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Boas notícias: Novo magazine de informação sobre ciência e tecnologia estreia hoje na RTP2


Em Janeiro de 2009, dávamos conta, neste blogue, do fim do Magazine 2010 (após 12 anos de emissão). Notícia que, pelas palavras do próprio jornalista Vasco Trigo (Prémio Seeds of Science 2010 – Comunicação), deixava aberta uma janela de continuidade: «Um programa de Ciência e Tecnologia é fundamental no Serviço Público. A RTP sabe isso e portanto estou já a preparar um novo projecto nessa área», dizia-nos. E eis o resultado:

A 20 de Outubro de 2010, hoje, estreia (às 19h20, na RTP2) o Programa Com Ciência, magazine de informação sobre ciência, tecnologia e inovação, coordenado e apresentado por Vasco Trigo, e que certamente retomará o trilho informativo desbravado pelo 2010 (primeiramente denominado de “2001”).

A página dedicada ao programa, no website da RTP, não tem ainda muita informação, mas para ir sabendo mais novidades sobre o programa nada como estar atento ao Blogue Com Ciência, à página facebook do programa e ao twitter do próprio Vasco Trigo.

Publicado por Sílvio Mendes

Ciência e Media em discussão no Porto

The Wonder Book of Science, 1922, © Nature Publishing group, Galbraith O'LearyNa tarde do dia 26 de Março esteve em discussão aberta o tema Ciência e Media, no auditório da Biblioteca Almeida Garret, integrada no Encontro “Science: What else?”. O painel foi moderado pelo Professor Manuel Sobrinho Simões (FMUP, IPATIMUP) e contou com a presença dos jornalistas de ciência Vasco Trigo (RTP), Andrea Cunha Freitas (Público e Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente), Virgílio de Azevedo (Expresso) e Helena Mendonça (Diário de Notícias).

As comunicações e debate reflectiram as diferentes tensões entre quem faz ciência e quem a reporta, a evolução desta relação e os desafios que se colocam. Como dizia Vasco Trigo, “o cientista está ligado ao conteúdo e o jornalista à forma”. Ao ir ao encontro de um cientista, o jornalista tem que decifrar a informação em função do interesse público e do tempo ou espaço disponível. Contudo, “há um grande esforço do cientista em ir ao encontro da notícia”, afirma Helena Mendonça. A revelação vem pelos resultados da sua tese de mestrado, publicada em 2006, que analisa o processo entre a interacção jornalista-cientista até à notícia escrita. Para os cientistas, “o desejo de aproximação aos media é tal que tendem mesmo a tolerar certas abordagens sensacionalistas e determinados lapsos encontrados nas notícias“. Mas, no fim, ambas as partes “mostram satisfação com os resultados”. Afinal, “cientistas e media sustentam-se em valores idênticos – como a objectividade, a verdade e a autonomia”.

Apesar da aproximação entre os dois campos, Vasco Trigo alerta: “a ciência está a desaparecer da comunicação de prime-time” na TV. E, simultaneamente, temos a “tabloidização dos jornais portugueses”, afirma Sobrinho Simões. A função pública dos media generalistas como educadores está a desaparecer. Quando temas complexos como o Aquecimento global e a Energia Nuclear são abordados, são comuns os argumentos afectivos e convicções dominantes. “É necessário que a ciência invada o ambiente”, defende Virgílio Azevedo. Mas, com a dimensão impressionante de informação científica, serão as redacções capazes de enfrentar o desafio?

“A comunicação científica precisa de ser exemplar!”, sublinha Sobrinho Simões. Poderão os mediadores entre os cientistas e os jornalistas ser uma peça importante deste puzzle? Assessores de imprensa, comunicadores e outros têm “um percurso profissional normalmente diferente dos jornalistas”, diz Virgílio Azevedo. Andrea Cunha Freitas realça que cada um tem os seus interesses mas sublinha a importância dos assessores como ferramenta de trabalho. Vasco Trigo não recomenda o uso de gabinetes externos de comunicação, tal como já tinha advertido recentemente na Conferência Parlamentar sobre Ciência.

