Category Archives: Comunicação de Ciência

Rolanda Albuquerque de Matos (1926-2015)

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(c) Joana Barros, Associação Viver a Ciência, 2008.

Rolanda Albuquerque de Matos (1926-2015), primeira mulher licenciada em Biologia em Portugal que dedicou grande parte da sua vida ao estudo dos Moluscos.
Da sua extensa actividade científica resultou a mais completa listagem das espécies de caracóis que ocorrem em Portugal. O seu trabalho foi também fonte de inspiração para a Associação Viver a Ciência, na elaboração do projecto “Sair da Concha” (de Raquel Gaspar), com o qual colaborou. Razões mais que suficientes para lhe deixarmos aqui a nossa homenagem.

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Texto de Rolanda Matos, integrado no livro “Caracol, Caracol, põe os pauzinhos ao sol” (Projecto “Sair da Concha”, Associação Viver a Ciência).

 

Nota biográfica:
Rolanda Albuquerque Matos era licenciada em Ciências Biológicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Entre 1949 e 1954 foi, na mesma Faculdade, responsável pelas aulas práticas das cadeiras de Zoologia e Antropologia, ao mesmo tempo que prosseguia trabalhos de investigação iniciados dois anos antes no Museu e Laboratório Antropológico.
Depois, já em Lisboa, grande parte da sua actividade científica foi desenvolvida no Centro de Genética e Biologia Molecular, onde efectuou principalmente estudos sobre genética de Helicídeos.
Posteriormente, dedicou-se à sistemática e cartografia dos Gastrópodes Testáceos terrestres portugueses, tendo frequentado por largos períodos os Museus de Zoologia das Universidades Clássicas portuguesas: Lisboa, Coimbra e, mais assiduamente, Porto, para estudo das colecções neles depositadas.
Outros temas de estudo foram: citologia, citoquímica e diferenciação celular, tecnologia lanar, sistemática de Peixes e Anfíbios, ecologia e protecção da fauna portuguesa. É autora de mais de setenta publicações científicas: trabalhos de investigação, divulgação, formação e traduções.

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Mais: Projecto “Sair da Concha” | Entrevista a Rolanda Matos no Boletim Biólogos | Biografia pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Edgar Martins, o “fotógrafo-astronauta” português

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O jornal britânico The Independent deu, no passado fim-de-semana, especial destaque às fotografias de Edgar Martins, que nasceu em Portugal (em 1977) e cresceu em Macau. Está a expô-las actualmente em Londres, até 29 de Maio. A 19 de Junho, a exposição estará no edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, Portugal). E seguirá para países como França, Alemanha, Brasil, Estados Unidos e Japão.

A exposição chama-se The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility to Manage the Infinite (O Ensaio do Espaço e a Impossibilidade Poética de Conter o Infinito) e apresenta 86 fotografias que vão da escala macro – foguetes, satélites, módulos de treino, salas limpas – aos componentes micro, quase invisíveis ao olho humano. Foram captadas em estabelecimentos da Agência Espacial Europeia (ESA) e parceiros, passando por cerca de vinte locais, como Reino Unido, Holanda, França, Alemanha, Espanha, Rússia, Cazaquistão e Guiana Francesa. Foi mesmo a primeira vez na história da ESA que um artista teve acesso exclusivo às suas instalações, staff, programas, tecnologia e parceiros.

Edgar Martins, que trabalhou as imagens desde 2012, confessou à revista de domingo do jornal The Independent que também ele desejou tornar-se astronauta quando era criança. Através da fotografia, acabou por realizar o sonho de uma forma alternativa: colocando a história e o espólio da ESA em diálogo com as artes e o público em geral.

O projecto aprofundou ainda mais uma convicção que Edgar Martins já tinha: os programas de exploração espacial têm uma importância fundamental no desenvolvimento da ciência, engenharia, educação, medicina e inspiram aplicações com consequências positivas para todos nós no futuro, como disse ao The Independent.

Saber mais: Notícia no site da ESA | Notícia do The IndepentSite de Edgar Martins | Site da Exposição em Londres

Publicado por Sílvio Mendes

Carta de Um Aluno (com humor)

5Um aluno que reprovou num exame de de Microbiologia resolve escrever um email ao professor.

Caro Professor,

Venho por este meio mostrar a minha profunda tristeza ao saber que reprovei à sua cadeira. Devo dizer que não estava à espera de uma nota tão baixa.

De uma forma geral os resultados estão dentro da normalidade, pois passaram dois alunos entre os quarenta e seis inscritos. No entanto, devo confessar que não faço a menor ideia de como obtive apenas um «cinco». Não esperava tirar 20, é certo. Até porque não respondi a quatro questões, e só fiz exame para 14. Mas estava confiante de tirar ao menos um 9 e que depois o professor o pudesse esticar para 10.

Devo dizer-lhe, caro professor, que o exame não era pêra doce. Havia questões muito difíceis, como a «Explique a diferença entre uma bactéria gram-positiva e gram-negativa». Certamente que o professor sabe que metade de nós chumbou a Cálculo I e Cálculo II (assim como a Álgebra), pelo que colocar uma questão destas é de muito mau gosto.

