Category Archives: Os Sons da Ciência

Os Sons da Ciência (40): Uma dança entre Björk e David Attenborough

bjork
A fusão é, aparentemente, tão inesperada como potencialmente deliciosa. Björk e David Attenborough embarcaram juntos na missão de abraçar um documentário sobre música e tecnologia, dirigido por Louise Hooper. A inspiração terá nascido a partir de Biophilia, álbum e aplicação da arista islandesa, editado em 2011, que explora os pontos de intersecção entre música, tecnologia e natureza. No filme, podemos contar com o testemunho de Attenborough, que expõe a sua paixão pela música e demonstra como ela se impõe também no mundo natural. Estamos, por exemplo, a falar de pássaros e de baleias. Os efeitos benéficos da música para o cérebro dos seres humanos são ainda explicados por Oliver Sacks, professor de neurologia e psiquiatria.

O filme intitula-se “Attenborough and Björk: The Nature of Music” e estreia no próximo sábado, dia 27, às, no canal britânico Channel 4.

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (39): A Natureza em sons – uma perspectiva… diferente

Diego Stocco é um músico diferente… e , embora ‘diferente’ seja muitas vezes associado a uma conotação não muito boa, aqui aplica-se porque não consigo arranjar palavras para descrever a originalidade do seu trabalho. Diego faz música a partir de sons da natureza, sem sintetizadores, computadores e samplers. A música resulta duma talentosa masterização de sons cascas de laranja, sementes de romãs que são captados com ajuda de estetoscópios, microfones em ramos de árvores e uma manancial eclético de métodos criativos.

Aqui fica o trabalho (Music from Nature) comissionado a Diego Stocco para a celebração do Dia da Terra (22 de Abril).

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (38): Pink Floyd e “The Dark Side of the Moon” – o inesquecível Eclipse de 1973


Em 1973, o planeta Terra foi invadido por uma catástrofe de criatividade que deixou cicatrizes para sempre nos seres que o habitam. O registo ficou conhecido como The Dark Side of The Moon, expressão cunhada pelos Pink Floyd, e entre outras ocorrências até se assistiu a um Eclipse (tema e vídeo que aqui destacámos).
E, sobre o assunto, por nos ser tão caro, não diremos nem mais uma palavra.

«and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon. »

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (37): Qual a ligação entre Júlio Verne, a Casa da Música e uma banda holandesa de música electrónica?


O Serviço Educativo da Casa da Música (Porto) assinala o dia Mundial da Criança, no dia 1 de Junho, com um concerto intitulado Verne – 20 mil músicas submarinas. O espectáculo tem como ponto de partida a obra de ficção científica de Júlio Verne, 20 mil léguas submarinas, e é o culminar de um projecto artístico e formativo que envolveu cerca de 50 professores e educadores (ver o blogue do projecto).

O imaginário da ficção científica de Júlio Verne dará assim origem à música, oriunda de instrumentos-escultura onde “predominam sonoridades recheadas de aventura”.

Como não conseguimos adivinhar o resultado sonoro do espectáculo de dia 1 de Junho, escolhemos outro tipo de banda sonora para esta entrada: a música chama-se Jules Verne, e integra o álbum Moon (1991) da banda electrónica holandesa Peru:

Nota: O próprio Júlio Verne foi um amante da música, tendo deixado uma mão cheia de canções escritas. Em 2005, aquando do centenário da morte do escritor, foi lançado em França o disco Jules Verne – mélodies inédites, que divulga canções escritas pelo próprio Verne. As interpretações são de Françoise Masset (voz) e Emmanuel Strasser (piano)

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (36): Caetano Veloso, os livros, tropeções nos astros e a expansão do Universo


É um poema-canção-manifesto absolutamente arrasador da autoria de Caetano Veloso. O tema Livros integra o álbum Livro (1997) e, entre uma incrível ode à literatura, lança ideias e conceitos como a radiação do corpo negro e a expansão do Universo. Enternece  imaginar a “estrela entre as estrelas” a tropeçar “nos astros desastrada”. Vamos (ler e) ouvir:

«Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.»

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (35): Do Brasil: programa Rock com Ciência e um regresso a Raul Seixas


Em Dezembro do ano passado, publicámos aqui uma nota sobre o Third Rock, projecto de radio da NASA para levar a ciência ao público mais jovem. O nosso leitor, Rubens Pazza, alertou-nos para a existência de um programa semelhante, no Brasil. Desde Setembro de 2010 que o programa Rock com Ciência embrulha conteúdos científicos num manto de música rock.

O programa nasceu no seio do campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa, no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Passa na rádio Máximus FM de Rio Paranaíba (Estado de Minas Gerais) e as emissões são posteriormente alojadas em site próprio, em formato podcast.
Para além do programa áudio, o projecto disponibiliza também textos complementares sobre os temas de cada semana

Com 59 edições já completas, o Rock com Ciência já abordou temas como a Sociologia, a Engenharia Civil, a Biologia Evolutiva, o Humor na Ciência e a Energia Nuclear, entre muitos outros. A música que aqui partilhamos é um regresso a Raul Seixas, com o tema Mosca na Sopa, utilizado pelo Rock Com Ciência para zumbir num programa sobre insectos.

