Category Archives: Uncategorized

Há Música na natureza: aranhas “guitarristas”

Depois de ler este texto, nunca mais olhará para uma aranha da mesma forma. É que quando uma aranha constrói a sua teia, acontece uma coisa extraordinária: afina cada um dos seus fios, esticando-os ou encurtando-os, como se fosse um instrumento musical. Cada fio vibra a uma frequência diferente. Quando um insecto pousa na teia, a aranha consegue calcular onde ele está, através da analise do padrão e da natureza das vibrações da teia e do correspondente fio.
A aranha consegue, através desse processo, distinguir uma deliciosa refeição deliciosa de um potencial “encontro romântico”.

As conclusões são de um grupo de investigação britânico – o Oxford Silk Group – e podem ser lidas com mais detalhe aqui (em inglês). Adam Cole, da NPR, transformou-as neste incrível vídeo de animação.

Saúde Pública (com humor)

Image

A verdade é esta: entre a meia-noite e as seis da manhã, até os mais esquisitos e mesquinhas com a comida se salivam com a bela gastronomia nocturna das barracas e das roulotes. Podemos ser perfeccionistas com a alimentação e caprichosos com a higiene, mas quando tarde e a más horas se trata, de nada adianta.
E porquê?
Tomei a liberdade de desenvolver uma equação com base em resultados experimentais:

p(A) + p(B) = µ

 Onde:

p(A) = probabilidade de encontrar estabelecimentos de restauração abertos durante a madrugada

p(B) = probabilidade de a malta ter ingerido elevadas quantidades de etanol

µ = qualquer baiuca serve para nos salvar da fome

Eis que certa noite, depois de algumas horas de divertimento, parei com alguns amigos numa caixa com rodas que vendia pizzas, hambúrgueres, cachorros, bifanas e afins. Havia um pequeno balcão que suportava um compartimento com alface, tomate e milho. Também havia cogumelos, e garanto-vos que estes não eram os únicos fungos presentes.

Era possível visualizar uma grande frigideira com aspecto de ter sido usada durante a Primeira Guerra Mundial e nunca mais ter sido lavada desde então, quando um velho senhor – com, no máximo, três dentes – indagou: «O que é que vai ser?»
Os pedidos foram dos mais variados, desde o hambúrguer com drosófila, ao cachorro com ácido desoxirribonucleico de roedor, e até havia o Menu Salmonela.

Fomos para casa satisfeitos, sem a noção do corajoso acto, que consistiu em colocar o nosso sistema imunitário à prova. No dia seguinte, restou-me agradecer por ter a vacina do tétano em dia.

Publicado por Pedro Lindo

Reino Animal (com humor)

3Uma das áreas da ciência que mais me fascina é a biologia, embora haja muitos temas que não sejam do meu conhecimento. Confesso que, por exemplo, não percebo nada de bicharada. Por isso é que comecei a ver o canal National Geographic. Eu antes associava o National Geographic à imagem de uma zebra a correr no meio do mato. Mas não. Também tem coisas interessantes.

Por exemplo, fiquei a saber que o nariz de um cão tem quatro vezes o volume do nosso. E enquanto um nariz humano tem cerca de cinco milhões de células olfactivas, alguns cães têm 200 milhões. Assim percebe-se perfeitamente por que é que os cães não andam em transportes públicos, mas permanece, no entanto, o mistério de cheirarem o rabo uns dos outros.

Alguns biólogos dizem que existem outros mamíferos – além dos humanos – que também têm sotaque, sendo a pronúncia variável de região ou país. Agora sempre que oiço a minha gata miar quando está com o cio, fico com a sensação que ela veio do Texas.

Fiquei a saber que alguns peixes têm algumas semelhanças com alguns humanos: existem peixes que também mudam os órgãos sexuais. A diferença é que os peixes não costumam colocar anúncios nos classificados.
Também curioso é o DNA da minhoca, que é 75% idêntico ao dos seres humanos. Quanto ao comprimento, esse já é variável, nomeadamente se estiver frio (como os homens muito bem o sabem!).

Os camaleões também não são muito diferentes de nós. Ao contrário do que muita gente pensa, os camaleões mudam de cor, não para condizer com o fundo, mas sim consoante o estado emocional. Tal como acontece connosco, que ficamos vermelhos que nem um tomate quando estamos envergonhados. E eu às vezes fico azul quando vejo o saldo da minha conta bancária.

Para minha admiração também fiquei a saber que alguns leões copulam (ou fornicam) 50 vezes por dia. A reacção da Elsa Raposo quando soube foi: “Puuufff, fraquinhos!”.
Não menos espantoso é o facto de algumas rãs poderem ser congeladas, depois descongeladas, e assim continuarem vivas. Desta vez foi a Lili Caneças que se manifestou e disse: “Puuufff, eu já faço isso há tanto tempo. Qual é a novidade?”
Por último, fiquei a saber que as girafas não têm cordas vocais. Desta vez, fui eu que me pronunciei sobre o assunto e disse: “Era tão bom que a Júlia Pinheiro também não.”

