directo para os cidadãos. Hoje procura cada vez mais perceber os fenómenos junto de analistas e cientistas. O sentido natural da evolução, qualquer que seja o rumo, será usar a ciência para interpretar a realidade. “O meu sonho”, finaliza Sobrinho Simões, “é que um dia todos sejam capazes de ler um horário de autocarros”.

Publicado por João Cão

Novo site do DN é uma boa notícia para a Ciência

Aspecto da Secção Ciência na renovada página do DN

Aspecto da Secção Ciência na renovada página do DN

O Diário de Notícias lavou a cara que apresenta on-line. No núcleo das secções permanece uma inteiramente dedicada à Ciência. A secção ramifica-se ainda em quatro subníveis: Saúde, Biosfera, Tecnologia e ‘Sabia que’.

Ainda é cedo para avaliar a dinâmica e qualidade dos conteúdos e a capacidade do Diário em potencializar as mais valias de uma presença forte na web, mas – para já – há que aplaudir a continuidade da aposta. É talvez – a par das apresentadas pelo Público e pelo Expresso – uma da páginas on-line sobre ciência (dos jornais de informação generalista) melhor estruturadas. E isso já é motivo suficiente para algum reconhecimento.

Publicado por Sílvio Mendes