Coro de vozes em defesa da Comunicação de Ciência em Portugal

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Imagem de uma das sessões do Congresso de Comunicação de Ciência – ScicomPt 2013, que juntou centenas de pessoas, em Maio passado.

A recente notícia da extinção das bolsas em Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia (PACT) deu origem a um coro de protestos que tem ganho força nos últimos dias. A multiplicação de vozes ganhou fôlego com a criação de um manifesto em defesa da comunicação de ciência que, em menos de uma semana, superou já as 500 assinaturas. A estas vozes juntaram-se as de personalidades da ciência e da comunicação de ciência como Carlos Fiolhais, Gonçalo Calado e David Marçal, que justificaram o seu descontentamento nas páginas da imprensa portuguesa.

As bolsas PACT têm, nos últimos anos, tido um papel fundamental nas actividades de comunicação de ciência (e angariação de fundos) que são desenvolvidas em Portugal. O manifesto reclama, por isso, “a manutenção da aposta na promoção da ciência, como pilar fundamental da política científica em Portugal”, uma vez que não foi apresentada qualquer medida alternativa após extinção da área.

Excerto do manifesto:
«No concurso aberto este ano para atribuição de bolsas individuais da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a entidade que em Portugal gere a maior parte dos fundos públicos para a ciência, foi eliminada a área científica denominada Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia (PACT). Criada em 2005 esta área tem permitido que se faça investigação a nível de doutoramento ou pós-doutoramento em Comunicação de Ciência.
(…)
Em qualquer tipo de enquadramento económico a aposta na ciência é fundamental para um futuro melhor. Nesse contexto, a promoção da ciência assume-se como uma prioridade estratégica, que é fortemente abalada com o fim da área de Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia.»

O que dizem também os signatários do manifesto.

Aqui deixamos também as ligações e alguns excertos dos artigos que têm vindo a ser publicados sobre o assunto:

David Marçal (Público, 14 de Agosto)Acabar com a promoção da ciência é dar um tiro no pé

« Esta área tem conhecido progressos extraordinários na última década, para os quais os bolseiros PACT têm contribuído de forma muito relevante. A extinção destas bolsas é um sério recuo e põe em causa a continuidade do desenvolvimento da comunicação de ciência em Portugal, que cada vez é mais valorizada pelas agências de financiamento internacionais e pelas instituições europeias. Isto porque os dias de fazer investigação científica sem explicar às pessoas o que se está a fazer com o dinheiro delas e a importância da ciência, estão contados.

Manter as bolsas PACT não implica um aumento de despesa, apenas uma maior diversidade de áreas em que são atribuídas as bolsas. Aliás, estas bolsas nunca foram muitas. Numa situação de grande contenção orçamental, acabar com a promoção da ciência e tecnologia é dar um tiro no pé. Para defender o investimento na ciência (sem a qual não há futuro que interesse) é preciso que os contribuintes compreendam a sua importância.»

Carlos Fiolhais (Público, 5 de Setembro)Em defesa da cultura científica

«A cultura científica entre nós já conheceu melhores dias. Um sintoma da falta de atenção da FCT a essa cultura é a recente extinção no seu seio, pela calada de Agosto, de duas áreas indispensáveis a compreensão pública da ciência: a Promoção e Administração da Ciência e Tecnologia, que cobre os vários aspectos da comunicação da ciência, e a História da Ciência e Tecnologia, que tem sido das áreas mais produtivas nas nossas ciências sociais.» «Na gestão da ciência, como aliás na gestão de qualquer coisa, não há apenas a questão da falta de dinheiro, há também e sobretudo a questão da falta de inteligência. A falta de cultura científica pode custar-nos não apenas a ciência, mas também o futuro.»

Gonçalo Calado (Público, 5 de Setembro)Não apoiar a comunicação em ciência faz parte de uma estratégia

«Fala-se de “cidadãos-cientistas” e da forma como se podem utilizar milhões de horas de voluntariado científico para a obtenção de dados relevantes – desafios novos para os cientistas profissionais e, em particular, para os comunicadores de ciência. Por cá tentamos dar um passo atrás, mas não vamos conseguir.»

Publicado por Sílvio Mendes

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