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Macau abre as portas do seu primeiro Centro de Ciência

Vista Exterior do Centro de Ciência de Macau, © CCM

«Arrastou-se durante vários anos, perdeu dimensão por via dos arranha-céus que nasceram nas imediações, foi inaugurado em Dezembro com pompa, circunstância e honras de Hu Jintao. Ontem, abriu finalmente as portas ao público, sem estar porém a funcionar na totalidade. Há quatro galerias ainda em construção, mas há muito para ver (e tocar) no Centro de Ciência de Macau.» (Ler texto de Isabel Castro no jornal macaense Ponto Final)

O projecto arquitectónico tem a assinatura de I.M. Pei (o mesmo que concebeu a Pirâmide do Louvre, em Paris) e oferece espaço para um Centro de Exibições, um Planetário e um Centro de Conferências. Isto, à margem das 14 galerias de ciência, pensadas para todas as faixas etárias, que se dedicam a áreas como a robótica, a astronomia, a ecologia, a saúde no desporto e a ciência alimentar, entre outras. Einstein, Newton, Goldbach e Darwin dividem as galerias para os mais pequenos, numa divisão espacial que não esquece também uma abordagem às ciências e tecnologias antigas da China.

Interior do Centro de Ciência de Macau, © Isabel Castro (Ponto Final)

Mais: Museu de Ciência de Macau (Website oficial)

Publicado por Sílvio Mendes
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No comment

«Quem é essa pessoa? Não conheço…
– Darwin foi o criador da Teoria da Evolução do Homem…
– Não sei se foi ele.. Então não foi Adão e Eva?
(…)
O macaco é o macaco, o homem é o homem. A única coisa que têm em comum é gostar de amendoins.
(…)
Isso é tudo uma grande tanga. Foi Adão e Eva, tiveram meninos e depois foram casando uns com os outros. E mais meninos, a partir daí é que surgiu a evolução do Homem. Agora, Darwin, sei lá quem é o Darwin. »

 

Publicado por Sílvio Mendes

Correcção de 2 mitos: Darwin & Mendel e Marx

Há ideias que lemos ou ouvimos e depois propagamos sem verificar a sua validade, dada a autoridade intelectual e sapiência da fonte. Porém todos somos falíveis, e mesmo um autor consagrado pode ser fonte de uma história errada, contribuindo assim para a sua difusão. Ao repetirmos a história juntamo-nos à cadeia de propagação. Se a história é interessante tenderá a propagar-se mais que a sua, mais aborrecida, correcção. Vem isto a propósito de dois mitos, ou histórias incorrectas, que eu próprio tenho repetido e que aqui tenciono corrigir procurando redimir-me.

O primeiro é o mito de que Charles Darwin tinha uma cópia do artigo de Mendel «Versuche über Pflanzenhybriden», descrevendo as suas experiências com cruzamentos de ervilhas. Na verdade, as evidências apontam para que Darwin não tinha o artigo. Não subscrevia a revista no qual o artigo foi publicado e não existe cópia do artigo no espólio de Darwin. Leu alguns livros no final da sua vida que faziam referência à obra de Mendel, mas não em grande detalhe. Mesmo que tivesse o artigo é muito possível que, à semelhança dos seus contemporâneos evolucionistas que o leram, o seu significado não fosse evidente. (ver).
O mais curioso, do ponto de vista da difusão de histórias falsas, é que por vezes, no decurso da sua transmissão, se tornam mais elaboradas: há quem tenha até escrito que Darwin tinha a revista com o artigo de Mendel com as páginas ainda por abrir (livros e revistas antigos eram impressos em folhas grandes maiores que o formato do livro, sendo assim encadernadas e vendidas tendo depois o leitor que as cortar com uma faca ou “abre-cartas”, instrumento agora anacrónico mas que seria habitual em qualquer secretária até meados do século XX). Pois, este detalhe das folhas por cortar não faz sentido, já que a revista onde o artigo de Mendel foi publicado era distribuído já com as páginas separadas.

Já Mendel leu a «Origem das Espécies», tendo nós acesso aos comentários que fez na sua cópia do livro (a marginalia), que indicam que Mendel não compreendeu o significado dos seus resultados para a evolução.

O segundo mito é que Karl Marx escreveu a Darwin pedindo-lhe para lhe dedicar o segundo volume do «Capital». Também esta história parece ser falsa. A origem do erro provém de uma carta de Darwin encontrada entre o espólio de cartas de Marx, na qual Darwin cordialmente recusa o convite confessando não entender nada sobre o assunto. Era hábito na altura que no início das cartas constava apenas “Caro Sr.”, pelo que a carta em si não indica que Darwin respondeu a Marx. O espólio de Marx passou para o cuidado da sua filha Eleanor, companheira do socialista Britânico Edward Aveling. Dois investigadores estabeleceram que fora Aveling que escrevera a Darwin pedindo para lhe dedicar o volume 2, e resposta de Darwin a Aveling ter-se-á misturado entre as cartas do Marx. Curiosamente, Stephen Jay Gould repetiu a falsa história numa das suas primeiras colunas na revista «Natural History», tendo mais tarde rectificado o seu erro. (ver)

Moral: podemos cometer o erro de espalhar inconscientemente e acriticamente uma falsa história (afinal Gould, um historiador, ensaísta e cientista de distinção, fê-lo). Mas estaremos em melhor companhia, se como Gould procurarmos verificar cada detalhe e ter a humildade de reconhecer e corrigir erros cometidos, tentando pôr fim à transmissão de falsas histórias, por muito interessantes que sejam.

