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Con(s)ciência: Drogas e Sexualidade no CHECK-IN

O CHECK-!N é um grupo de pessoas que intervêm para esclarecer assuntos sobre drogas e sexualidade. Os membros do grupo, muitos deles voluntários, estão envolvidos na comunicação científica especializada sem tabus. Esclarecem sobre o risco e prazer das nossas drogas de consumo e práticas sexuais. No rescaldo de um Verão quente, a passagem pelo CHECK-!N ajudou a iniciar viagens mais seguras…

muitas substâncias psicoactivas que circulam nos nossos hábitos de consumo. O café e o açúcar, tão valorizados, e as drogas de farmácia que constroem a nossa “nação Prozac”. E, claro, o álcool. E é na noite e nos espaços de diversão que o CHECK-!N oferece os seus serviços antes de iniciarmos a nossa viagem. A qualidade da intervenção é importante. Os membros da equipa são pares dos participantes da festa, identificam-se também com o ambiente. As pessoas que usufruem do serviço são plenamente respeitadas. O CHECK!N abstem-se de julgamentos morais, ajuda a prevenir comportamentos de risco antes de levantar voo.

Este CHECK-!N já ajudou a embarcar mais de 34 mil pessoas numa viagem mais segura. Como? Com informação facilitada, pela entrega de material diverso. Contraceptivos sexuais, lubrificantes, tampões auditivos, borrifadores de água, kits para o consumo por inalação de menor risco. Em cada festa, diferentes necessidades. São “tribos” diferentes, com hábitos de consumo diversos. Para cada festa, as suas drogas. E, claro, o consumo tem sempre riscos associados. Drogas adulteradas, dosagens inadequadas podem roubar o prazer da viagem. Socialmente, este é um “trabalho de educação que é preciso fazer!”, reforça Filipa Soares, membro deste grupo.

Durante a visita ao CHECK-!N, o utilizador pode também testar as suas substâncias psicoactivas e ser aconselhado. Ou se quiser participar à distância pode fazê-lo no sítio da organização.

Os postos de informação CHECK-!N fazem-se acompanhar, desde 2009 e sempre que justificável, por um mini laboratório móvel. Substâncias ilegais são postas à prova. Usando técnicas de análise química qualitativa, como a Cromatografia de camada fina, identificam-se os constituintes da amostra. A adulteração de drogas sintéticas, como o ecstasy (MDMA), é um risco para a saúde pública.

Os testes de Alcoolemia são um dos serviços CHECK-!N

O projecto CHECK-!N faz parte da APDES (Agência Piaget para o Desenvolvimento), uma associação privada sem fins lucrativos que visa o desenvolvimento local e das populações. O trabalho desenvolvido também se faz em rede com outras entidades em plataformas como a rede europeia “Democracy, Cities & Drugs II”. Quem está envolvid@ no CHECK-!N “acredita naquilo que faz e nos resultados positivos da intervenção”, diz-nos Helena Valente, também colaboradora do projecto. “É gratificante trabalhar com esta proximidade das pessoas” acrescenta Filipa. Ela também já colaborou com uma organização parceira do CHECK-!N, a espanhola Energy Control, que tem uma abordagem de campo muito semelhante, veja neste video.

Este trabalho de campo, esta proximidade, é uma boa oportunidade para desenvolver investigação sociológica. Os dados recolhidos são igualmente importantes para reforçar o Sistema de Alerta Nacional e Europeu de Identificação de Substâncias potencialmente perigosas que circulam no mercado. Hoje em dia, a equipa CHECK-!N está repartida por Viseu e Lisboa, co-financiada pelo IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência). Com financiamento próprio da APDES, está também na área metropolitana do Porto e pelos Festivais de Verão.

