Tag Archives: Ano Internacional da Química 2011

Vê-se à Segunda (18): A Química está entre nós

São dois vídeos promocionais do Ano Internacional da Química 2011, apresentados em registos muito distintos mas com alguns pontos em comum: ambos elaborados com recurso a extraordinárias técnicas de animação e subjacentes à incontornável ideia de a Química estar presente em (quase?) todos os momentos do nosso quotidiano. É abrir as janelas e deixar a Química entrar.


Publicado por Sílvio Mendes
Anúncios

Literatura e Ciência (22): Gonçalo M. Tavares (d)escreve Goldstein, o cego «que trazia sempre a tabela periódica de Mendeleev» no bolso


A literatura feroz de Gonçalo M. Tavares há muito que anda a insinuar-se para fazer parte desta rubrica (se me permitem inverter a ordem e a lógica das coisas). Para sustentar essa afirmação basta lembrar a obra Breves Notas Sobre Ciência (Relógio de Água, 2006), que só pelo título já justificaria presença assídua na rubrica Literatura e Ciência. É então chegada a hora de lhe fazermos a vontade, ainda que recorrendo às páginas de outro livro.

Fomos à seiva de Matteo perdeu o emprego (Porto Editora, Outubro de 2010) e encontrámos um universo infinito de possíveis citações: Greenfield (uma personagem) que se ocupa com experiências científicas com chimpanzés, uma tabela periódica em que os elementos químicos dão lugar a nomes e abreviaturas de cidades, e uma valiosa citação de Robert Musil – «Uma ideia que se mantém mais de cinco minutos é já uma ideia fixa. Excepto na ciência.» -, logo diagnosticada pelo próprio Tavares: «não estamos preparados para saber tudo logo de início, por isso mesmo continuamos e fazemos perguntas».

Aqui, deixamos a história de Goldstein, cego, rico, que dedica os seus dias à busca de «uma das substâncias mais raras do universo»:

«Passara já dos cinquenta anos e ficara cego aos vinte e dois com um acidente. Para além de uma enorme fortuna que herdara e de em tempos ter frequentado o bordel de Einhorn – Goldstein andava à procura de Escândio, uma das substâncias mais raras do universo.
No bolso, Goldstein trazia sempre a tabela periódica de Mendeleev. Por vezes, confundindo-se com um turista que desenrolasse o mapa da cidade, Goldstein tirava do bolso um papel grosso e desdobrava-o várias vezes revelando a famosa tabela periódica dos elementos químicos. Tabela que Goldstein, sendo cego, não poderia ver, mas que com os seus olhos vazios fixava quase demencialmente – como alguém que, perdido há muitas horas, fixa de novo, esperançado, a bússola e o mapa.

Goldstein repetia vezes sem conta a história de que no funeral de Mendeleev, em São Petersburgo, dois homens levavam à frente do seu caixão, como se fosse a bandeira de um país ou de um partido, a tabela periódica dos elementos que ele inventara.

A ambição de Goldstein não era a de acrescentar um elemento a essa tabela, mas apenas a de encontrar, concentrados, milhares de gramas de Escândio. (Ele próprio não o procurava. Como era milionário, comprava Escândio. Parecia querer compensar a sua cegueira com a aquisição desta substância minúscula e muito rara.)

Nos seus devaneios, Goldstein pensava no interior do próprio caixão: o corpo rodeado de milhares de gramas de Escândio, essa substância rara. A utopia de Goldstein: que no seu caixão pudesse ir tanta quantidade de Escândio como a que existia no resto do mundo.»

Gonçalo M. Tavares, “Matteo perdeu o emprego” (Porto Editora, Outubro de 2010), pp. 65-66

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (19): O mundo é químico no baú sonoro dos Blur

O primeiro Sons da Ciência do ano faz-nos viajar até 1993 para recordarmos o tema Chemichal World, da autoria dos britânicos Blur, editado no álbum Modern Life is Rubbish. Fica dado também o sinal de partida para as comemorações do Ano Internacional da Química 2011, com música.

« The pay-me girl has had enough of the bleeps
So she takes the bus into the country
Although she got herself rosy cheeks
She didn’t leave enough money to pay the rent
The landlord says that she’s out in a week
What a shame she was just getting comfy
Now she’s eating chocolate to induce sleep
In a chemical world, It’s very, very, very cheap

And I don’t know about you
But they’re putting the holes in, yes, yes
It’s been a hell of a do
They’ve been putting the holes in, yes, yes

Peeping Thomas has a very nice view
Across the street at the exhibitionist
These townies they never speak to you
Just stick together so they never get lonely
Feeling lead, feeling quite light-headed
Had to sit down and have some sugary tea
In chemical world, in a chemical world
It’s very, very, very cheap
(…)»

Publicado por Sílvio Mendes