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Literatura e Ciência (31): Manuel Rivas e o Astronauta que alcatroou uma estrada galega

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O escritor e jornalista galego Manuel Rivas publica, no livro “As vocês baixas” (2012), um magnífico conjunto de histórias que atravessa as suas memórias de infância. Uma delas, cruza a chegada do homem à lua com o ‘astronauta’ que alcatroou um caminho na aldeia de Elviña. Aqui fica essa narrativa:

«O camiño a Elviña era de terra, polo menos até que o home chegou á Lúa, pois xusto foi asfaltado en vésperas da aterraxe do Apolo 11 no verán de 1969. Falábase moito de astronautas e o operario da pistola de alcatrán, que se desprezaba por Castro com pasos foltantes sobre a grava cun escafandro branco, tiña un aire de misión espacial da NASA. Até que quitou o casco do escafandro. Ía moita calor, multiplicada pola exhalación do chapapote. Tiña na cara o brillo xelationoso dunha medusa. Alguén correu a ofrecerlle un xerro com auga. Tardou en falar, co respirar arfante e as palabras derretidas nos beizos. O noso astronauta explicou, por fin, que o enviaba a Deputación. E que o traballo, para o que era, non estaba bem pago.»

Publicado por Sílvio Mendes

 

Cinema e Ciência na Corunha (2): A ciência da poesia

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Rosalía de Castro, grande poeta galega do séc. XIX

«A universalidade é um local sem paredes». Isso: Miguel Torga, bem português, também foi mencionado na noite de terça-feira, que a II Edição da Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha dedicou à poesia. Intercalada por uma onírica actuação musical de Gaudi Galego, Guilhermo Fernández e Xabier Díaz – na retina fica o ajustadíssimo refrão de uma das canções: «Eu, astronauta lírico em terra/ indo ao teu lado, leve, pensativo» -, o recital “Poesia + Ciencia” fez a justa ponte de beleza entre as duas “artes”.

Os nomes, dos autores dos textos, não consegui fixar, nem estou certo que as frases, a métrica e lágrima tenham sido mesmo as que aqui apresento, mas aqui ficam misturadas pela universalidade e o anonimato. Porque «a arte, a filosofia e a ciência são cordas da mesma harpa». E, se a poesia é «o maior milagre do mundo», também Einstein terá tido como maior pretensão «cavar uma teoria elegante».  «Não somos mais que uma gota de luz», alguém recita. E aí vem a montanha russa da História, pela mão de Sófocles: «No Universo há muitas coisas estranhas, mas a mais estranha é o ser humano».

No palco do belo Teatro Rosalía de Castro estiveram os poetas galegos Marica Campo, Emma Couceiro, Estibaliz Espinosa, Alfredo Ferreiro, Manuel Rivas e Xavier Seoane. Lucía Aldao apresentou a sessão.

Mais: Mostra de Cinema e Ciencia 2009

Publicado por Sílvio Mendes