Category Archives: con(s)ciência

Saúde Pública (com humor)

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A verdade é esta: entre a meia-noite e as seis da manhã, até os mais esquisitos e mesquinhas com a comida se salivam com a bela gastronomia nocturna das barracas e das roulotes. Podemos ser perfeccionistas com a alimentação e caprichosos com a higiene, mas quando tarde e a más horas se trata, de nada adianta.
E porquê?
Tomei a liberdade de desenvolver uma equação com base em resultados experimentais:

p(A) + p(B) = µ

 Onde:

p(A) = probabilidade de encontrar estabelecimentos de restauração abertos durante a madrugada

p(B) = probabilidade de a malta ter ingerido elevadas quantidades de etanol

µ = qualquer baiuca serve para nos salvar da fome

Eis que certa noite, depois de algumas horas de divertimento, parei com alguns amigos numa caixa com rodas que vendia pizzas, hambúrgueres, cachorros, bifanas e afins. Havia um pequeno balcão que suportava um compartimento com alface, tomate e milho. Também havia cogumelos, e garanto-vos que estes não eram os únicos fungos presentes.

Era possível visualizar uma grande frigideira com aspecto de ter sido usada durante a Primeira Guerra Mundial e nunca mais ter sido lavada desde então, quando um velho senhor – com, no máximo, três dentes – indagou: «O que é que vai ser?»
Os pedidos foram dos mais variados, desde o hambúrguer com drosófila, ao cachorro com ácido desoxirribonucleico de roedor, e até havia o Menu Salmonela.

Fomos para casa satisfeitos, sem a noção do corajoso acto, que consistiu em colocar o nosso sistema imunitário à prova. No dia seguinte, restou-me agradecer por ter a vacina do tétano em dia.

Publicado por Pedro Lindo

Con(s)Ciência: O que andamos a beber?

Já pensou na água hoje? Não a da chuva, inoportuna, mas outra, a que bebemos. Esta semana, no Porto, um grupo de jovens propõe-nos debater e pôr em causa o que andamos a beber. Com a Futuros Sentidos, sustentabilidade é mais uma vez palavra-chave.

A Futuros Sentidos é uma associação de jovens que esta semana no Porto promove a campanha “O que andamos a beber?”. Como nos diz Pedro São Simão, “fazem-nos acreditar que a qualidade da água engarrafada é superior à da torneira”, mas será? Os debates e conferências esta semana na cidade do Porto ajudam-nos a ter uma resposta.

A Futuros Sentidos quer transformar a realidade. “Nasceu há um ano de uma conversa entre amigos”, explica-nos o Pedro em entrevista. Saídos da faculdade quiseram intervir, promover a consciência da sustentabilidade entre os jovens, que podemos escutar com o Pedro e descobrir no sítio da associação.

Com Pedro São Simão, a Futuros Sentidos (9:25)


Este grupo, com a partilha de conhecimento, quer transformar hábitos. “O que andamos a beber?” durante esta semana integra a Semana Europeia de Prevenção de Resíduos. E para 2011, a Futuros Sentidos instala-se no centro da cidade, no Bairro da Sé. Zona socialmente difícil, dura, mau estado de conservação e tráfico de substâncias. O Pedro explica-nos que o grupo vai trazer outras ocupações aos habitantes do bairro. Quintas Comunitárias são o grande projecto a implementar. Promovem a (re)aproximação à terra, oferecem outras perspectivas de futuro.

Publicado por João Cão

Con(s)Ciência: Em Gondomar, o namoro juvenil da Terra

Esta semana a Con(s)Ciência leva-nos até Gondomar. Ali, a partir da Escola Secundária de Gondomar nasceu o Geoclube. Dedicados à Ciência, Natureza e Aventura, os alunos finalistas deram continuidade ao trabalho iniciado pelos professores no ano de 1999.

