Category Archives: Arte e Ciência

Há Música na natureza: aranhas “guitarristas”

Depois de ler este texto, nunca mais olhará para uma aranha da mesma forma. É que quando uma aranha constrói a sua teia, acontece uma coisa extraordinária: afina cada um dos seus fios, esticando-os ou encurtando-os, como se fosse um instrumento musical. Cada fio vibra a uma frequência diferente. Quando um insecto pousa na teia, a aranha consegue calcular onde ele está, através da analise do padrão e da natureza das vibrações da teia e do correspondente fio.
A aranha consegue, através desse processo, distinguir uma deliciosa refeição deliciosa de um potencial “encontro romântico”.

As conclusões são de um grupo de investigação britânico – o Oxford Silk Group – e podem ser lidas com mais detalhe aqui (em inglês). Adam Cole, da NPR, transformou-as neste incrível vídeo de animação.

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Edgar Martins, o “fotógrafo-astronauta” português

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O jornal britânico The Independent deu, no passado fim-de-semana, especial destaque às fotografias de Edgar Martins, que nasceu em Portugal (em 1977) e cresceu em Macau. Está a expô-las actualmente em Londres, até 29 de Maio. A 19 de Junho, a exposição estará no edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, Portugal). E seguirá para países como França, Alemanha, Brasil, Estados Unidos e Japão.

A exposição chama-se The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility to Manage the Infinite (O Ensaio do Espaço e a Impossibilidade Poética de Conter o Infinito) e apresenta 86 fotografias que vão da escala macro – foguetes, satélites, módulos de treino, salas limpas – aos componentes micro, quase invisíveis ao olho humano. Foram captadas em estabelecimentos da Agência Espacial Europeia (ESA) e parceiros, passando por cerca de vinte locais, como Reino Unido, Holanda, França, Alemanha, Espanha, Rússia, Cazaquistão e Guiana Francesa. Foi mesmo a primeira vez na história da ESA que um artista teve acesso exclusivo às suas instalações, staff, programas, tecnologia e parceiros.

Edgar Martins, que trabalhou as imagens desde 2012, confessou à revista de domingo do jornal The Independent que também ele desejou tornar-se astronauta quando era criança. Através da fotografia, acabou por realizar o sonho de uma forma alternativa: colocando a história e o espólio da ESA em diálogo com as artes e o público em geral.

O projecto aprofundou ainda mais uma convicção que Edgar Martins já tinha: os programas de exploração espacial têm uma importância fundamental no desenvolvimento da ciência, engenharia, educação, medicina e inspiram aplicações com consequências positivas para todos nós no futuro, como disse ao The Independent.

Saber mais: Notícia no site da ESA | Notícia do The IndepentSite de Edgar Martins | Site da Exposição em Londres

Publicado por Sílvio Mendes

Ciência em Portugal (sem humor)

ImageRecentemente foram revelados os números que traduzem uma quebra acentuada na atribuição das bolsas de doutoramento no nosso país. Desconfio que, por outro lado, o número de vagas para as jotas do PSD aumentou.
E não é de admirar. Quem é que, nos dias que correm, quer tirar um doutoramento, se pode ter um tacho na autarquia onde o primo-afastado-mas-que-ainda-assim-é-da-família trabalha?

Abaixo a ciência, não precisamos dela. Fechem todos os laboratórios, são supérfluos. Acabem com as universidades, só dão prejuízo. Aplicações e patentes? São inúteis. Eu tenho algumas ideias que penso serem melhores. Ei-las:

– Criar a BV (Bolsa de Vereador), com duração de 4 anos, podendo ser renovável por mais 4. O valor da bolsa corresponde a 1950€ + vales de refeição, que são 6 por dia.

– Inaugurar a FABPN (Fundação Ajudem o Banco Português de Negócios), que se dedica à angariação de fundos para injectar na respectiva identidade bancária.

