Nova espécie peixe fóssil

Uma nova espécie para a ciência não precisa de ser uma espécie actual, pode também ser uma espécie fóssil, já extinta. A descoberta destas espécies elucidam a história da vida na Terra, uma história com cerca de 3.7 mil milhões de anos. Cerca de 95-99% das espécies alguma vez existentes na terra já não existem, já se extinguiram. Facto que coloca a actual diversidade, ainda que considerável, numa nova perspectiva.

O jovem Jamie Jordan, de Peterborough, gere uma loja de fósseis, a Fossil Galore, fundada por Jamie em 2003, na pequena vila Inglesa de March. Tem apenas 23 anos, alcunhado de “Fossil Kid”. Mas já descobriu três esqueletos de plesiosaúrio e de um crocodilo.

jamie.jordan com um dos ossos do enorme peixe fóssil ainda por descrever

Jamie Jordan com um dos ossos do enorme peixe fóssil ainda por descrever

Está neste momento a trabalhar com toneladas de argila para extrair os ossos de um peixe enorme com nove metros de comprimento. Um trabalho que estima dure cerca de 10 anos.  A argila foi descoberta a uma profundidade de 500m sob a superfície. O trabalho realizado já permite concluir tratar-se de uma nova espécie, que Jamie pensa dar o nome de Jordanichthys, e um achado significativo. O eminente paleontólogo Jeff Liston, do Museu Nacional da Escócia, já teve oportunidade de ver o depósito e ficou entusiasmado dizendo tratar-se do grande peixe mais antigo descoberta até agora (ref).

A figura de Jamie Jordan, auto-didacta, gerindo uma loja de fósseis e tendo feito descobertas significativas, evoca-me a figura histórica, mas pouco conhecida de Mary Anning (1799-1847). A vida de Anning encontra-se muito bem retratada num livro de Shelley Emling, «The Fossil Hunter: Dinosaurs, Evolution, and the Woman Whose Discoveries Changed the World». Anning cresceu na pequena vila costeira de  Lyme Regis, em Dorset, no País de Gales. Em criança acompanhou o pai explorando a formação geológica de Blue Lias, com xisto e calcário depositado no final do Triássico e início do Jurássico, há cerca de 200 Ma, e rico em fósseis, em particular amonites (moluscos cefalópodes). Anning descobriu o primeiro esqueleto de ictiossaúrio, um dinossáurio marinho, quando tinha apenas 12 anos. Mary Anning cresceu e continuou a buscar fósseis, desafiado as condições perigosas junto à costa. Além dos fósseis mais comuns, mas populares, que vendia na sua loja, fez ainda mais descobertas importantes, incluindo os dois primeiros esqueletos de plesiossaúrio, o primeiro pterossaúrio fora da Alemanha, e vários fósseis de peixe importantes. As descobertas de Mary Anning receberam as atenções dos mais importantes zoólogos da época, incluindo William Buckland e Richard Owen. Mas, na época, Anning, mulher e auto-didacta no Reino Unido vitoriano, não recebeu o reconhecimento devido. Cabe-nos agora conhecer as suas descobertas, seu significado, e admirar o trabalho desta mulher valente, que arriscava a vida nas suas expedições, com a ambição de descobertas significativas, mas tendo que encontrar qualquer fóssil para vender na sua loja e garantir a sua subsistência.

Mary Anning, pintada em 1842, com o seu cão, Tray, que a acompanhava frequentemente nas suas explorações.

Mary Anning, pintada em 1842, com o seu cão, Tray, que a acompanhava frequentemente nas suas explorações.

[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]

Publicado por André Levy

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