Os festivais de Verão, as discotecas, são um espaço fundamental de construção de identidade. Os objectivos deste grupo passam não só pela redução de comportamentos de risco na sociedade portuguesa, como também pela melhoria das condições das festas. E as equipas multidisciplinares CHECK-!N já passaram por muitas: Queimas das Fitas, Vilar de Mouros, Paredes de Coura, Azurara Beach Party, Boom, Andanças, Anti-Pop e Neo-Pop, etc. De todas estas festas, onde é que encontraram a tribo social mais consciente? “No Boom”, responde sem dúvidas a Filipa. O famoso festival de Idanha-a-Nova é a “elite das pessoas informadas”. “Contudo”, acrescenta, “em cada sítio apanhas de tudo”.

Publicado por João Cão

con(s)ciência: ANICT quer mais diálogo entre Investigadores e decisores políticos

Visita de Deputados ao Centro de Investigação da Universidade do Minho (Maio de 2009)

A 8 de Janeiro de 2010, a Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT) era formalmente constituída. A recém-formada instituição pretende representar os interesses profissionais dos Investigadores Científicos Doutorados a trabalhar em Portugal e tem já um horizonte de acção muito bem delineado. Promete acção como «parceiro no diálogo entre os Investigadores e o Governo (assim como outras instituições que participam na definição da política de Ciência em Portugal)» e no contributo para a «disseminação do conhecimento científico para o público em geral».

Os representantes da ANICT apontam como assunto mais urgente a criação de «um consenso sobre o que será o mercado de trabalho em Ciência em Portugal». «Gostávamos que um cientista a trabalhar em Portugal soubesse claramente quais as oportunidades presentes e futuras», afirmam numa entrevista exclusiva ao blogue Viver a Ciência, que aqui disponibilizamos na íntegra.

Publicado por Sílvio Mendes

Viver Sustentável – Con(s)ciência de Copenhaga

O Projecto 270 é um espaço que procura novas respostas de sustentabilidade. Na pequena quinta há uma exploração agrícola de permacultura, distribuição de bens alimentares com comércio justo, workshops vários, educação científica e ambiental. Situado na Costa da Caparica é Nuno Belchior quem dá a cara pelo projecto. A Sustentabilidade que falamos é tanto ecológica, como económica e social. Procurando uma acção em rede, Nuno está agora em Copenhaga, no KlimaForum, o encontro de pessoas pelo clima, vizinho do grande COP-15. Na capital dinamarquesa está agora o epicentro das decisões que nos dizem respeito a todos. Como partilhamos as nossas comunidades, como somos como sociedade humana e como vivemos a nossa Ciência.

O Projecto 270 é um projecto de reabilitação de uma parcela de terreno situada na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, junto ao oceano. Desde 2005, entre a Praia da Rainha e a Praia da Riviera, que aqui habitam Nuno Belchior e a sua família. É um espaço que priveligia a diversidade biológica e cultural. Experimenta-se aqui o desenvolvimento local sustentável. Por aqui já passaram algumas intervenções artísticas, como instalações e música ao vivo. É um espaço de educação científica e ambiental. Há formação em permacultura e cultura biológica, com oficinas e actividades de outros saberes, como terapias e massagens. Vendem-se produtos de agricultura biológica e da rede de Comércio Justo. É um espaço transcultural. O desenho e manutenção de um espaço verde sustentável experimenta-se, com diferentes técnicas e espécies em cultivo, fruto da troca de saberes e materiais. Uma diversidade colorida na procura de uma modernidade alternativa com o Projecto 270.

Ao viver a proposta do 270, em diálogo com a Natureza, experimentamos uma forma de estar muito diferente da urbe a poucos quilômetros de distância. Aproximamo-nos de como vivem muitas comunidades no hemisfério sul. Ao viver como a família do Nuno e tantos agricultores familiares do Mundo inteiro podemos aprender sustentabilidade.

Copenhaga, Epicentro de Acção


O modelo de desenvolvimento neo-liberal, uma civilização que cresce exponencialmente e usa os recursos naturais da pequena Terra, é um modelo com fim anunciado há muito. O Nuno está agora em Copenhaga, tal como muitos jovens da Via Campesina e outros que praticam o chamado “ecologismo/ ambientalismo dos pobres”. Discutem e anunciam alternativas sociais, tal como várias organizações agora na capital dinamarquesa.