 

Publicado por André Levy

Igreja vs Darwin: é possível a «convergência na busca da verdade»

«A Igreja não pode abdicar de um diálogo com a ciência e de uma possível convergência na busca da verdade»

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No sábado de Páscoa, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, deu um inesperado passo de aproximação à teoria da Evolução de Darwin. Muitas das respostas que a teologia católica lhe atribuía basearam-se numa “deficiente leitura” da Bíblia, afirmou durante a sua homilia de vigília Pascal, celebrada na Sé de Lisboa.

«Tanto os darwinistas como a maneira católica de lhes responder partiram de uma leitura do texto bíblico, não querida pelo seu autor nem legitimada pela comunidade para quem foi escrito», defendeu. O mesmo erro, assinalou, é cometido por “muitos dos actuais movimentos chamados criacionistas”.

E disse mais:

«[A Bíblia] é um texto simbólico, num género literário hoje conhecido e estudado; é uma revelação do sentido profundo da criação e da vida e não a narração do modo como as coisas aconteceram, perspectiva própria da ciência».

«[A teoria da Evolução das Espécies (que classificou como uma revolução)] gerou, em alguns, um positivismo científico, que levou ao agnosticismo e mesmo ao ateísmo, excluindo de qualquer modo a contínua intervenção de Deus nesta longa caminhada da vida».

«Apesar das dificuldades que a teoria de Darwin pôs à compreensão cristã da origem da vida e do universo, a Igreja não a pode recusar liminarmente nem pode continuar a distinguir os campos da ciência e da fé como planos que nunca se encontram».

«A perspectiva científica de Darwin levantou questões cruciais, a que a Igreja não pode ser indiferente na sua compreensão da realidade»

Seria apenas mais uma opinião, como outra, que não justificaria qualquer destaque. Mas há um número espantoso que também foi notícia (Público/ 9 de Abril): A fé católica é professada por 88,10 por cento dos portugueses, segundo o último Anuário Católico.

O discurso de D. José Policarpo é, em última análise, um contributo interessante para o despertar da curiosidade sobre a obra de Charles Darwin. E foi noticiado em tudo o que é media, como exemplificam as notícias no DN, Destak, JN, RR… e por aí fora. E para que não nos sobrem dúvidas, aqui fica o texto da homilia, na íntegra.

Publicado por Sílvio Mendes

Darwin e o seu professor vão ao teatro

oprofessordedarwin3Darwin continua em alta na Fundação Calouste Gulbenkian. Depois da inauguração da exposição “A evolução de Darwin”, a 12 de Fevereiro, perfila-se já a estreia da peça “O professor de Darwin”, peça da autoria Hélder Costa levada a cena pela Companhia de Teatro A Barraca.A peça  apresenta ao público o professor John Henslow, de importante influência na formação do jovem Charles Darwin e a tertúlia que ele organizou na Universidade de Cambridge, berço de brilhantes cientistas e filósofos ingleses e irlandeses do século XIX.

Debruça-se ainda sobre temas universais como esclavagismo, racismo e nazismo, e também aborda o debate actual entre ciência e criacionismo.

O espectáculo promete poesia, música e humor para uma comunicação mais directa e lúdica com o público. Representado por uma actriz (Susana Costa) e dois actores (Sérgio Moras e Sérgio Moura Afonso), tem a duração de 1 hora.

Os espectáculos realizam-se no Auditório 3, da Fundação Calouste Gulbenkian, às 15h, nos dias 21 de Fevereiro, 14 e 28 de Março, 4 e 18 de Abril e 9 de Maio. O bilhete custa 4 euros e inclui visita à exposição “A evolução de Darwin”

Darwin e o canto dos canários cegos

darwineopiriquitoA Barraca apresenta Darwin em dose dupla. Apresenta também, mediante marcação para escolas, a peça “Darwin e o canto dos canários cegos”, que acompanha a viagem de Darwin à roda do mundo, durante quatro anos, no navio Beagle.

«Durante este espectáculo o público vai assistir ao aventuroso e dificil percurso do extraordinário cientista inventor da teoria da evolução das espécies (…) E foi durante essa viagem que assumiu o compromisso de lutar contra a escravidão depois de ter assistido a um negro cortar a sua própria língua; tinham-no cegado para cantar melhor como faziam com os canários… Esse crime traumatizou-o para sempre, e foi com o auxilio de Emma, sua mulher e companheira de investigação que superou os medos e as hesitações de ordem religiosa que o afligiam», escreveu-se no texto promocional da peça.

Publicado por Sílvio Mendes