De qualquer forma, todas as redacções reconhecem a importância das suas redes de contactos, especialistas crediveís que confirmam factos e agem como fontes exclusivas. Uma evolução que é capaz de perturbar este equilíbrio é o openspace científico, com os “jornais sem revisão de pares que começam a aparecer”. “É apetecível ter veículos rápidos”, reflecte Sobrinho Simões. Contudo, é opinião unânime o perigo em termos de credibilidade que se coloca caso o “mercado do conhecimento” evolua neste sentido…

O futuro passa pelo desenvolvimento de parcerias, que envolvam indivíduos e instituições. Relações honestas de confiança entre diferentes actores em rede. Antigamente, conforme explica Helena Mendonça, o jornalista ia sempre para a rua, directo para os cidadãos. Hoje procura cada vez mais perceber os fenómenos junto de analistas e cientistas. O sentido natural da evolução, qualquer que seja o rumo, será usar a ciência para interpretar a realidade. “O meu sonho”, finaliza Sobrinho Simões, “é que um dia todos sejam capazes de ler um horário de autocarros”.

Publicado por João Cão

«As pessoas têm tudo a ganhar se a ciência estiver no processo de decisão política»

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Conferência Parlamentar Sobre Ciência: 2º PAINEL – A Ciência em Portugal: Da produção à Divulgação

O 2º Painel da Conferência Parlamentar Sobre Ciência, reuniu, no dia 3, Luís Portela (Presidente da BIAL), António Coutinho (Director do Instituto Gulbenkian da Ciência) e Vasco Trigo (jornalista da RTP).

«Sem uma raiz profunda na sociedade real, qualquer acção é inútil». António Coutinho, director do IGC (Oeiras), defendeu o uso de princípios de evolução biológica numa instituição e aproveitou a sua intervenção para deixar bem claro qual o caminho que acha correcto para a evolução da ciência em Portugal. Um: «90% do investimento europeu é feito dentro do próprio país. Enquanto o dinheiro não for distribuído a nível europeu, não saímos da cepa torta». Dois: «A divulgação científica tem que ser feita a partir da escola. Precisamos de melhores programas de educação de ciência». Três: «Instituições demasiado grandes perdem densidade interactiva. Não percebo como é que em Portugal há tendência para a fusão de instituições. São as mais ineficientes». Quatro: «Há uma incompatibilidade definitiva e irreversível entre uma instituição lucrativa e o espírito académico».

O director da primeira instituição portuguesa a profissionalizar a investigação científica a tempo inteiro e criar um gabinete de comunicação de ciência, demonstrou ainda a sua incompreensão pelo facto da área da investigação em saúde receber apenas 10% do orçamento distribuído pela FCT. «O sistema de distribuição por áreas não é revisto há mais de vinte anos», aponta.

Vasco Trigo, jornalista responsável pelo recentemente extinto “2010”, defende que «as pessoas têm tudo a ganhar se a ciência estiver no processo de decisão política». Por isso mesmo seguiu o caminho do jornalismo de ciência, para «ajudar a elevar o nível da cultura científica das pessoas e elevar o nível de cidadania». «Quando um cidadão que vê as verbas para a ciência não percebe para que servem, todo o processo se torna mais difícil», aprofunda.

Considera que a divulgação científica é fundamental na actividade dos cientistas mas não recomenda que os mesmos recorram a gabinetes externos de comunicação. É também defensor do jornalismo especializado e deixa um alerta a todos os comunicadores: «Temos que tornar interessante aquilo que é importante, e não o contrário».

O presidente da BIAL, Luis Portela, considera que a situação orçamental da saúde na Europa é complicada. Situação que se complica mais em Portugal por apresentar um fraco investimento de empresas privadas. «Tradicionalmente, na Europa, cerca de dois terços do investimentos em ciência faz-se por empresas privadas, em Portugal ainda estamos longe desse número», explica.
Ainda assim, Portela considera que Portugal tem condições para apostar forte na saúde  e ter bons resultados. «Podemos cruzar interesses e oferecer ao país alguma riqueza durante os próximos anos», afirma. E garante estar a fazer por isso. A BIAL tem em desenvolvimento seis medicamentos que podem vir a ser os primeiros de raiz portuguesa a serem comercializados no mercado mundial.

Publicado por Sílvio Mendes