Nas ruas e no Bella Center, o centro de decisão do momento, muitos activistas manifestam-se em Copenhaga. Há Organizações Não-Governamentais de prestígio ali representadas e muitos movimentos sociais. Uma voz conjunta pede uma mudança de sistema, uma outra ordem social. Comemora os dez anos da manifestação de Seattle, quando a força da massa de gente foi reconhecida. Através da intervenção não violenta querem impor na agenda política a vontade de mudança. O Nuno Belchior participa agora no encontro da sociedade civil global sobre o Clima, o KlimaForum (aqui página em inglês). Este é o maior evento sobre Clima em Copenhaga para além da Conferência das Nações unidas.

A 15.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP-15) ocorre simultaneamente. Hoje no último dia, o COP-15 é a maior conferência diplomática de sempre. Espera-se que a partir do Bella Center saia um pacto mundial e um programa de acção que cumpra medidas de atenuação e de adaptação às alterações climáticas. A diplomacia trabalha tendo como base os relatórios de análise do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O Aquecimento Global, o conjunto de alterações climáticas, é causado pelos gases com efeito de estufa (GEE). Este é um facto reconhecido pela maioria da comunidade científica, apesar dos Climategates que assaltam a opinião pública.

Climategate, ciência sem interesse?

 

 

"With This Flag I Surrender", © Matthew Woodson

 

A comunidade científica foi abalada no final de Novembro pelo que ficou conhecido como Climategate. Piratas informáticos assaltaram o servidor usado por cientistas da Unidade de Investigação Climática da Universidade de East Anglia. Depois, disponibilizaram on-line e-mail‘s e documentos oficiais, segmentos de informação que punham em causa a boa fé e veracidade do trabalho desenvolvido. Abriu-se espaço ao cepticismo. O conjunto de alterações climáticas conhecido como Aquecimento Global está realmente a acontecer? E se sim, é a actividade humana a real responsável?

Há uma comunidade científica atenta e responsável. Muita da informação oferecida ao público pelo Climategate foi descontextualizada e deturpada. Existe um escalar de alterações climáticas reconhecido. Mais preocupante é o fosso entre o conhecimento científico e a opinião pública…

Conhecer a dúvida na Ciência e Decidir

O desafio de agora é democratizar a Ciência, fazê-la acessível a todos. Tal como a Agência Europeia do Espaço (ESA) nos mostrou na semana passada com “Alterar a tendência” (aqui noticiado pela Ciência Hoje). Mais, é mostrar como a Ciência também tem erros e é um processo. Os GEE são os responsáveis pela aceleração de alterações climáticas no Mundo. Daqui a alguns anos, a compreensão de fenómenos pode-nos dar outras conclusões.

O corpo científico chega a um consenso. Mas continua numa procura constante de respostas em diferentes direcções. O cientista vive com a dúvida. Por vezes, as respostas que encontramos são inesperadas, põe em causa o nosso conhecimento. Porquê? Como um quebra cabeças sem solução, ficamos sem saber. Até aquele momento em que nasce uma nova teoria, que unifique, que explique, que responda.

Thomas Kuhn descrevia em 1962 a evolução do conhecimento científico. Todo este corpo de conhecimento assenta numa verdade consensual, um paradigma. Até que há uma altura em que se encontram novas evidências que trazem incerteza à verdade científica. A partir desse momento, deixa de haver uma ciência normal para haver uma ciência de revolução. ou uma ciência pós-normal, como o põe Silvio Funtowicz e Jerome Ravetz mais recentemente.