Quanto à pergunta «Quais as características de um agente antimicrobiano ideal», penso que deveria ser anulada, pois na vida (seja em escala micro ou não) não existe nada que seja ideal ou perfeito, e, como tal, a pergunta deixa de ter qualquer sentido. 

Já a questão «Como pode a microbiologia ser aplicada na indústria», penso que tinha rasteira, e por isso respondi «Não pode, caso a ASAE esteja presente».

Só me senti confiante quando cheguei à pergunta «Defina biofilme, dando dois exemplos». Aí eu expliquei que se trata de um filme de origem biológica, e dei como exemplo os meus preferidos: o Biomatrix e o Biosenhor dos Bioanéis.

Resta-me, por fim, colocar a questão que me levou a escrever-lhe: É possível realizar uma prova complementar ou um exame oral? Acredito sinceramente que o meu «cinco» pode ser melhorado, pois estou confiante que tenho capacidades para mais.

Sem outro assunto de momento, apresento os meus melhores cumprimentos,

            O Aluno

P.S. – Aproveito para o informar que estou a vender uma máquina de espremer laranjas em segunda mão. O equipamento está em muito bom estado e o preço é negociável. Se o professor estiver interessado, não hesite em contactar.

Publicado por Pedro Lino

Coro de vozes em defesa da Comunicação de Ciência em Portugal

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Imagem de uma das sessões do Congresso de Comunicação de Ciência – ScicomPt 2013, que juntou centenas de pessoas, em Maio passado.

A recente notícia da extinção das bolsas em Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia (PACT) deu origem a um coro de protestos que tem ganho força nos últimos dias. A multiplicação de vozes ganhou fôlego com a criação de um manifesto em defesa da comunicação de ciência que, em menos de uma semana, superou já as 500 assinaturas. A estas vozes juntaram-se as de personalidades da ciência e da comunicação de ciência como Carlos Fiolhais, Gonçalo Calado e David Marçal, que justificaram o seu descontentamento nas páginas da imprensa portuguesa.

As bolsas PACT têm, nos últimos anos, tido um papel fundamental nas actividades de comunicação de ciência (e angariação de fundos) que são desenvolvidas em Portugal. O manifesto reclama, por isso, “a manutenção da aposta na promoção da ciência, como pilar fundamental da política científica em Portugal”, uma vez que não foi apresentada qualquer medida alternativa após extinção da área.

Excerto do manifesto:
«No concurso aberto este ano para atribuição de bolsas individuais da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a entidade que em Portugal gere a maior parte dos fundos públicos para a ciência, foi eliminada a área científica denominada Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia (PACT). Criada em 2005 esta área tem permitido que se faça investigação a nível de doutoramento ou pós-doutoramento em Comunicação de Ciência.
(…)
Em qualquer tipo de enquadramento económico a aposta na ciência é fundamental para um futuro melhor. Nesse contexto, a promoção da ciência assume-se como uma prioridade estratégica, que é fortemente abalada com o fim da área de Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia.»

O que dizem também os signatários do manifesto.

Aqui deixamos também as ligações e alguns excertos dos artigos que têm vindo a ser publicados sobre o assunto:

David Marçal (Público, 14 de Agosto)Acabar com a promoção da ciência é dar um tiro no pé

« Esta área tem conhecido progressos extraordinários na última década, para os quais os bolseiros PACT têm contribuído de forma muito relevante. A extinção destas bolsas é um sério recuo e põe em causa a continuidade do desenvolvimento da comunicação de ciência em Portugal, que cada vez é mais valorizada pelas agências de financiamento internacionais e pelas instituições europeias. Isto porque os dias de fazer investigação científica sem explicar às pessoas o que se está a fazer com o dinheiro delas e a importância da ciência, estão contados.

Manter as bolsas PACT não implica um aumento de despesa, apenas uma maior diversidade de áreas em que são atribuídas as bolsas. Aliás, estas bolsas nunca foram muitas. Numa situação de grande contenção orçamental, acabar com a promoção da ciência e tecnologia é dar um tiro no pé. Para defender o investimento na ciência (sem a qual não há futuro que interesse) é preciso que os contribuintes compreendam a sua importância.»

Carlos Fiolhais (Público, 5 de Setembro)Em defesa da cultura científica

«A cultura científica entre nós já conheceu melhores dias. Um sintoma da falta de atenção da FCT a essa cultura é a recente extinção no seu seio, pela calada de Agosto, de duas áreas indispensáveis a compreensão pública da ciência: a Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia, que cobre os vários aspectos da comunicação da ciência, e a História da Ciência e Tecnologia, que tem sido das áreas mais produtivas nas nossas ciências sociais.» «Na gestão da ciência, como aliás na gestão de qualquer coisa, não há apenas a questão da falta de dinheiro, há também e sobretudo a questão da falta de inteligência. A falta de cultura científica pode custar-nos não apenas a ciência, mas também o futuro.»

