Arquipélagos de ilhas são reconhecidas como locais com grande potencial para especiação e radiação adaptativa, e logo como locais para espécies endémicas e biodiversidade notável. Os tentilhões e tartarugas das Galápagos. As Drosophila e tentilhões em Hawaii. Os caracóis nos Açores estudados pelo Prof. António Frias. Ilhas são locais favoráveis a especiação alopátrica, onde populações isoladas do continente e relativamente isoladas das outras ilhas podem divergir e formar novas espécies.
Mas não são só as ilhas de terra no meio oceano que favorecem especiação. Rios de água doce, “ilhas” aquáticas rodeadas de terra; nunataks (do Inuit nunataq) – rochedos expostos e rodeados de gelo; ou picos de montanha rodeados de terrenos mais baixos funcionam como “ilhas”.
As “ilhas aéreas” na Sierra Nevada (sky islands), no sudoeste dos EUA, rodeadas por planícies temperadas e deserto, nas zonas baixas, são um exemplo de como também este tipo de “ilhas” pode favorecer especiação, como exemplificado pelo estudo dos gafanhotos Melanopus pelo grupo de Lacey Knowles. O mapa abaixo ilustra este arquipélago de topos de montanha.
Este tipo de topografia em zona temperadas tem ainda outra importância biogeográfica. Encostas de montanhas apresentam um gradiente climático altitudinal análogo aos gradientes latitudinais. Assim, espécies adaptadas a climas frios, presentes durante períodos glaciares em latitudes mais baixas que actualmente, podiam refugiar-se, durante períodos inter-glaciares deslocando-se para norte ou subindo em altitude, para os topos de montanhas. Esta região dos EUA é uma intersecção de espécies temperadas (quentes e frias) e tropicais, contendo metade das espécies de aves da América do Norte e mais de 3000 espécies de plantas e 104 espécies de mamíferos.
Durante 50 anos, apenas quatro espécies de escorpiões de montanha do género Vaejovis eram conhecidas na zona topograficamente complexa do Arixona, Novo México e deserto do Sonora. Durante os últimos 6 anos, fruto de investigação intensa, este número mais do que triplicou. São agora conhecidas 13 espécies no grupo “Vaejovis vorhiesi” com distribuições alopátricas no Arizona. Por exemplo, Vaejovis jonesi ocorre em florestas de juniperos no Plateau do Colorado; Vaejovis lapidicola ocorre em florestas de pinheiro-carvalho na margem sul deste Plateau. Subindo em altitude encontra-se a a recém-descoberta V. deboerae.
Uma nova espécie de escorpião Vaejovis brysoni foi descrita recentemente nas montanhas de Santa Catalina, tornando-se a primeira espécie que se encontra actualmente em simpatria com outra espécie do grupo, V. deboerae.