– Criar o FMIPPAJJ (Fundo Monetário Ilimitado Para as Políticas do Alberto João Jardim), com o objectivo de apoiar a dívida da Região Autónoma da Madeira, assim como o fogo-de-artifício utilizado no Réveillon.

Estas são apenas algumas sugestões. Penso que são políticas como estas que devem andar para a frente, e não questões desnecessárias como «De onde nascem as ideias, a investigação e o desenvolvimento?». Se por acaso surgir algum novo vírus que seja uma ameaça para a saúde humana, aplicamos-lhes um submarino e um estádio de futebol, que fica o problema resolvido.

Publicado por Pedro Lino

Documentário «Abelhas e Homens» estreia esta semana em Lisboa

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Estreia amanhã, 10 de Outubro, o documentário «Abelhas e Homens – E se as abelhas desaparecessem?». O filme, da autoria de Markus Imhoof, estará em exibição no Cinema City Alvalade, em Lisboa.

Sinopse:
«De há três anos a esta parte as abelhas andam a morrer em todo o mundo. Embora as causas ainda continuem a ser um mistério, uma coisa é clara: está em causa algo mais que a simples morte de uns quantos insectos e bem mais do que apenas uma questão de mel.
Em busca de respostas, o filme embarca numa viagem para encontrar as pessoas cujas vidas dependem das abelhas: de um apicultor suíço que vive nos Alpes até aos gigantescos pomares de amendoeiras na Califórnia, passando por um investigador do cérebro das abelhas em Berlim, uma comerciante de pólen na China e as abelhas assassinas do deserto do Arizona.
Todos referem o desaparecimento das abelhas. O filme fala-nos das suas vidas. E das nossas.»

Nota do Realizador (resumida):
«Na luta das abelhas contra a economia de mercado neoliberal, há um momento em que u negociante de abelhas pressiona os apicultores e estes pressionam as suas abelhas a aumentar ainda mais o seu desempenho. As abelhas tornaram-se trabalhadores escravizados, uma máquina a quem basta apertar um botão para pôr a funcionar. Correndo o risco de soar presunçoso, posso até dizer que esse filme é um pouco como os Tempos Modernos do Chaplin contado pelas abelhas» (Markus Imhoof, Realizador)

Saber mais: Site oficial | Facebook Oficial

 Publicado por Sílvio Mendes

Um rapaz e o seu átomo: o filme “mais pequeno do mundo”

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Investigadores da IBM criaram o “filme mais pequeno do mundo”. Não estamos a falar da duração do filme mas do facto de a animação recorrer à deslocação de átomos, com recurso a um microscópio especial.

O filme chama-se A Boy and his Atom (Um Rapaz e o seu átomo) e é feito com partículas invisíveis ao olho humano, aumentadas cem milhões de vezes. A equipa da IBM disponibilizou também um outro vídeo em que explica os objectivos e o processo de criação deste projecto.

Saber Mais: Notícia Público | Notícia BBC

Publicado por Sílvio Mendes

Ciência e cinema no IndieLisboa 2013: quatro recomendações em galego*

O produtor, programador e crítico de cinema galego, Martin Pawley, aceitou o nosso desafio e desenhou uma trajectória de ciência e cinema que é possível percorrer na edição de 2013 do Festival IndieLisboa. O desfile de cinema independente começa hoje, 18 de Abril, e permanece nas salas de Lisboa até dia 28.

Aqui ficam as sugestões – em bom galego! – daquele que foi também o responsável pela Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha.

LEVIATHAN de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel.
2012. 87 minutos. Competição internacional. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.12.21
Se só foran ver un filme en 2013, que sexa Leviathan, unha obra mestra que obriga ao espectador a vivir de maneira totalmente inmersiva os ritmos cotiás dun barco de pesca de arrastre. Os directores empregan multitude de pequenas cámaras para obter imaxes imposíbeis, arrebatadoras, do esforzo humano no medio da natureza máis brava; o impresionante tratamento de son contribúe a facer do filme unha experiencia en sala inesquecíbel, verdadeiramente hipnótica. Lucien Castaing-Taylor codirixe o Film Study Center e o Sensory Etnography Lab da Universidade de Harvard. Tanto el coma Véréna teñen formación como antropólogos.
Festivais: Locarno 2012, Toronto 2012, Viennale 2012, FICUNAM 2013, BAFICI 2013, entre outros.