O clube nasceu na Escola a partir da iniciativa enérgica de três professores. No último fim-de-semana, aquele Geoclube celebrou 11 anos e é autónomo da Escola Secundária. Carlos Ferreira é um dos fundadores da Associação e explica-nos como evoluiu. Ela promove actividades regulares, como a Caminhada de Manteigas a Penhas douradas, o acampamento de final de ano, o magusto e desfolhada do milho, em parcerias. Mas também, entre outras iniciativas, trabalha com o Programa Juventude em Acção da UE, com Intercâmbios e formações internacionais. Acções que podem ser descobertas no sítio da associação.

E qual é a próxima actividade de assinalar do Geoclube? A Feira de minerais e fósseis. “Uma tradição que já se começa a implementar em Gondomar”, diz-nos Carlos. Entre os dias 10 e 12 de Fevereiro no hall de entrada da Biblioteca Municipal de Gondomar. É um bom pretexto para visitar a cidade. Mesmo no fim-de-semana antes do dia dos namorados. Mesmo ao lado, vai estar o Salão Erótico do Porto. Mas com certeza que há tempo para vir namorar e conquistar tesouros da geologia.

Entrevista exclusiva a Carlos Ferreira do Geoclube  (09:59)


Publicado por João Cão

Con(s)Ciência: Os Biocas ensinam e divulgam as biociências

Hoje levamos a Con(s)Ciência a um laboratório que pretende divulgar as  Biociências no Parque de Biotecnologia, BIOCANT. Ali, encontramos o Centro de Ciência Júnior, onde os jovens podem descobrir mais da ciência experimental. Na quarta-feira exploravam reacções de polimerização, mas são muitas mais as actividades gratuitas a experimentar!


O BIOCANT Park é o primeiro parque de Biotecnologia de Portugal. O Centro de Ciência Júnior (CCJ) é o espaço de educação e divulgação científica do BIOCANT, Cantanhede, situado entre Coimbra e Aveiro. Não integra a rede nacional dos Centros Ciência Viva, mas dá uma resposta musculada a necessidades educativas. E também oferece uma nova perspectiva laboral aos alunos, do primeiro ao décimo segundo ano. “E aproveitam a visita para tirar algumas dúvidas quanto às áreas das biociências”, esclarece-nos Margarida Vieira, representante do CCJ em entrevista ao Blog.

Entrevista a Margarida Vieira do CCJ no passado dia 03 de Novembro (09:30)

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O CCJ já funciona há três anos e espera crescer em número de visitantes. As actividades são grátis, apenas é necessária a inscrição. Os Biocas começaram por abranger as escolas dos distritos de Coimbra e Aveiro. Mas, neste momento, já chegaram mais longe. Chegam a 8 distritos do país, desde o Porto a Santarém. Na passada quarta-feira com “Gelatina e Companhia”, a turma em visita começou a ver “as gomas, gelatinas, luvas, os materiais feitos por polímeros de uma outra forma”, assegura-nos Margarida. Para além desta, cerca de 20 actividades experimentais diferentes estão disponíveis e um sítio na internet actualizado e com conteúdos pedagógicos. Um pequeno laboratório que “é diferente, é divertido” e que está aqui para explorar.

Publicado por João Cão

Con(s)Ciência: Sustentabilidade na aldeia

Bem-vindos ao Centro de Convergência! Vindos da cidade foram viver para o Alentejo profundo e agora ajudam a Aldeia das Amoreiras a ser mais Sustentável. Venha conhecer, aproveitar e discutir esta linda comunidade.

Entre a serra, a planície e a praia, a Aldeia das Amoreiras é um sítio bem pacato para quem está habituado à densidade da vida urbana. André Vizinho foi um dos fundadores em 2007 do sítio que queria “fazer a ponte entre a cidade e a aldeia”, o Centro de Convergência.

Nos últimos três anos a vivência conjunta nas Amoreiras trouxe muitas actividades que contribuíram para o desenvolvimento local. Numa entrevista exclusiva para o blog VAC, André apresenta-nos o projecto Aldeia Sustentável, que hoje e amanhã é celebrado (e que aqui é apresentado).

Ouça aqui em exclusivo a Entrevista a André Vizinho do Centro de Convergência:

Parte 1 de 2 (8:45)

O que é o Centro de Convergência?

 Parte 2 de 2 (9:13)

O Projecto Aldeia Sustentável. Mas que sustentabilidade?