Gonçalo Calado (Público, 5 de Setembro)Não apoiar a comunicação em ciência faz parte de uma estratégia

«Fala-se de “cidadãos-cientistas” e da forma como se podem utilizar milhões de horas de voluntariado científico para a obtenção de dados relevantes – desafios novos para os cientistas profissionais e, em particular, para os comunicadores de ciência. Por cá tentamos dar um passo atrás, mas não vamos conseguir.»

Publicado por Sílvio Mendes

O que é um filme de ciência? (A)Mostra tenta encontrar resposta

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Resposta à pergunta “O que é um filme de ciência?” procura-se na (A)MOSTRA | Filmes e Ciência, a realizar no domingo, dia 26 de Maio, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.

A busca faz-se através da projecção de sete filmes portugueses com características bem distintas, desde longas-metragens documentais a vídeos educativos e episódios de séries televisivas.
A (A)Mostra é comissariada pela Associação Viver a Ciência (VAC) e promovida pela organização do Congresso de Comunicação de Ciência Sci Com PT 2013 (que acontece a 27 e 28 de Maio).

Programa:

26 de Maio*, Auditório do Pavilhão do Conhecimento
(PACO)

*Evento aberto ao público e de entrada livre

14h: Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um geógrafo (2010; António João Saraiva e Manuel Carvalho Gomes)

15h: ANGST (2010; Graça Castanheira)

16h15: Curtas-metragens
:: A flor, a formiga e a borboleta ameaçada (2008; Bruno Cabral, Ivânia West e Patrícia Garcia-Pereira)
:: EX VIVO, aquilo que tem lugar fora do organismo (2012; Júlio Borlido, André Macedo e Augusto Gomez)
:: Nós, os fantásticos seres vivos: uma breve história sobre Evolução (2012; Osvaldo Medina)
:: LPDJLQH D VHFUHW (2010; Armindo Albuquerque Moreira)
:: A tabela é mesmo periódica (Antestreia: 2013; Rui Brás)

17.20h: DEBATE: O que é um filme de ciência?
Com:
Graça Castanheira (ANGST),
Bruno Cabral (A flor, a formiga e a borboleta ameaçada),
André Macedo (EX VIVO, aquilo que tem lugar fora do organismo)
Osvaldo Medina (Nós, os fantásticos seres vivos)
Rui Brás (A tabela é mesmo periódica)
António João Saraiva (Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um geógrafo)

Moderação:
Martin Pawley (produtor, programador, crítico de cinema e divulgador de ciência. Responsável  pela Mostra de Ciencia e Cinema da Coruña).

Publicado por Sílvio Mendes

Vê-se à segunda (31): “Aprender biologia agora é fixe”: o ADN

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A Carolina, minha amiga sem nenhuma ligação profissional à ciência, enviou-me um e-mail com o seguinte título: “aprender biologia agora é fixe!

No corpo de e-mail estava este magnífico mini-documentário da BBC, que se inclui numa estratégia da estação de publicar online uma série de peças de animação, com três minutos de duração, sobre os mais variados temas científicos, desde a história às ciências mais “duras”.
A iniciativa chama-se BBC Knowledge Explainer. No vídeo que aqui partilhamos, a estrela é o ADN.

E nos comentários da Carolina (o mail é complementado por um “tem gráficos cool e não é seca :)”) fica-nos a ideia que os esforços dos comunicadores de ciência em tornar a ciência mais atractiva começam a surtir efeito.
Obrigado Carolina.

Publicado por Sílvio Mendes

Congresso discute ‘comunicação de ciência portuguesa’ em Maio

Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2013 realiza-se nos dias 27 e 28 de Maio, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.

© Rita Caré, desenhado durante o Encontro Sci Com Portugal, em Abril de 2011.

© Rita Caré, desenhado durante o Encontro Sci Com Portugal, em Abril de 2011.

:: Envolver o público
:: Envolver os cientistas
:: Envolver os media

«O Congresso de Comunicação de Ciência 2013 pretende ser um ponto de encontro e discussão para todos os que trabalham e se interessam pela comunicação e divulgação da Ciência.
A comunidade de profissionais que se dedicam à investigação, promoção, comunicação e disseminação de ciência em Portugal tem-se desenvolvido consideravelmente nos últimos anos, com o correspondente aumento na quantidade e qualidade do trabalho realizado nestas áreas. Paralelamente a este crescimento, o interesse pelas questões científicas e tecnológicas e a procura de informação científica aumentou de forma sensível nos diferentes sectores do público. Com esta evolução, também amplificaram as oportunidades e a necessidade de actualização, de debate e de interacção na comunidade de profissionais de comunicação de ciência. O Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2013 pretende ser uma plataforma ao serviço desses objectivos.»

Datas importantes:
Data limite para submissão de propostas: 26 de Março de 2013
Data de anúncio das propostas aceites para comunicação: 22 de Abril de 2013
Data limite para inscrição: 20 de Maio de 2013

Contactos oficiais: Blogue | Twitter | Facebook

Publicado por Sílvio Mendes