 

"And Though You've Loved a Thousand Men", © Matthew Woodson

 

A comunidade científica procura um consenso. Simultaneamente, há questões urgentes que precisam da nossa intervenção. Tem que ser tomada uma decisão. Temos que reformar com urgência a forma como vivemos neste planeta, partilhar recursos e procurar a sustentabilidade. Esta decisão cabe aos governos de cada nação, que hoje tentam um acordo final em Copenhaga. Mas as vozes de tantos como a do Nuno Belchior e projectos de consciência ecológica e social como o Projecto 270 são um alerta. Parte de nós, individualmente e nas nossas comunidades também decidir. Temos que pensar o nosso futuro.

Publicado por João Cão

con(s)ciência: Ir à Atalaia admirar os Astros

Desde 2000 que um grupo de pessoas se desloca a um terreno agrícola na Atalaia, no concelho de Alcochete. Lá admiram o céu, partilham telescópios, discutem e fazem ciência. Este é o principal grupo amador de observação astronómica, já na terceira geração de observadores. Com a sua curiosidade, todas as pessoas são benvindas no próximo sábado, dia 19. Depois de um ano intenso de promoção da astronomia, quem quiser pode aqui continuar a descobrir o céu.


O Grupo da Atalaia não existe formalmente. É um conjunto de amigos que se juntam pela sua paixão aos astros. Reúnem-se todos os sábados a seguir à lua nova e também noutras ocasiões especiais. Dirigem-se a um campo agrícola, gentilmente cedido para as observações. Em média, “entre 20 e 60 pessoas compõe o grupo”, diz-nos José Ribeiro, um dos membros fundadores do grupo da Atalaia. Desde 2000 que se reunem e já estão na terceira geração de observadores. Observam em grupo porque é mais seguro e, claro, mais enriquecedor. Juntam indivíduos com diferentes experiências, que admiram o céu a olho nu, com binócolos e telescópios. Do Grupo da Atalaia saem descobertas que enriquecem a nossa cultura científica.

Dois planetas extra-solares, o XO-4a e XO-4b, foram descobertos por uma equipa que incluí João Gregório. Inovadoras colaborações têm envolvido a Astronomia Profissional com a Astronomia Amadora de quem vai à Atalaia. Actualmente, assim acontece com o projecto com a estrela Wolf Rayet 140, que envolve Alberto Fernando, Filipe Alves, Luís Carreira e José Ribeiro.

O Ano Internacional da Astronomia marcou este ano de 2009. Muitas e incriveís iniciativas vieram dar um outro alcance aos astros. Alguns pensam que a astronomia é “coisa de lunático”, como o põe José. Mas muitas organizações energizaram a compreensão dos astros do nosso céu ultimamente. Como as escolas, professores e alunos que quiseram aprender mais. Muitos aceitaram os desafio e participaram no Ano Internacional da Astronomia.

Foto de ecrã do planetário stellarium, software livre


Observar astros no futuro e no passado

Será que ficam para o futuro estas paixões públicas pelos Astros? Uma política da magnitude da deste ano em 2010 parece improvável. Uma reunião recente em Coimbra mostrou-se “muito inconclusiva”, diz-nos José Ribeiro. Mas, com certeza, sempre podem ir admirar os astros à Atalaia em dias futuros.

Há 400 anos atrás, no início do século XVII, o Mundo sobre-lunar era perfeito. Com os olhos no céu, todos os astros eram uniformes e seguiam uma trajectória cíclica. A herança de Platão dizia-nos que a Terra do Homem estava estática no Centro do Universo. O telescópio de Galileo Galilei começava a contar outras estórias, de excepção, de erro que não cabiam nesta concepção de um Universo adormecido. Como se comportariam as nossas mentes curiosas se de repente, num momento, fôssemos parte da Terceira Dinastia do Império Português?

Há 400 anos atrás, seria uma outra pessoa com uma outra cultura. Como seria viver com esta curiosidade infinita e conciliar o medo da inquisição? “Possivelmente seria um médico astrólogo e astrónomo”, diz José. “Mas provavelmente acabaria na fogueira”, completa, rindo-se. A curiosidade de saber mais matava. Agora é o que marca este grupo de observadores de astros. A curiosidade e a humildade de quem não receia fazer perguntas.

