O sonho e o cérebro

Já dizia António Gedeão que “o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer”. Os sonhos são concretos, todos sonhamos. Se são definidos ou não, disso não tenho tanta certeza. A grande maioria dos sonhos é fragmentada, perdida e uma mistura de acontecimentos que poucas vezes parecem fazer sentido.

Concretamente, os sonhos são sucessões de imagens, ideias, sensações e emoções que ocorrem em pequenos intervalos de tempo podendo variar de entre apenas alguns segundos até aproximadamente 20 minutos.
 

Todos sonhamos embora nem sempre nos lembremos e, embora alguns de nós consigam “sonhar acordados”, sonhar ocorre enquanto dormimos. Sonhar acontece maioritariamente durante um período do sono que se chama “Rapid Eye Movement” ou REM.

Neste período os olhos movem-se repetida e aleatoriamente e os músculos possuem baixa rigidez, ou seja, estão relaxados. Os músculos relaxam porque existe uma pequena região da espinal medula, o pons, que envia sinais para os neurónios de movimento se “desligarem”.

Se formos acordados neste período de REM facilmente recordaremos o sonho. Numa noite normal de sono podemos passar por cinco períodos REM. A actividade cerebral durante um sonho é semelhante à actividade que temos quando acordados.

Os recém-nascidos passam cerca de 80% do seu sono, a sonhar, para que o seu cérebro amadureça estabelecendo e consolidando ligações neuronais que permitam o seu desenvolvimento. Sonham com o que vêem. O que vêem e como vêem é bem diferente daquilo que nós adultos vemos. Os recém-nascidos estão mais ligados a sensações e emoções.

Porque sonhamos? Esta pergunta não tem ainda resposta concreta, apenas vagas teorias. Alguns defendem que “sonhamos para consolidar” tudo o que aprendemos durante o dia, outros acreditam que “sonhamos para esquecer” os pormenores, filtrando apenas o que realmente importa e ainda há aqueles que defendem que “sonhamos para criar”, que durante o sonho somos capazes de solucionar problemas ou ter ideias para obras de arte.

Cientificamente, sonhamos porque para além de estimular o cérebro contribuindo para o seu desenvolvimento, também poderá estar implicado um processo de neurogenese ou seja de “nascimento de neurónios” durante o sono em REM.

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