Publicado por Pedro Lino

Science, not art (2003)

Este é um dos livros que tenho andado a ler. Explora o dia-a-dia de 10 cientistas que foram desafiados a manter um diário durante 60 dias. Quase o devorei mas a noite também serve para dormir.. e com outras prioridades de momento, o meu tempo de leitura está a ser partilhado com outros livros, que desejo igualmente devorar.

SCIENCE, NOT ART was edited by Jon Turney and the photographs are by Hugo Glendinning

Jon Copley, Caroline Dessent, Marcus du Sautoy, Kevin Fong, David Gems, Janna Levin, Tanniemola Liverpool, Mark Lythgoe, Yadvinder Malhi, Charlotte Roberts são os cientistas. A sua produção foi financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, UK.

Image

Jon Turney is an award-winning science writer and editor. His books include Frankenstein’s Footsteps: Science, genetics and popular culture (1998), winner of the BMA Prize for popular science book of the year, A Quark for Mister Mark: 101 poems about science (2000), which he co-edited with Maurice Riordan, and Lovelock and Gaia: Signs of life (2003). He writes and reviews popular science for the GuardianIndependentNew Scientist and New York Times

O sonho e o cérebro

Já dizia António Gedeão que “o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer”. Os sonhos são concretos, todos sonhamos. Se são definidos ou não, disso não tenho tanta certeza. A grande maioria dos sonhos é fragmentada, perdida e uma mistura de acontecimentos que poucas vezes parecem fazer sentido.

Concretamente, os sonhos são sucessões de imagens, ideias, sensações e emoções que ocorrem em pequenos intervalos de tempo podendo variar de entre apenas alguns segundos até aproximadamente 20 minutos.

 

Todos sonhamos embora nem sempre nos lembremos e, embora alguns de nós consigam “sonhar acordados”, sonhar ocorre enquanto dormimos. Sonhar acontece maioritariamente durante um período do sono que se chama “Rapid Eye Movement” ou REM.

Neste período os olhos movem-se repetida e aleatoriamente e os músculos possuem baixa rigidez, ou seja, estão relaxados. Os músculos relaxam porque existe uma pequena região da espinal medula, o pons, que envia sinais para os neurónios de movimento se “desligarem”.

Se formos acordados neste período de REM facilmente recordaremos o sonho. Numa noite normal de sono podemos passar por cinco períodos REM. A actividade cerebral durante um sonho é semelhante à actividade que temos quando acordados.

Os recém-nascidos passam cerca de 80% do seu sono, a sonhar, para que o seu cérebro amadureça estabelecendo e consolidando ligações neuronais que permitam o seu desenvolvimento. Sonham com o que vêem. O que vêem e como vêem é bem diferente daquilo que nós adultos vemos. Os recém-nascidos estão mais ligados a sensações e emoções.

Porque sonhamos? Esta pergunta não tem ainda resposta concreta, apenas vagas teorias. Alguns defendem que “sonhamos para consolidar” tudo o que aprendemos durante o dia, outros acreditam que “sonhamos para esquecer” os pormenores, filtrando apenas o que realmente importa e ainda há aqueles que defendem que “sonhamos para criar”, que durante o sonho somos capazes de solucionar problemas ou ter ideias para obras de arte.

Cientificamente, sonhamos porque para além de estimular o cérebro contribuindo para o seu desenvolvimento, também poderá estar implicado um processo de neurogenese ou seja de “nascimento de neurónios” durante o sono em REM.

Ciência lá fora (4): Da genética, das aves e dos lobos

tumblr_mbzx6aYGr91r6cesqo1_500

Quarto post da categoria “Ciência lá fora”, que tem o intuito de dar a conhecer iniciativas de divulgação de ciência que decorram pelo país. Esta secção pode ser vista como uma espécie de agenda ou guia de sugestões de actividades de divulgação científica destinadas ao público.