Publicado por João Cão

con(s)ciência: Robots feitos para competir

O Clube Robótica 2010 é formado por estudantes que querem espalhar a sua paixão pelos robots. O projecto arrancou este ano, no apoio à área de projecto de diferentes turmas do Ensino Básico e Secundário. O clube vai à escola e partilha conhecimentos na construção dos módulos e na programação do robot. Em Fevereiro de 2010, elementos do grupo vão a Cabo Verde por alguns meses. Esperam encontrar entre os sessenta alunos o entusiasmo para levar a robótica africana além-fronteiras.

A robótica nacional é impulsionada pelos Encontros nacionais de Robótica, promovidos pela Sociedade Portuguesa de Robótica. Nestes encontros, competem robots em diferentes categorias. Há campeonatos desportivos, com futebol entre robots humanóides. Talvez um dia, uma equipa de robots derrote o Clube da FIFA Campeão do Mundo… Mas outras invenções têm outras aplicações, como o dos robots para “ajuda e salvamento”. No encontro Robótica 2010, de 24 a 27 de Março, em Leiria, podemos encontrar todas as competições e encontros científicos. Depois, os melhores robots portugueses vão representar o nosso País em Junho, em Singapura, no Robocup 2010.

Exercício de Programação do Grupo de Projecto de Robótica do 12.º A da Quinta das Flores – Coimbra

O Clube Robótica 2010 nasceu este ano, em Coimbra. Cerca de 10 estudantes da Universidade de Coimbra formaram o Clube para espalhar a paixão pela robótica. Já estão numa Escola Básica e em quatro Escolas Secundárias, a ajudar diferentes turmas a montar o(s) seu(s) robot(s) na sua área de projecto. Na passada sexta-feira, dia 27, também estiveram no Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra. As sessões incidem na programação do robot, com diferentes conteúdos, dependendo da experiência e idade dos formandos. “Desta forma, podem entrar no mundo da Robótica de competição com uma maior facilidade”, partilha connosco Tiago Caldeira do Clube Robótica 2010.

“Estas oficinas são bastante interessantes”, comenta Ana Isabel Mata do 12.º A da Escola Secundária da Quinta das Flores em Coimbra. Ela e outros quatro alunos do 12.º A, com a ajuda do Clube Robótica 2010, pensam em entrar no Festival Nacional de Robótica. “Esperamos aproveitar a experiência ao máximo e, quem sabe, continuar…”. Querem, para já, construir um Grande Robot Electrónico Genializado, desenhado para ajuda e salvamento. Podemos acompanhar o desenvolvimento do trabalho deste grupo aqui.

Desta vontade de fazer outros viver a robótica, o Clube vai a Cabo Verde em Fevereiro de 2010. Vão assistir professores e alunos de Escolas Básicas e Secundárias, cerca de 60 pessoas. A ideia partiu durante um Encontro Internacional de Robótica, o Robocup. “Reparámos que nunca uma equipa africana tinha concorrido”, diz-nos Tiago. Na faculdade, onde estudavam, os alunos cabo-verdianos eram, entre os congéneres de língua portuguesa, os “que, de um modo geral, apresentavam maiores competências”. Daí decidiram partir para Cabo Verde para formar equipas que se pudessem vir a integrar em competições futuras. A partida para o arquipélago acabou adiada devido à epidemia de dengue. Mas a vontade de plantar a semente da robótica em África é forte. “Vamos partir em Fevereiro”, diz Tiago sorridente.

O Clube Robótica 2010 conta agora com cerca de dez membros, número que se vê duplicado este mês. São todos alunos em Coimbra e contam com o apoio precioso do ISR Coimbra (Instituto de Sistemas Robótica). Outras entidades próximas de onde são formados são também importantes: a Universidade de Coimbra e o Laboratório de Sistemas Embebidos. Agora procuram novas parcerias e apoios para fazer crescer a ciência robótica.

