Author Archives: pedrolllino

Envelhecer (com humor)

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Um fenómeno biológico que acho interessante é o envelhecimento. O envelhecimento é da responsabilidade (não só mas também) dos telómeros, que são as extremidades dos cromossomas, onde se encontra o DNA. Há quem diga que quem nos faz envelhecer é o nosso chefe, o que também pode ser verdade.

A Gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento (não confundir com ginecologia!). Assim como qualquer fenómeno biológico, também o envelhecimento e longevidade têm genes responsáveis. Como tal, existem cientistas que andam à procura destes genes. É um trabalho um bocado ingrato, porque se há dois investigadores que andam atrás do mesmo gene, quem o descobrir primeiro, estraga o trabalho do outro. Tal como acontece quando dois homens andam atrás da mesma mulher: o primeiro a conseguir ir para a cama com ela estraga o trabalho do outro desgraçado.

A alimentação também é importante. Têm sido realizados estudos para determinar quais os alimentos que favorecem a longevidade. Claro que todos nós teremos um dia que morrer, mas prolongar esse dia é algo que muitas pessoas desejam, quando mais não seja para poderem ver Portugal ganhar o Festival Eurovisão da Canção.

No entanto, não é só a alimentação que é importante. Um médico uma vez disse-me que uma corrida matinal pode acrescentar anos à nossa vida. É verdade, e eu posso comprová-lo: no outro dia fui correr, e quando cheguei a casa parecia que tinha 30 anos a mais.

Mas há quem consiga escapar ao envelhecimento. Chama-se Nutricula Turritopsis e é uma medusa que, ao contrário dos demais seres vivos, não envelhece. Em vez disso, regenera as suas células e torna-se jovem vezes e vezes sem conta. Só espero que o Governo não desconfie que existem cientistas a estudarem as células destas medusas. Que, bestas como os nossos ministros são, ainda pensam que os humanos também o conseguirão fazer, e aí terão mais uma desculpa para aumentarem a idade da reforma.

Publicado por Pedro Lino
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Carta de Um Aluno (com humor)

5Um aluno que reprovou num exame de de Microbiologia resolve escrever um email ao professor.

Caro Professor,

Venho por este meio mostrar a minha profunda tristeza ao saber que reprovei à sua cadeira. Devo dizer que não estava à espera de uma nota tão baixa.

De uma forma geral os resultados estão dentro da normalidade, pois passaram dois alunos entre os quarenta e seis inscritos. No entanto, devo confessar que não faço a menor ideia de como obtive apenas um «cinco». Não esperava tirar 20, é certo. Até porque não respondi a quatro questões, e só fiz exame para 14. Mas estava confiante de tirar ao menos um 9 e que depois o professor o pudesse esticar para 10.

Devo dizer-lhe, caro professor, que o exame não era pêra doce. Havia questões muito difíceis, como a «Explique a diferença entre uma bactéria gram-positiva e gram-negativa». Certamente que o professor sabe que metade de nós chumbou a Cálculo I e Cálculo II (assim como a Álgebra), pelo que colocar uma questão destas é de muito mau gosto.

Quanto à pergunta «Quais as características de um agente antimicrobiano ideal», penso que deveria ser anulada, pois na vida (seja em escala micro ou não) não existe nada que seja ideal ou perfeito, e, como tal, a pergunta deixa de ter qualquer sentido. 

Já a questão «Como pode a microbiologia ser aplicada na indústria», penso que tinha rasteira, e por isso respondi «Não pode, caso a ASAE esteja presente».

Só me senti confiante quando cheguei à pergunta «Defina biofilme, dando dois exemplos». Aí eu expliquei que se trata de um filme de origem biológica, e dei como exemplo os meus preferidos: o Biomatrix e o Biosenhor dos Bioanéis.

Resta-me, por fim, colocar a questão que me levou a escrever-lhe: É possível realizar uma prova complementar ou um exame oral? Acredito sinceramente que o meu «cinco» pode ser melhorado, pois estou confiante que tenho capacidades para mais.

Sem outro assunto de momento, apresento os meus melhores cumprimentos,

            O Aluno

P.S. – Aproveito para o informar que estou a vender uma máquina de espremer laranjas em segunda mão. O equipamento está em muito bom estado e o preço é negociável. Se o professor estiver interessado, não hesite em contactar.

Publicado por Pedro Lino

A Genética do Amor (com humor)

4Existe uma empresa chamada “GenePartner” que, com base no perfil genético das pessoas, determina o nível de compatibilidade biológica entre os casais, mediante o pagamento de 249 dólares. Ou seja, dizem-nos a probabilidade que um casal tem – em termos biológicos – de vir a desfrutar de uma relação de sucesso e longa duração, ou se simplesmente não foram feitos um para o outro. No fundo, esta empresa utiliza a biologia para nos dizer com quem temos química.