Neste Projecto, “em que a base é a participação”, o primeiro passo foi colectar os sonhos da população. Agora, após caracterizar sociologicamente os habitantes, o centro facilita os grupos de trabalho a realizar as aspirações da aldeia.

Com a desertificação crescente da área, a aldeia conta com cerca de 200 habitantes. Pedi à Dona Céu, uma das activas residentes, para usar a sua inspiração poética para presentear os leitores aqui do blog. Muito trabalho no monte não permitiu, mas mostra-nos desabafos de uma velha aldeia que se quer encontrar.

Poesia D. Céu, Aldeia das Amoreiras

Publicado por João Cão
Nota: A Entrevista completa e o artigo “Con(s)ciência: Biotecnologia para muita, muita, mesmo muita gente” que retratavam o CiB- Centro de Informação de Biotecnologia – foram retirados do blog a pedido de Pedro Fevereiro, presidente do CiB.

Dá-me mais Con(s)ciência

A Con(s)ciência é uma rubrica que retrata colectivos que trabalham e divulgam ciência em Portugal, inaugurada há quase um ano aqui.

Eu tenho escrito e descrito algumas organizações por cá e quero continuar semanalmente, agora às quartas-feiras. Mas relembro que para contribuir, quer para esta rubrica, quer genericamente para o blog basta entrar em contacto.

Temos muita(s) ciência(s) que enche(m) as medidas e uma consciência sempre ávida de ser mais preenchida.

Bom fim-de-semana!

Publicado por João Cão

Con(s)ciência: Trilhos de Esplendor

Trilhos que têm passado pelo Cabo Mondego. O esplendor que nasce da riqueza dos ecossistemas, fauna e flora desta zona costeira. Este fim-de-semana, se o tempo ajudar, aproveite para (re)descobrir o Estuário do Mondego, a Serra da Boa Viagem e praia de Quiaios com a companhia da Trilhos d’ Esplendor.

A Trilhos d’Esplendor é uma associação fundada em 2009 que promove a descoberta da riqueza do Cabo Mondego. Contribui para o desenvolvimento da protecção, educação ambiental e do turismo ecológico da região. Na descoberta de biodiversidade e geologia, proponho que explore actividades de ocupação de tempos livres a partir deste sítio.

A associação tem várias páginas na internet no formato de blog que documentam a Flora, Fauna e Ecossistemas do Cabo Mondego e regiões adjacentes. O interesse está na documentação desta biodiversidade. “Em Portugal não existem ainda muitos guias como, por exemplo, nos países anglo-saxónicos”, esclarece-nos o Dr. Horst Engels, Presidente da associação sediada em Quiaios, no concelho de Figueira da Foz.

Foi em Quiaios, na sede, na altura uma geladaria, que se reuniram aqueles que se tornariam os fundadores da Trilhos de Esplendor. Partilhavam ligações ao ensino e, claro, à ciência. “A ideia originária que se mantém tinha sido estabelecer um link entre as universidades portuguesas e o público em geral”, diz-nos Engels.

A Trilhos de Esplendor celebra a Biodiversidade do Cabo Mondego, a norte da cidade da Figueira da Foz. A sul do cabo e da cidade, o estuário do Mondego, com sapais, salinas e aquaculturas. Na direcção oposta, a norte da cidade, passada a Serra da Boa Viagem, a costa que se estende… A praia de Quiaios com recifes e um jazigo de fósseis e a norte as dunas de Gândara, Mira e Gafanhas, com tanto para descobrir!

Para este fim-de-semana o Instituto de Metereologia promete aguaceiros para domingo. Mas talvez, entre as nuvens, consiga encontrar o esplendor da região… Será que consegue encontrar gansos-patola ou salamandras-dos-poços?

