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Literatura e Ciência (31): Manuel Rivas e o Astronauta que alcatroou uma estrada galega

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O escritor e jornalista galego Manuel Rivas publica, no livro “As vocês baixas” (2012), um magnífico conjunto de histórias que atravessa as suas memórias de infância. Uma delas, cruza a chegada do homem à lua com o ‘astronauta’ que alcatroou um caminho na aldeia de Elviña. Aqui fica essa narrativa:

«O camiño a Elviña era de terra, polo menos até que o home chegou á Lúa, pois xusto foi asfaltado en vésperas da aterraxe do Apolo 11 no verán de 1969. Falábase moito de astronautas e o operario da pistola de alcatrán, que se desprezaba por Castro com pasos foltantes sobre a grava cun escafandro branco, tiña un aire de misión espacial da NASA. Até que quitou o casco do escafandro. Ía moita calor, multiplicada pola exhalación do chapapote. Tiña na cara o brillo xelationoso dunha medusa. Alguén correu a ofrecerlle un xerro com auga. Tardou en falar, co respirar arfante e as palabras derretidas nos beizos. O noso astronauta explicou, por fin, que o enviaba a Deputación. E que o traballo, para o que era, non estaba bem pago.»

Publicado por Sílvio Mendes

 

Os Sons da Ciência (32): Third rock – a música do espaço


A ciência é uma aventura e a exploração espacial é eternamente apletiva! Espaço a última fronteira (Space: the final frontier) – a frase de abertura dos inúmeros episódios do Star Trek – marcou uma geração e, para mim, o fascínio pela descoberta de outros mundos e aventuras. No entanto, naveguei por outros mares e embarquei noutras descobertas mas sempre com uma banda sonora porque não há aventura sem música.

Relembro agora, com ternura, as horas intermináveis que passei no microscópio confocal a adquirir imagens de neurónios fluorescentes. A música, a minha companheira que me proporcionava momentos de alegria e de descobertas magníficas! A melhor de todas foi a KEXP, uma rádio de Seattle que me fazia ficar sempre bem-disposta: eu podia estar no escuro durante horas mas Seattle acordava inadvertidamente para um dia chuvoso… Depois foi a Pandora, uma das primeiras rádios online personalizadas. Pouco tempo depois desta descoberta, a rádio passou a estar acessível somente a partir dos Estados Unidos.

No entanto, o fascínio pelo espaço continua presente e agora até já tenho a banda sonora para a viagem: Third Rock. A Third Rock é uma rádio online desde 12 de Dezembro com um alinhamento peculiar: música fantástica e notícias da NASA. Sim, essa mesmo: a National Aeronautics and Space Administration. Entre uma música dos Arcade Fire e outra dos The XX, são incorporadas  notícias da NASA, saudações dos colaboradores, reportagens sobre o dia-a-dia dos cientistas e engenheiros da NASA, etc.

Desta forma, a NASA aposta na exploração de novos formatos para comunicar ciência e angariar apoio junto da audiência 4G , constituída por jovens adultos – uma das denominadas hard to reach.

Agora que já temos banda sonora, se alguém sabe o que se ouve no espaço é a NASA e até vamos aprendendo algumas coisas: só faltam os 200,000$ para reservar um dos lugares nos voos suborbitais da Virgin Galactic. Um passo de cada vez…

Publicado por Sílvia Castro

Forma de vida com forma diferente de DNA

(Não quero repetir discussões sobre a definição de Astrobiologia, mas a ANSA está de parabéns pelo o seu departamento de relações públicas.)

Lago Mono

Lago Mono

Segundo entendi da conferência de imprensa da NASA, foi encontrado no Lago Mono na Califórnia (na Terra, portanto), micro-organismos que não só sobrevivem na ausência de fósforo (P) e presença de arsénio (As) . Mais, o arsénio substitui o P na coluna vertebral do DNA.

Isto é de facto incrível e um descoberta relevante. Sem dúvida. Abre as portas sobre possíveis estruturas de DNA e sobre a possibilidade de existência de bio-moléculas e vida, noutros planetas, com condições diferentes (o que uma oradora referiu como ampliar o conceito de condições propícias para o aparecimento de vida, ou habitabilidade), mas não consiste em prova concreta da existência de vida extra-terrestre. Para mim, sobretudo, acrescenta a conceito da diversidade da vida na Terra.

Como biólogo da vida na Terra, a pergunta mais interessante, é saber se isto implica uma segunda raíz da vida, ou uma ramo da árvore da vida conhecida que evoluiu, em condições particulares, para ter uma molécula de DNA diferente? A cientista da NASA, Felisa Wolfe-Simon, terminou a sua apresentação indicou que estas bactérias fazem parte da mesmo, única, árvore da vida na Terra.

Publicado por André Levy