No entanto, penso que estes testes genéticos podem gerar conflitos entre pais e filhos. Estou a imaginar uma adolescente de 16 anos a dizer aos pais:
– A culpa é toda vossa! O Carlinhos é tao giro, mas não nos damos bem, e a culpa é vossa que me transmitiram estes genes.
– Calma, filha – diz o pai. – O facto de teres o nariz tão grande é culpa do teu bisavô. Ah, e se daqui a uns anos tiveres problemas de flatulência, já sabes, é do lado da tua mãe. Ainda ontem após comermos feijoada ao jantar tive de ir dormir para o sofá, e mesmo assim foi preciso abrir as janelas.

Mas a empresa vai mais longe e diz mesmo que os resultados mostram o «sucesso de fertilidade» e a «compatibilidade de uma vida sexual mais satisfatória». Esta última pode aplicar-se também ao negócio da prostituição – o cliente pode pedir um teste para ver se vale a pena o dinheiro investido durante os próximos 30 minutos (para que fique bem claro: eu não sei se, na verdade, são 30 minutos, isto foi um amigo meu que me contou).

O que acontece é que a GenePartner baseia-se numa classe de proteínas designada MHC (Major Histocompatibility Complex) para determinar a compatibilidade entre homens e mulheres, com base num princípio muito simples: quanto maior a diferença entre as classes destas moléculas entre um e outro, maior a probabilidade de as coisas correrem bem. Ou seja, os opostos atraem-se. O que, basicamente, não é nada que não saibamos já – um homem rico e feio tem boas hipóteses de casar com uma mulher que tenha poucos dígitos na conta bancaria mas que seja elegante (ou em linguagem masculina: podre de boa!).

Contudo, muitas pessoas dizem que preferem não saber este tipo de resultados, mesmo que o serviço fosse gratuito. Eu compreendo muito bem, não vá o teste genético dizer-nos que a nossa alma metade é o Manuel Luís Goucha!

Publicado por Pedro Lino

Reino Animal (com humor)

3Uma das áreas da ciência que mais me fascina é a biologia, embora haja muitos temas que não sejam do meu conhecimento. Confesso que, por exemplo, não percebo nada de bicharada. Por isso é que comecei a ver o canal National Geographic. Eu antes associava o National Geographic à imagem de uma zebra a correr no meio do mato. Mas não. Também tem coisas interessantes.

Por exemplo, fiquei a saber que o nariz de um cão tem quatro vezes o volume do nosso. E enquanto um nariz humano tem cerca de cinco milhões de células olfactivas, alguns cães têm 200 milhões. Assim percebe-se perfeitamente por que é que os cães não andam em transportes públicos, mas permanece, no entanto, o mistério de cheirarem o rabo uns dos outros.

Alguns biólogos dizem que existem outros mamíferos – além dos humanos – que também têm sotaque, sendo a pronúncia variável de região ou país. Agora sempre que oiço a minha gata miar quando está com o cio, fico com a sensação que ela veio do Texas.

Fiquei a saber que alguns peixes têm algumas semelhanças com alguns humanos: existem peixes que também mudam os órgãos sexuais. A diferença é que os peixes não costumam colocar anúncios nos classificados.
Também curioso é o DNA da minhoca, que é 75% idêntico ao dos seres humanos. Quanto ao comprimento, esse já é variável, nomeadamente se estiver frio (como os homens muito bem o sabem!).

Os camaleões também não são muito diferentes de nós. Ao contrário do que muita gente pensa, os camaleões mudam de cor, não para condizer com o fundo, mas sim consoante o estado emocional. Tal como acontece connosco, que ficamos vermelhos que nem um tomate quando estamos envergonhados. E eu às vezes fico azul quando vejo o saldo da minha conta bancária.

Para minha admiração também fiquei a saber que alguns leões copulam (ou fornicam) 50 vezes por dia. A reacção da Elsa Raposo quando soube foi: “Puuufff, fraquinhos!”.
Não menos espantoso é o facto de algumas rãs poderem ser congeladas, depois descongeladas, e assim continuarem vivas. Desta vez foi a Lili Caneças que se manifestou e disse: “Puuufff, eu já faço isso há tanto tempo. Qual é a novidade?”
Por último, fiquei a saber que as girafas não têm cordas vocais. Desta vez, fui eu que me pronunciei sobre o assunto e disse: “Era tão bom que a Júlia Pinheiro também não.”

Publicado por Pedro Lino

Coisas de Física (com humor)

2De todos os cientistas que existem, dos que já foram e os que ainda estão para vir, os físicos são – com todo o respeito – os que apresentam maior índice de maluquice.
Eu próprio já fiquei traumatizado.

Eis que uma vez tive uma aula com uma professora de física que a dada altura nos disse o seguinte (e juro que isto aconteceu-me!): «Vocês hão-de experimentar ir para dentro de um elevador com uma balança. Pousam a balança no chão e colocam-se em cima dela. De seguida pedem a alguém para cortar os cabos que seguram o elevador e deixam a força da gravidade fazer o resto. Depois, vejam se estas expressões e estes cálculos que eu tenho aqui no quadro fazem – ou não fazem – sentido.»