Quando eu era uma pessoa mais pequena a minha mãe levava-me a passear à densa Serra da Boa Viagem. Desde esses tempos transpirados, a flora transformou-se, no rescaldo dos incêndios, com a invasão de acácias. Contudo, há sempre coisa boa que na terra brota. Quando lá voltar, vou procurar a erva agrimónia. Talvez saiba embalar o meu sonho e levar-me de volta aquela Primavera…

Publicado por João Cão

Con(s)ciência: Drogas e Sexualidade no CHECK-IN

O CHECK-!N é um grupo de pessoas que intervêm para esclarecer assuntos sobre drogas e sexualidade. Os membros do grupo, muitos deles voluntários, estão envolvidos na comunicação científica especializada sem tabus. Esclarecem sobre o risco e prazer das nossas drogas de consumo e práticas sexuais. No rescaldo de um Verão quente, a passagem pelo CHECK-!N ajudou a iniciar viagens mais seguras…

muitas substâncias psicoactivas que circulam nos nossos hábitos de consumo. O café e o açúcar, tão valorizados, e as drogas de farmácia que constroem a nossa “nação Prozac”. E, claro, o álcool. E é na noite e nos espaços de diversão que o CHECK-!N oferece os seus serviços antes de iniciarmos a nossa viagem. A qualidade da intervenção é importante. Os membros da equipa são pares dos participantes da festa, identificam-se também com o ambiente. As pessoas que usufruem do serviço são plenamente respeitadas. O CHECK!N abstem-se de julgamentos morais, ajuda a prevenir comportamentos de risco antes de levantar voo.

Este CHECK-!N já ajudou a embarcar mais de 34 mil pessoas numa viagem mais segura. Como? Com informação facilitada, pela entrega de material diverso. Contraceptivos sexuais, lubrificantes, tampões auditivos, borrifadores de água, kits para o consumo por inalação de menor risco. Em cada festa, diferentes necessidades. São “tribos” diferentes, com hábitos de consumo diversos. Para cada festa, as suas drogas. E, claro, o consumo tem sempre riscos associados. Drogas adulteradas, dosagens inadequadas podem roubar o prazer da viagem. Socialmente, este é um “trabalho de educação que é preciso fazer!”, reforça Filipa Soares, membro deste grupo.

Durante a visita ao CHECK-!N, o utilizador pode também testar as suas substâncias psicoactivas e ser aconselhado. Ou se quiser participar à distância pode fazê-lo no sítio da organização.

Os postos de informação CHECK-!N fazem-se acompanhar, desde 2009 e sempre que justificável, por um mini laboratório móvel. Substâncias ilegais são postas à prova. Usando técnicas de análise química qualitativa, como a Cromatografia de camada fina, identificam-se os constituintes da amostra. A adulteração de drogas sintéticas, como o ecstasy (MDMA), é um risco para a saúde pública.

Os testes de Alcoolemia são um dos serviços CHECK-!N

O projecto CHECK-!N faz parte da APDES (Agência Piaget para o Desenvolvimento), uma associação privada sem fins lucrativos que visa o desenvolvimento local e das populações. O trabalho desenvolvido também se faz em rede com outras entidades em plataformas como a rede europeia “Democracy, Cities & Drugs II”. Quem está envolvid@ no CHECK-!N “acredita naquilo que faz e nos resultados positivos da intervenção”, diz-nos Helena Valente, também colaboradora do projecto. “É gratificante trabalhar com esta proximidade das pessoas” acrescenta Filipa. Ela também já colaborou com uma organização parceira do CHECK-!N, a espanhola Energy Control, que tem uma abordagem de campo muito semelhante, veja neste video.

Este trabalho de campo, esta proximidade, é uma boa oportunidade para desenvolver investigação sociológica. Os dados recolhidos são igualmente importantes para reforçar o Sistema de Alerta Nacional e Europeu de Identificação de Substâncias potencialmente perigosas que circulam no mercado. Hoje em dia, a equipa CHECK-!N está repartida por Viseu e Lisboa, co-financiada pelo IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência). Com financiamento próprio da APDES, está também na área metropolitana do Porto e pelos Festivais de Verão.

