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A República e a Ciência segundo João Caraça

O portal Ciência Hoje recupera um texto de João Caraça (publicado há precisamente um ano), no qual o director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian analisa a evolução da Ciência em Portugal, em paralelo com a experiência Republicana e os seus novos paradigmas.

Um texto para reflexão em vésperas do dia de celebração:

A Ciência na República

(clicar no título para abrir)

Publicado por Sílvio Mendes
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Chamem o 117: Há um novo elemento químico na tabela periódica


Já vem um bocadinho atrasada a informação aqui no blogue, mas não a queremos deixar passar em claro:

«Investigadores russos e norte-americanos desenvolveram um novo elemento químico – o 117 –, que permitirá uma série de novas descobertas. A representação da novidade no quadro de Mendeleïev (tabela periódica) vem ocupar o espaço em branco na sétima fila, junto dos elementos ‘pesados’, aqueles com massa atómica elevada.»

Podem continuar a ler o artigo no Ciência Hoje ou passar directamente para o artigo original que relata a descoberta, intitulado Synthesis of a New Element with Atomic Number Z = 117.

Publicado por Sílvio Mendes

Ir. E voltar?

fuga

© Javier Hammad

No website do Ciência Hoje está congelado (com comentários “úteis” publicados entre 2005 e 2007) um Fórum de discussão acerca do estado da ciência em Portugal. Chamo particular atenção para a intensa troca de opinião sobre a ‘fuga de cérebros’.

Não se pode dizer que o registo de ideias seja tão incontornável como acontece nos romances de Eça de Queiroz – «Pois eu, assim que possa, é direitinho para Paris! Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro…» – mas a verdade é que esse conjunto de comentários e queixas teima em não caducar e parece caminhar também a passos largos para se juntar a Os Maias como documento intemporal.
A confirmar essa ideia continua este texto (“Cientistas em Saldos”) publicado por David Marçal, em Outubro passado, no Público.

Aqui ficam algumas das ideias e desabafos semeados no referido Fórum:

«Cara Ana, não volte! Não destrua a sua vida. Volte e Portugal de férias, ou em trabalho temporário, ou em sabática, ou para vir a casamentos, mas jamais para fazer ciência. Fuja!»

«Acabei de receber este link por email de uma amiga em Portugal e estou aqui como uma esponja a tentar reter tanta informação nova sobre o presente panorama da ciência em Portugal de onde saí há quase 20 anos. Fui fazer o meu PhD no estrangeiro e não voltei. Para grande aborrecimento das instituições financiadoras de bolsas em Portugal, grande parte dos portugueses que saem, nunca mais voltam.»

«Não acho que haja razão para não explorar a possibilidade de fazer ciência em Portugal. O camhino também se faz caminhando.»

«Eu estou a acabar um doutoramento misto entre Portugal e França (Grenoble). No entanto logo que acabe não conto procurar continuar a minha carreira em Portugal. Os últimos anos tem sido dificeis e não se espera melhores ventos para breve. Em Portugal um jovem cientista não é valorizado e tem condições de trabalho fracas para as qualificações que tem e para o que se deveria esperar que contribuisse.»

Para ler respostas, contra-respostas, a endogamia e outros temas, o caminho faz-se por aqui.

Publicado por Sílvio Mendes

Regresso dos cérebros?

F001/2908Para além de destacar a visita do FC Porto ao terreno do Manchester United nos quartos de final da Liga dos Campeões (?), o portal Ciência Hoje avança com duas notícias que dão conta do regresso de dois investigadores portugueses de renome a laboratórios nacionais. A reflexão sobre a “fuga de cérebros” já tem sido feita neste blogue, nomeadamente através de um interessante texto assinado por David Marçal, e importa perceber o real significado destas notícias.

A primeira, dá-nos conta do regresso de Rui Costa, que chefia um grupo de investigação sobre neurobiologia da acção nos Institutos Nacionais de Saúde (INH) dos Estados Unidos da América. A partir de Abril, regressa a Portugal para integrar o projecto de Neurociências da Fundação Champalimaud. «Rui Costa vai trazer a maioria da sua equipa de investigação para Portugal, que funcionará no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, enquanto o edifício da Fundação Champalimaud não estiver concluído, mas continuará a chefiar o seu laboratório de Neurobiologia da Acção dos NIH», noticia o Ciência Hoje.

A segunda notícia, apresenta o percurso de outro investigador que regressou a Portugal. Chama-se João Relvas, é neurocientista, e lidera actualmente um grupo de Investigação no Instituto de Biologia Molecular e Celular, no Porto (IBMC), depois de uma longa permanência no estrangeiro. “Agora há mais ilhas, que começam a ter condições melhores e massa crítica, mas estamos ainda numa fase embrionária que só vai dar frutos daqui a alguns anos”, declarou. “Lamenta, todavia, a falta de apoio aos investigadores séniores que querem regressar a Portugal”, acrescenta o portal.

O aviso também já havia sido deixado pela bióloga Cecília Arraiano, quando foi alvo de distinção pela EMBO: «Em Portugal têm sido muito poucos os que me têm apoiado», reclamava.

O mais curioso é que as duas notícias surgem “coladas” na página do Ciência Hoje, o que pode transmitir uma ideia (falsa) de inversão do fenómeno. Estarão realmente reunidas as melhores condições para o regresso dos cientistas portugueses aos nossos laboratórios? E os mais novos, precisam de décadas de investigação no estrangeiro para serem reconhecidos dentro de portas?

Publicado por Sílvio Mendes