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Trilhos de ciência para seguir no doclisboa 2010

 

"Photomaton - Retratos de João dos Santos", filme de Tiago Pereira e Sofia Ponte (2010)’

 

Começa hoje a VIII edição do doclisboa, Festival Internacional de Cinema. A extensa programação enche as salas de cinema lisboetas até 24 de Outubro, e conta com quase duas centenas de documentários (40 dos quais portugueses).

O que aqui propomos é traçar um percurso de filmes que se inserem no universo da ciência, quase que inventando uma nova secção dentro das secções do festival. Discutível, experimental e longe de ser definitivo, aqui fica um trilho (entre muitos possíveis) deste inventado ‘doclisboa-ciência’. Fica à espera do vosso complemento.

Les signes vitaux

Sophie Deraspe, Canadá, 2009, 87’
Uma jovem canadiana procura perceber de que é que as pessoas realmente necessitam nos últimos momentos de vida. O filme entrecruza a ficção e o documentário para colocar questões sobre a percepção da vida e da morte.
16 OUT. 15:30 – CULTURGEST – Pequeno Auditório
18 OUT. 18:15 – Cinema CITY CLASSIC ALVALADE – Sala 3

Where is Where?

Eija-Liisa Ahtila, Finlândia, 2009, 56’
O filme de Eija-Liisa Ahtila reflecte de forma complexa o modo como a História afecta a nossa percepção da realidade, tendo por fundo um acontecimento verídico ocorrido há cinquenta anos durante a guerra na Argélia, num mosaico de imagens unificado pelo olhar de uma personagem.

19 OUT. 23:00 – CULTURGEST – Grande Auditório
21 OUT. 17:30 – Cinema CITY CLASSIC ALVALADE – Sala 1

Japanese Village Furuyashiki-mura

Ogawa Shinsuke, Japão, 1982, 210’
O filme de Ogawa é uma das duas obras-primas do seu colectivo filmadas ao longo de mais de dez anos na zona de Yamagata no Japão. Uma investigação minuciosa e científica dos processos de produção do arroz, que conduz a uma segunda parte apaixonante em que o filme dá a palavra aos poucos habitantes do pequeno lugar de Furuyashiki.
24 OUT. 15:30 – CULTURGEST – Pequeno Auditório

Quem Mora na Minha Cabeça

Miguel Seabra Lopes, Portugal, 2010, 55’
Treze idosos com doenças cognitivas frequentam o Hospital Psicogeriátrico de Dia do antigo hospital Júlio de Matos. Nas consultas, o psiquiatra avalia e faz o diagnóstico de cada paciente. O tratamento é baseado em práticas psicoterapêuticas que permitem intervenção na personalidade, desenvolvendo as capacidades preservadas, estimulando a autonomia e reabilitando a identidade.
16 OUT. 18:00 – Cinema LONDRES – Sala 1

Trop Tôt, Trop Tard

Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, França, Egipto, 1982, 100’
Um filme fundamental sobre a História e sobre as condições da revolução – filmado em França e no Egipto, o filme é um díptico que procura captar o vento das revoluções passadas dos camponeses, através dos escritos de Engels e Mahmoud Hussein.
23 OUT. 22:45 – CULTURGEST – Pequeno Auditório

Photomaton – Retratos de João dos Santos

Tiago Pereira e Sofia Ponte, Portugal, 2010, 58’
O filme documenta aspectos da vida de João dos Santos (1913-1987) que contribuem para uma reflexão sobre a contemporaneidade do seu pensamento. Médico, psiquiatra de formação, foi pioneiro na organização da saúde mental infantil em Portugal. A sua vasta cultura e activa intervenção cívica polarizaram à sua volta um vasto conjunto de discípulos e intelectuais de várias formações.
19 OUT. 18:00 – Cinema LONDRES – Sala 1

Publicado por Sílvio Mendes
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A matemática de Alice (no País das Maravilhas)

Estreia amanhã (4 de Março) nos cinemas portugueses a aguardada versão cinematográfica de Alice no País das Maravilhas, segundo a lente de Tim Burton.

Não é garantido que a questão tenha a mesma expressão na tela, mas a estreia volta a colocar Alice no centro do mundo e, aqui entre nós, a curiosidade científica que envolve a obra de Lewis Carroll (pseudónimo do matemático britânico Charles Lutwidge Dodgson) também volta à baila. Jogos de cartas, enigmas, problemas de lógica formam um dos grandes motores da força das personagens do livro. E tal dificilmente será por acaso, não derivassem as palavras da caneta de um matemático.

O divulgador de ciência português, Nuno Crato, assina semanalmente uma coluna de opinião no Semanário Expresso e dedicou as últimas três aos mistérios científicos de Alice no País das Maravilhas. Contemos com ele.

Um (17 de Fevereiro): «Os trocadilhos e as pequenas brincadeiras revelam uma preocupação com o significado das palavras e expressões e a construção de contradições derivadas de ambiguidades. É um uso da lógica e da matemática que ainda hoje surpreende os leitores»

Dois (24 de Fevereiro): « Os dois livros de Alice revelam o humor de um matemático que brinca com a lógica e faz alusões veladas a temas científicos. A maioria das vezes, as alusões são indirectas, e muito se tem discutido sobre algumas passagens. Logo no capítulo 2, por exemplo, Alice parece enganar-se nas contas: “quatro vezes cinco é doze, e quatro vezes seis é treze, e quatro vezes sete – oh! Assim nunca mais chego a vinte!»

Três (3 de Março): «Mais à frente, no capítulo 4, aparece um gigantesco corvo que escurece subitamente a cena e interrompe a luta entre os dois caricatos irmãos. O episódio parece ter sido inspirado numa história verídica de uma batalha do século VI a. C. O biólogo e evolucionista britânico J. B. S. Haldane, nascido em Oxford em 1892, quando o autor de Alice ainda aí residia e trabalhava, não tem dúvidas. No seu livro de ensaios “Possible Words” (1927, p. 8), diz que “A verdadeira história é a seguinte: Aliates, rei da Lídia, estava há cinco anos em guerra com Ciaxares, rei dos Medos. No seu sexto ano, em 28 de Maio de 585 a. C., como se sabe, a batalha foi interrompida por um eclipse total do Sol. Os reis pararam a batalha”. Nas palavras do historiador grego Heródoto, “ficaram mais que ansiosos por estabelecer a paz” (“Histórias”, 1.73-4)»

E já que veio até aqui, por que não assistir ao trailer do referido filme?

Publicado por Sílvio Mendes