Ora bem, quem é a alma que se lembra de ir para dentro de um elevador com uma balança e depois manda cortar os cabos? Ir apenas para dentro de um elevador com uma balança ainda se percebe – trata-se um sítio espectacular para nos pesarmos. Mas mandar cortar os cabos do elevador enquanto lá estivermos não me parece que seja lá muito boa ideia.

Mas não é tudo no que diz respeito aos físicos. Para as pessoas ditas normais, o trabalho pode ser definido, entre outras coisas, por: actividade física ou intelectual com o objectivo de desempenhar uma função ou realizar uma tarefa. Quanto a mim, parece-me lógico e faz sentido. Mas, segundo os físicos, o trabalho é o produto interno entre a força e o deslocamento. Isto não é de doidos?! E para nós, o que é uma força? Uma força pode-se definir como uma causa capaz de produzir um efeito. Mas para os físicos, não. A força é a massa a multiplicar pela aceleração!

Estou a imaginar uma conversa entre dois físicos:
– Boa tarde professor, como está?
– Ora viva, professor Carlos. Estou bem e o meu caro colega?
– Também. Então e que novidades me conta?
– Olhe, o meu filho acabou o curso e agora anda à procura do produto interno entre a força e o deslocamento.
– Ah, não se preocupe. É preciso é que ele tenha massa a multiplicar pela aceleração de vontade.

E ainda não é tudo. Segundo os físicos, no que diz respeito ao universo, as pedras e as pessoas são fundamentalmente o mesmo. Isto é: pode um quilo de pedra ser trocado por um quilo de carne, que isso não afecta o peso total do universo. Realmente, eu aqui tenho de concordar, mas só para alguns casos. Por exemplo, se substituíssem os políticos portugueses por calhaus, provavelmente o efeito seria o mesmo, ou até mesmo melhor (até hoje eu nunca conheci uma pedra que tomasse más decisões e pudesse ser corrupta!). Ou se se substituísse os concorrentes da Casa dos Segredos por calhaus, penso que isso também não iria alterar o QI dentro da casa.

Publicado por Pedro Lino

Quimicamente Falando (com humor)

1No início, quando pensei em escrever sobre humor e ciência, não sabia ao certo quais os temas que haveria de abordar. Uma vez que gosto de química, pensei que podia falar sobre o consumo de drogas. Afinal, não há nada melhor como sabermos rir de nós próprios.

A verdade é que estamos drogados mais vezes do que pensamos. Quando estamos doentes e estamos a ser medicados, estamos, cientificamente falando, drogados. E vocês podem perguntar: «Então quer dizer que o Jorge Palma está sempre doente?»
Pois, isso já não sei.

Muitas pessoas dizem-me que não gostam lá muito de ciências porque há muitos nomes estranhos e complicados de pronunciar. Eu não concordo, e a química é o exemplo disso mesmo. Aliás, agora os médicos já não prescrevem as receitas com o nome comercial do medicamento, mas segundo o princípio activo que este contém – o que torna as coisas muito mais simples. Eu quando vou à farmácia já não peço um «Cêgripe», mas sim um «paracetamol + clorofenamina + hesperidina + ácido ascórbico». Se o nariz estiver entupido peço um «mesilato de di-hidroergocristina». E se a constipação não passar tomo um «dexbromofeniramina + pseudoefedrina». Claro que, se quiser comprar um homeopático, é tudo muito mais simples: basta pedir um copo de água com açúcar.

Fazer investigação em química é muito interessante e tem uma grande vantagem: não é difícil saber quando as coisas correm mal, pois há sempre qualquer coisa a ir pelos ares. O Miguel Relvas ainda chegou a tirar um mestrado em química na Universidade Lusófona em semana e meia, mas depois não correu lá muito bem quando ingressou no mercado de trabalho. A empresa que o contratou teve que mandar pôr bancadas, janelas e telhado novos, isto na primeira manhã de trabalho. À tarde sentiu-se amímico e despediu-se.
Quem também estava a tirar uma pós-graduação nesta área era a Sónia Brazão. Mas quis estagiar em casa e a coisa correu mal.

Igualmente interessante é a Tabela Periódica, que organiza os elementos químicos tendo em conta as suas características. Descobri que existem dois elementos que sabem sempre quando o Benfica e o Sporting marcam um golo. Sabem quais são? É o Paládio e o Ruténio.
Porquê?
Estão mesmo ao lado do Rádio.

* Pedro Lino nasceu em 1987 e é licenciado em Biotecnologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, sempre teve a ciência e a escrita como suas paixões. Tem também um grande fascínio e interesse pelas áreas da Genética e Produção Biológica. Colabora em projectos de divulgação científica como o ebiotecnologia – ciência e tecnologia juntas, Ciência 2.0 e, mais recentemente, Associação Viver a Ciência.

Publicado por Pedro Lino