Os festivais de Verão, as discotecas, são um espaço fundamental de construção de identidade. Os objectivos deste grupo passam não só pela redução de comportamentos de risco na sociedade portuguesa, como também pela melhoria das condições das festas. E as equipas multidisciplinares CHECK-!N já passaram por muitas: Queimas das Fitas, Vilar de Mouros, Paredes de Coura, Azurara Beach Party, Boom, Andanças, Anti-Pop e Neo-Pop, etc. De todas estas festas, onde é que encontraram a tribo social mais consciente? “No Boom”, responde sem dúvidas a Filipa. O famoso festival de Idanha-a-Nova é a “elite das pessoas informadas”. “Contudo”, acrescenta, “em cada sítio apanhas de tudo”.

Publicado por João Cão

con(s)ciência: ANICT quer mais diálogo entre Investigadores e decisores políticos

Visita de Deputados ao Centro de Investigação da Universidade do Minho (Maio de 2009)

A 8 de Janeiro de 2010, a Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT) era formalmente constituída. A recém-formada instituição pretende representar os interesses profissionais dos Investigadores Científicos Doutorados a trabalhar em Portugal e tem já um horizonte de acção muito bem delineado. Promete acção como «parceiro no diálogo entre os Investigadores e o Governo (assim como outras instituições que participam na definição da política de Ciência em Portugal)» e no contributo para a «disseminação do conhecimento científico para o público em geral».

Os representantes da ANICT apontam como assunto mais urgente a criação de «um consenso sobre o que será o mercado de trabalho em Ciência em Portugal». «Gostávamos que um cientista a trabalhar em Portugal soubesse claramente quais as oportunidades presentes e futuras», afirmam numa entrevista exclusiva ao blogue Viver a Ciência, que aqui disponibilizamos na íntegra.

Publicado por Sílvio Mendes

Viver Sustentável – Con(s)ciência de Copenhaga

O Projecto 270 é um espaço que procura novas respostas de sustentabilidade. Na pequena quinta há uma exploração agrícola de permacultura, distribuição de bens alimentares com comércio justo, workshops vários, educação científica e ambiental. Situado na Costa da Caparica é Nuno Belchior quem dá a cara pelo projecto. A Sustentabilidade que falamos é tanto ecológica, como económica e social. Procurando uma acção em rede, Nuno está agora em Copenhaga, no KlimaForum, o encontro de pessoas pelo clima, vizinho do grande COP-15. Na capital dinamarquesa está agora o epicentro das decisões que nos dizem respeito a todos. Como partilhamos as nossas comunidades, como somos como sociedade humana e como vivemos a nossa Ciência.

O Projecto 270 é um projecto de reabilitação de uma parcela de terreno situada na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, junto ao oceano. Desde 2005, entre a Praia da Rainha e a Praia da Riviera, que aqui habitam Nuno Belchior e a sua família. É um espaço que priveligia a diversidade biológica e cultural. Experimenta-se aqui o desenvolvimento local sustentável. Por aqui já passaram algumas intervenções artísticas, como instalações e música ao vivo. É um espaço de educação científica e ambiental. Há formação em permacultura e cultura biológica, com oficinas e actividades de outros saberes, como terapias e massagens. Vendem-se produtos de agricultura biológica e da rede de Comércio Justo. É um espaço transcultural. O desenho e manutenção de um espaço verde sustentável experimenta-se, com diferentes técnicas e espécies em cultivo, fruto da troca de saberes e materiais. Uma diversidade colorida na procura de uma modernidade alternativa com o Projecto 270.

Ao viver a proposta do 270, em diálogo com a Natureza, experimentamos uma forma de estar muito diferente da urbe a poucos quilômetros de distância. Aproximamo-nos de como vivem muitas comunidades no hemisfério sul. Ao viver como a família do Nuno e tantos agricultores familiares do Mundo inteiro podemos aprender sustentabilidade.

Copenhaga, Epicentro de Acção


O modelo de desenvolvimento neo-liberal, uma civilização que cresce exponencialmente e usa os recursos naturais da pequena Terra, é um modelo com fim anunciado há muito. O Nuno está agora em Copenhaga, tal como muitos jovens da Via Campesina e outros que praticam o chamado “ecologismo/ ambientalismo dos pobres”. Discutem e anunciam alternativas sociais, tal como várias organizações agora na capital dinamarquesa.