Publicado por João Cão

Con(s)Ciência para compreender o Mar

A SCIAENA não é uma típica organização ambiental. É a associação de ciências marinhas e cooperação. A vontade de cooperar estende-se a todos, organizações e indivíduos. Incluir a sociedade civil na comunicação de ciência, com a participação activa do cidadão. Desde 2006, que a SCIAENA envolve quem estuda e usa a zona costeira. Pode ser cientista quem participa no inventário de biodiversidade. Pode ajudar à mudança de leis quem quer participar. Com a nossa costa plena de riqueza de fauna e flora, somos convidados a compreender o mar.

Dia 16 de Novembro passou na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o documentário The end of the Line (aqui anunciado no blog). Esta foi a primeira iniciativa da PONG-Pesca Plataforma de Organizações Não-Governamentais sobre a Pesca –. Quase 400 participantes assistiram ao impacto da sobrepesca nos nossos oceanos. “Além de um retrato catastrófico, é um filme motivador, por transmitir esperança na mudança de atitudes dos consumidores”, comenta Bárbara Horta e Costa. Este filme independente quer envolver toda a gente no que é uma decisão política. Um pequeno debate no final do filme, envolveu o autor da obra, ambientalistas, investigadores, um representante de uma parte do sector da pesca e dirigentes públicos.

A SCIAENA, associação de ciências marinhas e cooperação, sempre agiu para “fazer esta ponte entre a ciência e as pessoas”, diz-nos Bárbara, presidente da associação. A exibição do The end of the Line foi pensada neste sentido pela SCIAENA e outras quatro ONGA’s (LPN, Quercus, SPEA e GEOTA). Com a exibição pública do filme, queria-se incluir o participante, envolvê-lo na procura de respostas de sustentabilidade. Foi o primeiro evento desta plataforma, que têm como objectivo fortalecer a presença e representatividade do terceiro sector neste campo. Em Portugal e no resto da União Europeia, até ao final de 2009, a renovação da Política Comum das Pescas (PCP) está aberta a propostas da sociedade civil. Membros da PONG -Pesca- Plataforma de Organizações Não-Governamentais sobre a Pesca – estão agora activamente envolvidos, a desenvolver uma resposta para esta que será a terceira PCP.

Desta forma, com a co-coordenação da LPN e SCIAENA, a PONG-pesca- conspira por uma exploração sustentável dos recursos pesqueiros, Simultaneamente, a SCIAENA quer afirmar a importância do terceiro sector para implantar e gerir a rede Natura 2000, em meio marinho. A Natura 2000 marinha é uma rede a ser implantada de habitats de espécies raras ou ameaçadas a conservar. Tal como a maioria das iniciativas privadas de utilidade pública, a dedicação a estes projectos vem do trabalho voluntário. E, sem dúvida, envolver as pessoas directamente a melhor forma de comunicar o que se faz.

O Bioblitz é um inventário em 24 horas dos organismos vivos numa determinada área. Organizado pela SCIAENA em 2008 em Faro, dois Bioblitz vão ocorrer em 2010, desta vez nos meios fluvial e marinho! Em Faro fez-se um levantamento da biodiversidade pelo grupo de voluntários. Em Alviela, dias 5 e 6 de Junho de 2010 e na ria do Alvor em Outubro, coopera-se para um levantamento da biodiversidade. Com o trabalho de campo, todos cooperam para fazer ciência. A acompanhar os Bioblitz em Portugal, encontramos acções de divulgação que despertam a consciência ecológica da diversidade.

E com que apoios se desenvolvem estas  e outras actividades da SCIAENA? Na projecção do End of The Line colaboraram a coligação Ocean 2012, o Pew Environment Group e a Fundação Calouste Gulbenkian. Para iniciativas locais, como é o caso do Bioblitz em Alviela é importante o envolvimento da Câmara Municipal de Santarém. E o que puxa pessoas para esta associação com nome de género de peixe? Consciência, conforme explica Bárbara Horta e Costa, de que é preciso envolver as pessoas directamente na ciência da SCIAENA, de que “é preciso ter uma relação emocional”.

