Ainda o fumo em torno de Alice no País das Maravilhas, hoje em estreia no grande ecrã numa versão assinada por Tim Burton.
Ontem falámos na Matemática, hoje viramos as agulhas para outros lados. Primeiro, um texto publicado por Luís Azevedo Silva Rodrigues, no blogue Ciência ao Natural, faz o paralelismo entre o Chapeleiro Louco e o canto das aves. Que têm em comum? A resposta está no Mercúrio.
«– Naquela direcção – disse o Gato, levantando a pata direita – vive um Chapeleiro, e naquela, agitando a outra pata, mora uma Lebre de Março. Visita o que quiseres, ambos são loucos. – Mas eu não quero estar ao pé de gente louca – respondeu Alice. – Oh, não podes evitá-lo – disse o Gato. – Aqui todos são loucos. Eu sou louco. Tu és louca.»
O segundo apontamento vai para Câmara Clara, programa da RTP2 conduzido por Paula Moura Pinheiro, que no próximo domingo (7 de Março) parte do universo de Alice no País das Maravilhas e «de muitas outras invenções» para debater a relação entre cérebro, emoções e arte. Afonso Cruz e Mário Simões são os convidados da noite.
E já que tanto falamos em Alice, aqui fica a versão que preenche o meu imaginário (antes que Burton o reconfigure).
Estreia amanhã (4 de Março) nos cinemas portugueses a aguardada versão cinematográfica de Alice no País das Maravilhas, segundo a lente de Tim Burton.
Não é garantido que a questão tenha a mesma expressão na tela, mas a estreia volta a colocar Alice no centro do mundo e, aqui entre nós, a curiosidade científica que envolve a obra de Lewis Carroll (pseudónimo do matemático britânico Charles Lutwidge Dodgson) também volta à baila. Jogos de cartas, enigmas, problemas de lógica formam um dos grandes motores da força das personagens do livro. E tal dificilmente será por acaso, não derivassem as palavras da caneta de um matemático.
O divulgador de ciência português, Nuno Crato, assina semanalmente uma coluna de opinião no Semanário Expresso e dedicou as últimas três aos mistérios científicos de Alice no País das Maravilhas. Contemos com ele.
Um(17 de Fevereiro): «Os trocadilhos e as pequenas brincadeiras revelam uma preocupação com o significado das palavras e expressões e a construção de contradições derivadas de ambiguidades. É um uso da lógica e da matemática que ainda hoje surpreende os leitores»
Dois(24 de Fevereiro): « Os dois livros de Alice revelam o humor de um matemático que brinca com a lógica e faz alusões veladas a temas científicos. A maioria das vezes, as alusões são indirectas, e muito se tem discutido sobre algumas passagens. Logo no capítulo 2, por exemplo, Alice parece enganar-se nas contas: “quatro vezes cinco é doze, e quatro vezes seis é treze, e quatro vezes sete – oh! Assim nunca mais chego a vinte!»
Três(3 de Março): «Mais à frente, no capítulo 4, aparece um gigantesco corvo que escurece subitamente a cena e interrompe a luta entre os dois caricatos irmãos. O episódio parece ter sido inspirado numa história verídica de uma batalha do século VI a. C. O biólogo e evolucionista britânico J. B. S. Haldane, nascido em Oxford em 1892, quando o autor de Alice ainda aí residia e trabalhava, não tem dúvidas. No seu livro de ensaios “Possible Words” (1927, p. 8), diz que “A verdadeira história é a seguinte: Aliates, rei da Lídia, estava há cinco anos em guerra com Ciaxares, rei dos Medos. No seu sexto ano, em 28 de Maio de 585 a. C., como se sabe, a batalha foi interrompida por um eclipse total do Sol. Os reis pararam a batalha”. Nas palavras do historiador grego Heródoto, “ficaram mais que ansiosos por estabelecer a paz” (“Histórias”, 1.73-4)»
E já que veio até aqui, por que não assistir ao trailer do referido filme?
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