DESTAQUES:
//
 O primeiro destaque vai para o filme “A história de um erro“, um documentário sobre a Paramiloidose, doença hereditária também conhecida por doença dos pezinhos. Este projeto foi realizado por Joana Barros, da Associação Viver a Ciência, e contou com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação para a Ciência e Tecnologia.                                         Data: 7 Julho 2013 (17h)                                                                                                                   Local: Teatro Municipal de Vila do Conde

// A exposição A Invasão da Casa Andresen tem vindo a desenvolver um conjunto de atividades para dinamizar o espaço. De entre as próximas iniciativas, destacamos:                                                                                                                     – A Hora do Conto: iniciativa dirigida a crianças, um conto sobre a viagem de uma cotovia e porque migram as pessoas. Dias 29 e 30 de Junho, às 10h30;           –  Aromas à solta na Casa Andresen: visita aos animais da exposição e seleção de infusões de aromas e sabores únicos preparada pelo Cantinho das Aromáticas. Para conhecer mais atividades da exposição, consulte a página do Facebook. Local: Casa Andresen – Jardim Botânico do Porto (Rua do Campo Alegre)

// Termina já neste fim-de-semana a oportunidade de visitar a exposição Insectos em Ordem. Trata-se de uma exposição sobre a diversidade de insectos da fauna europeia, e propõe que o visitante descubra a que grupos pertencem os insectos, através de pistas e percursos. Assim, os visitantes são convidados a ser “Biólogos por uma hora”. (mais informações aqui)                            Data: até dia 29 de Junho                                                                                                              – Local: Centro Cultural Adriano Moreira (Bragança)

OUTROS EVENTOS:
Workshop: Curso de Ilustração Científica (Preço 85€)
Data: 29 e 30 de Junho (12 horas)
Local: Centro de Ciência Viva de Lagos

Atividade:  Ateliers Eléctricos
Data: Sábados e Domingos (11h, 11h30, 15h30, 16h)
Local: Museu da Eletricidade, Lisboa

Passeio: Os segredos de Escaroupim – observação de aves
Data: 29 de Junho (mais informações na ligação)
Local: Escaroupim, Salvaterra de Magos

Passeio: Saída pelágica para observação de aves marinhas – Cabo Raso
Data: 30 de Junho, 6h15 (mais informações aqui)
Local: Marina de Oeiras

Encontro, conversa: Café com Ciência – Os lobos na Península Ibérica
Data: 30 de Junho, 11h
Local: Biblioteca da Fundação Serralves, Porto

SUGESTÃO:
Foi recentemente traduzido o livro A Nova Genéticaque está disponível em PDF no portal da Casa das Ciências, um projeto de divulgação de ciência da Fundação Calouste Gulbenkian dirigido à comunidade escolar. O ficheiro pode ser descarregado gratuitamente para o seu computador.

Publicado por João Lourenço Monteiro

Nobel da Química 2012 um bocadinho português!

O Prémio Nobel da Química deste ano foi atribuído a Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka pelo estudo de uma importante família de receptores implantados na membrana das células, chamados receptores acoplados a proteínas G.

As células estão separadas do exterior por uma membrana que impede a passagem da maioria das moléculas. Estes receptores são proteínas inseridas na membrana e fazem parte de um sistema de transmissão de informação, do exterior para o interior da célula. Reagem a sinais do exterior (luz, odores, iões, hormonas, neurotransmissores,…) e transmitem esse estímulos ao interior da célula.

A história é mais ou menos esta:

1. Vem um estímulo do exterior. Por exemplo, uma hormona.

2. A hormona liga-se ao receptor, que atravessa toda a membrana da célula. Do outro lado, ou seja no interior da célula, o receptor de membrana transmite a informação vinda do exterior a uma proteína (proteína G).

3. A proteína G vai-se embora e desencadeia uma resposta fisiológica ao estímulo exterior.

4. Enquanto a hormona estiver ligada, mais proteínas G podem ser activadas no interior da célula.

Imagine um mensageiro (uma hormona) que chega ao castelo (célula). Diz ao porteiro: vem aí o inimigo. O porteiro (receptor associado a proteína G) vira-se para o interior da muralha (membrana celular) e transmite a informação a um estafeta (proteína G). Esse estafeta vai desencadear a resposta do castelo ao estímulo exterior. Repare que o mensageiro não entrou no castelo.

E este Nobel também é um bocadinho português!

David Aragão, um cristalógrafo português, doutorado em Portugal, tem um artigo, publicado na Nature em co-autoria com Brian Kobilka, um dos laureados com o Nobel da Química deste ano. O artigo descreve a determinação da estrutura, ou seja a forma em três dimensões de uma proteína de membrana, o que é muito difícil de fazer (a prova disso é que há muito poucas). E a proteína em causa é um receptor acoplado a uma proteína G, ou seja o tema que deu o Nobel a Kobilka. E a determinação da estrutura destas proteínas foi fundamental para a atribuição do Nobel. Apesar de ter feito a sua parte deste trabalho na Irlanda (e de actualmente trabalhar na Austrália), o Nobel da Química deste ano é também um bocadinho português!

Muitos parabéns também ao David Aragão que, tal como outros portugueses, está a fazer investigação ao mais alto nível internacional!

Publicado por David Marçal