Um dos processos de especiação, de geração de novas espécies, é a especiação alopátrica (do grego allos, “outro”, e patrã, pátria ou localidade). Um dos modelos deste tipo de especiação é a vicariância, onde o surgimento de uma barreira física separa populações de uma espécie, e estas populações divergem umas das outras ao ponto de surgir uma espécie nova. A divergência pode dever-se à adaptação local das populações ou simplesmente à divergência por deriva genética. O istmo de Panamá, a ligação entre a América do Norte e Sul, surgiu há cerca de 3 milhões de anos, embora constitua um corredor para espécies terrestres constitui também uma barreira entre as populações marinhas do Pacífico e Atlântico.
O processo tectónico que elevou a cordilheira dos Andes separou populações agora presentes nas faces oeste e este. Parece que foi o caso com o ancestral de duas espécies de serpente de vinhas: Imantodes chocoensis e a espécie mais próxima Imantodes lentiferus.
Uma equipa liderada por Omar Torres-Carvajal do Museo de Zoología QCAZ, da Pontifícia Universidade Católica do Equador, identificou Imantodes chocoensis como uma nova espécie. Várias serpentes foram coleccionadas, em 1994, nas clorestas Chocó, no noroeste do Equador, e depositadas em vários museus de história natural. Esta região de 274,597 km2 Tumbes-Chocó-Magdalena é um pico de biodiversidade (hotspot).
O género Imantodes, ou serpente das vinhas, vive entre o México e Argentina, e distingue-se pelo corpo fino, uma pescoço desproporcionalmente delgado, grandes olhos e cabeça robusta. Vivem nas árvores e caçam rãs e lagartixas à noite. Os investigadores descobriram que espécimenes de Imantodes da zona de Chocó não possuíam uma escama grande na cabeça que está presente nas restantes espécies do género. Outros traços, assim como dados moleculares, confirmaram Imantodes chocoensis como a sétima espécie descrita deste género.