Nas ruas e no Bella Center, o centro de decisão do momento, muitos activistas manifestam-se em Copenhaga. Há Organizações Não-Governamentais de prestígio ali representadas e muitos movimentos sociais. Uma voz conjunta pede uma mudança de sistema, uma outra ordem social. Comemora os dez anos da manifestação de Seattle, quando a força da massa de gente foi reconhecida. Através da intervenção não violenta querem impor na agenda política a vontade de mudança. O Nuno Belchior participa agora no encontro da sociedade civil global sobre o Clima, o KlimaForum (aqui página em inglês). Este é o maior evento sobre Clima em Copenhaga para além da Conferência das Nações unidas.

A 15.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP-15) ocorre simultaneamente. Hoje no último dia, o COP-15 é a maior conferência diplomática de sempre. Espera-se que a partir do Bella Center saia um pacto mundial e um programa de acção que cumpra medidas de atenuação e de adaptação às alterações climáticas. A diplomacia trabalha tendo como base os relatórios de análise do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O Aquecimento Global, o conjunto de alterações climáticas, é causado pelos gases com efeito de estufa (GEE). Este é um facto reconhecido pela maioria da comunidade científica, apesar dos Climategates que assaltam a opinião pública.

Climategate, ciência sem interesse?

 

 

"With This Flag I Surrender", © Matthew Woodson

 

A comunidade científica foi abalada no final de Novembro pelo que ficou conhecido como Climategate. Piratas informáticos assaltaram o servidor usado por cientistas da Unidade de Investigação Climática da Universidade de East Anglia. Depois, disponibilizaram on-line e-mail‘s e documentos oficiais, segmentos de informação que punham em causa a boa fé e veracidade do trabalho desenvolvido. Abriu-se espaço ao cepticismo. O conjunto de alterações climáticas conhecido como Aquecimento Global está realmente a acontecer? E se sim, é a actividade humana a real responsável?

Há uma comunidade científica atenta e responsável. Muita da informação oferecida ao público pelo Climategate foi descontextualizada e deturpada. Existe um escalar de alterações climáticas reconhecido. Mais preocupante é o fosso entre o conhecimento científico e a opinião pública…

Conhecer a dúvida na Ciência e Decidir

O desafio de agora é democratizar a Ciência, fazê-la acessível a todos. Tal como a Agência Europeia do Espaço (ESA) nos mostrou na semana passada com “Alterar a tendência” (aqui noticiado pela Ciência Hoje). Mais, é mostrar como a Ciência também tem erros e é um processo. Os GEE são os responsáveis pela aceleração de alterações climáticas no Mundo. Daqui a alguns anos, a compreensão de fenómenos pode-nos dar outras conclusões.

O corpo científico chega a um consenso. Mas continua numa procura constante de respostas em diferentes direcções. O cientista vive com a dúvida. Por vezes, as respostas que encontramos são inesperadas, põe em causa o nosso conhecimento. Porquê? Como um quebra cabeças sem solução, ficamos sem saber. Até aquele momento em que nasce uma nova teoria, que unifique, que explique, que responda.

Thomas Kuhn descrevia em 1962 a evolução do conhecimento científico. Todo este corpo de conhecimento assenta numa verdade consensual, um paradigma. Até que há uma altura em que se encontram novas evidências que trazem incerteza à verdade científica. A partir desse momento, deixa de haver uma ciência normal para haver uma ciência de revolução. ou uma ciência pós-normal, como o põe Silvio Funtowicz e Jerome Ravetz mais recentemente.

 

"And Though You've Loved a Thousand Men", © Matthew Woodson

 

A comunidade científica procura um consenso. Simultaneamente, há questões urgentes que precisam da nossa intervenção. Tem que ser tomada uma decisão. Temos que reformar com urgência a forma como vivemos neste planeta, partilhar recursos e procurar a sustentabilidade. Esta decisão cabe aos governos de cada nação, que hoje tentam um acordo final em Copenhaga. Mas as vozes de tantos como a do Nuno Belchior e projectos de consciência ecológica e social como o Projecto 270 são um alerta. Parte de nós, individualmente e nas nossas comunidades também decidir. Temos que pensar o nosso futuro.

Publicado por João Cão