DA VINCI de Yuri Ancarani.
2012. 25 minutos. Competição internacional. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.16.42
Da Vinci
é un sistema robótico deseñado para facer intervencións cirúrxicas non invasivas. É imposíbel non ficar fascinado pola beleza coreográfica dos movementos da máquina e -sobre todo- pola espectacularidade das imaxes de altísima definición do interior do corpo humano que nos ofrece esta marabilla coa cal Yuri Ancarani pecha a triloxía dedicada ao traballo integrada ademais por Il Capo e Piattaforma Luna.
Festivais: Roma 2012, Rotterdam 2013.

DONAUSPITAL – SMZ de Nikolaus Geyrhalter.
2012. 75 minutos. Pulsar do Mundo. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.20.46
Sete anos despois de examinar na fermosa e inquietante Our daily bread a (deshumanizada) produción industrial de alimentos, o director austríaco retrata a vida diaria dun dos maiores hospitais de Europa. Os cuartos dos pacientes, a sala de urxencias e a cociña; os servizos relixiosos e as reunións de traballo: a cámara descóbrenos todos os espazos para construír unha imaxe de conxunto da institución e revelar paralelismos entre o (cerebral) oficio do médico e do cineasta.
Festivais: FIDMarseille 2012, IDFA 2012.

METAMORPHOSEN de Sebastian Metz.
2013. 84 minutos. Pulsar do Mundo.
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.22.35
En setembro de 1957 tivo lugar un accidente na central nuclear de Mayak, nos Montes Urales, que está considerado o máis grave da historia despois dos de Chernobil e Fukushima. O réxime soviético fixo todo o posíbel por ocultar unha traxedia que provocou non menos de cincuenta mortos e deixou case medio millón de persoas expostas á radiación; algunhas zonas afectadas seguen a ter o acceso restrinxido por causa da contaminación radiactiva. O alemán Sebastian Mez (Essen, 1982) explora nun esteticista branco e negro o territorio e os seus habitantes nun filme que asenta a súa denuncia social e política no bo gusto artístico.
Festivais: BAFICI 2013.

 Escrito por Martin Pawley*
*Martin Pawley é produtor, programador e crítico de cinema. Entre 2007 e 2011 foi o responsável pela Mostra de Ciencia e Cinema da Coruña.

Literatura e Ciência (28): João Paiva mistura poesia com química


O centenário da Sociedade Portuguesa de Química foi a alavanca perfeita para a publicação do livro quase poesia quase química (2012) disponível gratuitamente em versão digital . O autor, João Paiva, docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, oferece 33 poemas que fundem o seu gosto pela escrita e pela divulgação de ciência. Densidade, que aqui publicamos, é um deles.

«Densidade

Quando me
centro em mim,
cresce a minha densidade.
Mais massa
no mesmo volume
das minhas possibilidades.
Cheio,
deixo de flutuar.»

Numa entrevista publicada no site Ciência 2.0., João Paiva explica os porquês deste livro:

«Tenho um certo gosto pela poesia já prévio à ciência. É muito curioso. A poesia sobre ciência começou com uma brincadeira, quando fiz algumas adivinhas para os alunos. Depois achei que poderia fazer alguns exercícios mais elaborados de misturar a poesia com a química e há aí algum sentido de sedução pela química, a pretexto da poesia e há alguma sedução também pela poesia e pelo gosto do jogo de palavras, pela comunicação e pela semântica. Tenho feito algumas sessões em escolas e com outros públicos com esses poemas que têm a sua graça e ainda estou a avaliar essa experiência. Tem sido engraçado e interessante. E a poesia pode ser uma das muitas formas de comunicar ciência. Não há qualquer dúvida sobre isso.»

Publicado por Sílvio Mendes