Publicado por João Cão

Con(s)ciência juvenil

A Associação Juvenil de Ciência (AJC) é a única associação científica em Portugal dirigida e constituída por jovens. Neste momento com mais de 1600 membros espalhados pelo País. Juntos nesta rede cooperativa, investem na divulgação científica e em projectos de investigação e desenvolvimento. Formalizada em 1987, a AJC desenvolve feiras de ciência, debates, fins-de-semana científicos, palestras e encontros que envolvem os “jovens da ciência” e as localidades anfitriãs. Para uma geração com um ensino científico pobre de base, a AJC parece um bom sítio para ganhar con(s)ciência…

A principal actividade desenvolvida pela Associação Juvenil de Ciência (AJC) é o Encontro Juvenil de Ciência (EJC). Funciona como um congresso científico para jovens dos 15 aos 23 anos. Quem participa, vem partilhar o seu conhecimento, apresentando um trabalho de investigação. “Que poderá ser teórico”, acrescenta Francisco Ruivo, membro da Direcção eleito em Outubro passado. Durante 11 dias, na primeira quinzena de Setembro, o EJC é também uma oportunidade de explorar os arredores. O próximo encontro vai ser em Braga. Os cerca de 60 jovens poderão contar com visitas, actividades desportivas e convívio científico com palestras, debates e grupos de trabalho.

Com as mãos na ciência desde 1987, ano em que foi formalizada, a AJC já tem uma tradição na organização de eventos de e para jovens. O Encontro de Jovens Investigadores (EJI) existiu durante 15 anos como uma boa oportunidade para divulgar e comunicar projectos de ciência nas escolas durante alguns dias das férias da Páscoa. O último ocorreu em Santa Comba Dão. Paula Figueira, que fez parte da organização deste encontro, descreve-nos um impacto “bastante positivo”.

O dinamismo desta associação de jovens parte dos grupos regionais espalhados por Portugal. Vários grupos dinamizam actividades em campos diversos. Destacam-se o Grupo de Imagem e Fotografia, o Grupo de Estudo de Recursos Ambientais e o Grupo de Técnicas Aeroespaciais. Este último grupo visita escolas e ajuda na construção de microfoguetes, uma espécie de miniatura dos rockets que partem para o Espaco. “Uma introdução teórica é adaptada ao público alvo”, garante Francisco Ruivo.

Os resultados da recente reunião anual da AJC promete também envolver-nos em novas actividades. “Várias feiras de ciência vão representar a AJC pelo País”, descortina Francisco, o jovem tesoureiro. O apoio destas actividades passa pelo Programa de Apoio Juvenil (PAJ), Instituto Gulbenkian, autarquias locais e outros apoios pontuais.

Os melhores projectos de investigação juvenil tambem têm viajado além fronteiras com a AJC. A feira de ciência I-SWEEEP 2008 em Houston premiou o trabalho “Micropropagation of an endangered plant species” dos jovens Catarina Almeida, Nicole Rodrigues e Pedro Loução da Escola Secundária de Odemira com a medalha de prata. São bons resultados e uma boa representação da ciência dos jovens de Portugal.

Qual a imagem que a sociedade tem dos jovens? Uma falta de interesse crescente pelas ciências básicas, a matemática “à rasca”… “No meu tempo é que era…” diria o velho senhor. Francisco concorda. Hoje em dia “o nível de exigência é tão baixo”, a “carência por parte dos programas é enorme!” Ao transitar para o Ensino Superior, o aluno “embate-se com outra realidade”. E o que falta ao estudante do Secundário? Francisco sublinha as necessidades de método e de pensamento crítico, que podem ter resposta nas actividades da AJC. Quem participa, enriquece e diverte-se, ganha novos contactos e uma consciência renovada.

Mais: Associação Juvenil de Ciência, o sítio | I-SWEEEP 2008, vencedores da olimpíada

Publicado por João Cão