Nova espécie de dinossauro

O português Octávio Mateus e o suíço Emanuel Tschopp, investigadores da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, descobriram um novo género e espécie de dinossauro: Kaatedocus siberi.

Descoberto no Estado de Wyoming, num jazido do  Jurássico Superior [com 150 milhões de anos], este herbívoro teria dentes tão grandes que a sua boca estaria permanentemente aberta, num sorriso.

Kaatedocus siberi

Kaatedocus siberi

A nova espécie é aparentada do Diplodocus, que eram por norma gigantescos. Mas este novo espécimen teria apenas entre 12 a 14 metros de comprimento, relativamente pequeno em comparação com outras espécies do grupo dos ‘diplodocídeos”. É possível que se trate de um juvenil, ou efectivamente de uma espécie mais pequena.

Octávio Mateus (Univ. Nova; Museu Lorinhã)

Octávio Mateus (Univ. Nova; Museu Lorinhã)

O Prof. Octávio Mateus, a quem desde já agradecemos a disponibilidade, respondeu a algumas questões relacionadas com esta descoberta:

– Como pôde ter a certeza que estava perante uma nova espécie?

A definição de espécie é algo pouco consensual entre cientistas e é sobretudo difícil de aplicar em fósseis. Neste caso baseamos o estudo em diferenças anatómicas que sejam significativas e que não sejam resultado de alterações ontogenéticas, variação intra-específica ou distorção tafonómica. Esta é uma hipótese de trabalho, que é demonstrada pelas diferenças morfológicas relativamente a outras espécies. O Kaatedocus tinha características anatómicas únicas, que nenhum dinossauro tem. Seja como for, na paleontologia e em ciências biológicas nunca temos certezas absolutas, sobretudo quando estudamos animais extintos há milhões de anos.

– Como foi estabelecido tratar-se também de um novo género?
O género é um clade, tal como a família, classe ou outro escalão taxonómico. O facto de pertencer ou não a um dado género é estabelecido através da posição na árvore filogenética. Neste caso, o Kaatedocus siberi não se encaixava dentro de nenhum género conhecido, apesar de ser semelhante a Diplodocus e Barosaurus.

– Como foi o processo de decisão do nome da nova espécie?

O binome tem de ser único, de modo a não ser confundido com nenhuma outra espécie. Amiúde é alusivo a uma morfologia, dedicado a um local ou pessoa. No passado, o nome era sempre em latim ou latinizado, mas isso não é obrigatório e com a proliferação de nomes os cientistas viram-se para outras línguas. Neste caso, o prefixo Kaate de Kaatedocus siberi, está em língua Crow
n, a tribo de índios norte-americanos que vive naquela região do Wyoming onde o dinossauro foi descoberto. Esta foi uma forma de homenagear as culturas locais. O nome é escolhido pelos autores do artigo científico.
– Como descreveria a biodiversidade de fósseis em Portugal? 
Portugal tem um registo fabuloso de fósseis. Em vários grupos de organismos fósseis, o país tem um dos melhores registos mundiais, pelo que destaco os dinossauros jurássicos, trilobites gigantes, das primeiras plantas cretácicas com flores, os primórdios dos mamíferos jurássicos e os vertebrados do Miocénico. No caso dos dinossauros do Jurássico superior (com cerca de 150 milhões de anos), Portugal é dos países com mais espécies conhecidas. A maioria dos achados vem da região Oeste, e o seu epicentro está na Lourinhã e na formação geológica com o mesmo nome: Formação da Lourinhã. Desde os anos 80 que o Museu da Lorinhã local tem feito muito trabalho de recolha e estudo.
Tschopp, Emanuel & Octávio Mateus. 2012. The skull and neck of a new flagellicaudatan sauropod from the Morrison Formation and its implication for the evolution and ontogeny of diplodocid dinosaurs. Journal of Systematic Palaeontology. DOI:10.1080/14772019.2012.746589
[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]
Publicado por André Levy

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