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (34): Promover, Inspirar e Educar em tons de azul

Sob o mote Promover, Inspirar e Educar  nasce o projecto Our Blue: um vídeo, uma música e uma acção inovadora de consciencialização e angariação de fundos para a preservação do oceano.

Tudo começou em 2010 com um pequeno grupo de instrutores de mergulho no Egipto e adaptações de músicas como Bohemian Rhapsody dos Queen e Ticket to Ride dos Beatles. O sucesso online ( já têm mais de seis mil membros no grupo do facebook) incentivou-os a mergulhos mais profundos e aventuraram-se a escrever, compor e filmar material original. O resultado de 10 meses de filmagens e centenas de mergulhos foi o vídeo de 7 minutos “Our Blue” pelos Tank Bangers. Com este vídeo, o grupo pretende alertar para a fragilidade do meio ambiente e para o impacto que as nossas acções têm no seu declínio. Podemos comprar a música no website  dos Tank Bangers. Os fundos angariados serão depois distribuídos por organizações de conservação dos oceanos e Cancer Research UK – segundo os Tank Bangers «é importante cuidar também das pessoas». E porque é que nos devemos importar com os oceanos? O vídeo “blue wonder” pode explicar (tentem não se focar só  na imagem do “hello”).

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (33): Fé e ciência balançam nos versos dos The Script

Science  & Faith (2010) dá nome ao  segundo álbum dos The Script e à  quarta faixa do mesmo.

O refrão da música remete-nos para o antigo duelo entre a fé e a ciência, como dois antagonistas, titãs, a debaterem-se pelas nossas almas e totalmente incompatíveis no mesmo contexto espácio-temporal:

«You won’t find faith or hope down a telescope
You won’t find heart and soul in the stars
You can break everything, got the chemicals
But you can’t explain a love like ours.»

Resistindo ao ímpeto de enveredar pelas teias da teologia, contesto simplesmente que a ciência também exige uma grande dose de fé e de esperança. Cada vez que olhamos através dum microscópio, para observamos as células mais pequenas, ou através dum telescópio, para observarmos as estrelas mais brilhantes, fazêmo-lo com fé e esperança de descobrirmos um pouco mais sobre o mundo que nos rodeia. E, não consigo resistir, faço-o sempre com admiração pela evolução que nos conduziu até o Aqui e o Agora.

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (32): Third rock – a música do espaço


A ciência é uma aventura e a exploração espacial é eternamente apletiva! Espaço a última fronteira (Space: the final frontier) – a frase de abertura dos inúmeros episódios do Star Trek – marcou uma geração e, para mim, o fascínio pela descoberta de outros mundos e aventuras. No entanto, naveguei por outros mares e embarquei noutras descobertas mas sempre com uma banda sonora porque não há aventura sem música.

Relembro agora, com ternura, as horas intermináveis que passei no microscópio confocal a adquirir imagens de neurónios fluorescentes. A música, a minha companheira que me proporcionava momentos de alegria e de descobertas magníficas! A melhor de todas foi a KEXP, uma rádio de Seattle que me fazia ficar sempre bem-disposta: eu podia estar no escuro durante horas mas Seattle acordava inadvertidamente para um dia chuvoso… Depois foi a Pandora, uma das primeiras rádios online personalizadas. Pouco tempo depois desta descoberta, a rádio passou a estar acessível somente a partir dos Estados Unidos.

No entanto, o fascínio pelo espaço continua presente e agora até já tenho a banda sonora para a viagem: Third Rock. A Third Rock é uma rádio online desde 12 de Dezembro com um alinhamento peculiar: música fantástica e notícias da NASA. Sim, essa mesmo: a National Aeronautics and Space Administration. Entre uma música dos Arcade Fire e outra dos The XX, são incorporadas  notícias da NASA, saudações dos colaboradores, reportagens sobre o dia-a-dia dos cientistas e engenheiros da NASA, etc.

Desta forma, a NASA aposta na exploração de novos formatos para comunicar ciência e angariar apoio junto da audiência 4G , constituída por jovens adultos – uma das denominadas hard to reach.

Agora que já temos banda sonora, se alguém sabe o que se ouve no espaço é a NASA e até vamos aprendendo algumas coisas: só faltam os 200,000$ para reservar um dos lugares nos voos suborbitais da Virgin Galactic. Um passo de cada vez…

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (31): O jovem Fausto Bordalo Dias e as explorações espaciais


A rubrica Os Sons da Ciência volta a Fausto Bordalo Dias. Pouco tempo depois de o artista apresentar o disco Em busca das Montanhas Azuis (2011), fazemos uma viagem de 41 anos até à primeira música do primeiro EP que Fausto editou, em 1970.
Madrugada é o tema de abertura de Fausto (1970) e conta a história de um homem e uma mulher que se cruzam de madrugada, essa hora “toda feita de cansaço”. E o que aconteceu? “Ele lia o jornal,/ O sinal mudou,/ Ela atravessou,/ Num adeus final”. E ‘dentro do jornal’, uma reflexão com alguma ironia sobre os horizontes da ciência e das explorações espaciais:

«Estados Unidos da América: Cientistas afirmam que as explorações espaciais levarão ao progresso do mundo e às portas do céu.»

Publicado por Sílvio Mendes