Tag Archives: Ano Internacional da Astronomia

Mais uma para o caminho

Parece que o Ano Internacional da Astronomia chegou ao fim, no dobrar do ano. Mas acreditamos que os doze meses de actividade tenham contribuído para despertar ainda mais o interesse pela ciência junto do público.
Para festejar essa crença com pompa e circunstância e abrir finalmente as hostilidades blogueiras no novo ano, aqui fica a sensorial Space Oddity, de David Bowie. Tem um contexto: roda com insistência por estes lados.

«Ground control to major Tom
Ground control to major Tom
Take your protein pills and put your helmet on
(Ten) Ground control (Nine) to major Tom (Eight)
(Seven, six) Commencing countdown (Five), engines on (Four)
(Three, two) Check ignition (One) and may gods (Blastoff) love be with you

This is ground control to major Tom, you’ve really made the grade
And the papers want to know whose shirts you wear
Now it’s time to leave the capsule if you dare»

Publicado por Sílvio Mendes

con(s)ciência: Ir à Atalaia admirar os Astros

Desde 2000 que um grupo de pessoas se desloca a um terreno agrícola na Atalaia, no concelho de Alcochete. Lá admiram o céu, partilham telescópios, discutem e fazem ciência. Este é o principal grupo amador de observação astronómica, já na terceira geração de observadores. Com a sua curiosidade, todas as pessoas são benvindas no próximo sábado, dia 19. Depois de um ano intenso de promoção da astronomia, quem quiser pode aqui continuar a descobrir o céu.


O Grupo da Atalaia não existe formalmente. É um conjunto de amigos que se juntam pela sua paixão aos astros. Reúnem-se todos os sábados a seguir à lua nova e também noutras ocasiões especiais. Dirigem-se a um campo agrícola, gentilmente cedido para as observações. Em média, “entre 20 e 60 pessoas compõe o grupo”, diz-nos José Ribeiro, um dos membros fundadores do grupo da Atalaia. Desde 2000 que se reunem e já estão na terceira geração de observadores. Observam em grupo porque é mais seguro e, claro, mais enriquecedor. Juntam indivíduos com diferentes experiências, que admiram o céu a olho nu, com binócolos e telescópios. Do Grupo da Atalaia saem descobertas que enriquecem a nossa cultura científica.

Dois planetas extra-solares, o XO-4a e XO-4b, foram descobertos por uma equipa que incluí João Gregório. Inovadoras colaborações têm envolvido a Astronomia Profissional com a Astronomia Amadora de quem vai à Atalaia. Actualmente, assim acontece com o projecto com a estrela Wolf Rayet 140, que envolve Alberto Fernando, Filipe Alves, Luís Carreira e José Ribeiro.

O Ano Internacional da Astronomia marcou este ano de 2009. Muitas e incriveís iniciativas vieram dar um outro alcance aos astros. Alguns pensam que a astronomia é “coisa de lunático”, como o põe José. Mas muitas organizações energizaram a compreensão dos astros do nosso céu ultimamente. Como as escolas, professores e alunos que quiseram aprender mais. Muitos aceitaram os desafio e participaram no Ano Internacional da Astronomia.

Foto de ecrã do planetário stellarium, software livre


Observar astros no futuro e no passado

Será que ficam para o futuro estas paixões públicas pelos Astros? Uma política da magnitude da deste ano em 2010 parece improvável. Uma reunião recente em Coimbra mostrou-se “muito inconclusiva”, diz-nos José Ribeiro. Mas, com certeza, sempre podem ir admirar os astros à Atalaia em dias futuros.

Há 400 anos atrás, no início do século XVII, o Mundo sobre-lunar era perfeito. Com os olhos no céu, todos os astros eram uniformes e seguiam uma trajectória cíclica. A herança de Platão dizia-nos que a Terra do Homem estava estática no Centro do Universo. O telescópio de Galileo Galilei começava a contar outras estórias, de excepção, de erro que não cabiam nesta concepção de um Universo adormecido. Como se comportariam as nossas mentes curiosas se de repente, num momento, fôssemos parte da Terceira Dinastia do Império Português?

Há 400 anos atrás, seria uma outra pessoa com uma outra cultura. Como seria viver com esta curiosidade infinita e conciliar o medo da inquisição? “Possivelmente seria um médico astrólogo e astrónomo”, diz José. “Mas provavelmente acabaria na fogueira”, completa, rindo-se. A curiosidade de saber mais matava. Agora é o que marca este grupo de observadores de astros. A curiosidade e a humildade de quem não receia fazer perguntas.

Publicado por João Cão

«Falta uma estrutura forte que nos permita liderar projectos europeus»

painel4

Conferência Parlamentar Sobre Ciência: 4º PAINEL – A Ciência em Portugal: A dimensão internacional

O quarto e último painel da Conferência Parlamentar Sobre Ciência contou com o contributo de Rui Reis (Director do Grupo 3B’s da Universidade do Minho), Pedro Russo (Responsável da UNESCO pelo Ano Internacional da Astronomia) e Ricardo Serrão Santos (Director do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores). Depois dos painéis, foi a vez dos deputados Bravo Nico e António José Seguro concluírem a Conferência.

«O que nos falta ainda é a capacidade de liderar projectos, em vez de só participar. É preciso trazer as coisas para cá
e exportar o que fazemos». A receita é de Rui Reis, director do Grupo 3B’s da Universidade do Minho, com laboratório nas Caldas das Taipas. «O governo português põe mais dinheiro nos programas europeus do que é capaz de ir buscar, porque não temos grupos competitivos que o possam trazer», complementa.
Rui Reis chamou ainda a atenção para a necessidade de se clarificar a legislação sobre células estaminais. «Que seja claro o que se pode ou não fazer com células estaminais embrionárias», advogou.

Depois de Pedro Russo apresentar algumas das actividades do Ano Internacional da Astronomia e de expor a “época de ouro” vivida pela astronomia (em pouco mais de uma década passamos de oito para mais de três centenas de planetas conhecidos), foi a vez de Ricardo Serrão Santos apresentar o seu trabalho. «Neste momento Portugal faz parte do clube com capacidade de investigação em oceano profundo», realçou. Contudo, «falta uma estrutura forte que permita observar o impacto das políticas administrativas e financeiras que permita liderar projectos europeus», lamenta.

A concluir a sessão, o deputado Bravo Nico, deputado relator para a Ciência, reconheceu ser absolutamente necessário pensar-se na «possibilidade de criar uma carreira profissional de gestores de ciência», ter consciência que há uma «volatilidade laboral dos bolseiros no início de carreira» e achar que ninguém hoje tem «conhecimento total do que é o mapa da rede científica em Portugal». «Se há sector que pode dar um impulso grande para o país, é este. Se nós falharmos, o país falhará», vaticinou.

António José Seguro, Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, defendeu também que «a ciência é uma prioridade para a Comissão e deve ocupar um lugar cada vez mais importante no trabalho parlamentar». «Ainda trabalhamos em condomínios semi-fechados em áreas que deviam trabalhar em rede», apontou, antes de terminar o seu discurso com uma garantia: «não queremos fazer um relatório burocrático, mas que o mesmo seja um contributo vital para todos os que fazem ciência e se preocupam com a ciência em Portugal».

Publicado por Sílvio Mendes