Nova espécie de coruja

A coruja Rinjani (Otus jolandae). Credit: Philippe Verbelen

A coruja Rinjani (Otus jolandae). Credit: Philippe Verbelen

A identificação de aves, em particular corujas, tradicionalmente baseava-se na plumagem e morfologia. Em 1978, o ornitólogo Joe T. Marshall constatou que devido à variabilidade geográfica nas cores e padrões de plumagem vários erros de classificação eram cometidos.

Marshall foi enviado pelo Smithsonian à Tailândia no final dos 1970’s para acertar a taxonomia das corujas endémicas em várias das suas ilhas, e propôs que as vocalizações fossem usadas como carácter taxonómico de maior confiança, em particular no género Otus.

Foi com base nesta característica que George Sangter e Ben Kim identificaram uma nova espécie de coruja na ilha de Lombok, ilha da província de Nusa Tenggara Ocidental da Indonésia, afastada por apenas 15 km da ilha de Sumbawa, a que deram o nome comum em referência ao segundo maior vulcão  da Indonésia (o Gunung Rinjani) e um epíteto específico com uma derivação do nome da esposa de Sangster: a coruja Rinjani (Otus jolandae).

Sonograma das várias espécies de Otus na região.

Sonograma das várias espécies de Otus na região.

Em 2003, Sangster e King, independentemente, viajaram a Lombok para estudar as vocalizações de uma população local de um noitibó e determinar se esta era Caprimulgus macrurus ou uma nova espécie (resultou ser efectivamente C. macrurus). Mas durante este estudo registaram novas vocalizações de uma coruja local. Usaram gravações da vocalização para atraírem indivíduos, e concluíram que eram distintas das corujas de Bali e Java.

A coruja de Lombok é tão parecida com a coruja das Molucas (Otus magicus), comum em várias ilhas da Indonésia, que nunca ninguém havia confirmado a sua classificação com base em vocalizações ou DNA. Também Sangster e King duvidaram que haviam feito uma descoberta, e nos últimos dez anos acumularam evidências: confirmaram que ninguém havia anteriormente reportado as diferenças, recolheram mais gravações em diferentes partes da ilha, procuram a coruja noutras ilhas, comparam a coruja com outros espécimenes em museus, e finalmente fizeram uma análise de DNA. Todas as evidências confirmavam que haviam descoberto uma nova espécie.

Diz Sangster: “Embora nos tenha levado quase 10 anos para descrever esta nova coruja, isto não é excepcional. Claro que todas as espécies fáceis de descrever já o foram a muito tempo, de forma que aquelas aves ainda por descobrir não revelam a sua verdadeira identidade facilmente.

Mapa da Wallacea, o grupo de ilhas Indonésias separadas por águas profundas da Austrália e Ásia continental, com as distribuições das espécies e subespécies de coruja.

Mapa da Wallacea, o grupo de ilhas Indonésias separadas por águas profundas da Austrália e Ásia continental, com as distribuições das espécies e subespécies de coruja.

Artigo Original: Sangster et al. 2013. A New Owl Species of the Genus Otus (Aves: Strigidae) from Lombok, Indonesia. PLOS ONE 10.1371/journal.pone.0053712
Fonte de informação adicional: Scientific American
[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]
Publicado por André Levy

One response to “Nova espécie de coruja

  1. Pingback: 29 novas espécies de Aves (2013) Parte I | Blogue VAC

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s