Literatura e Ciência (29): Cesário Verde e o ponto de vista «da verdade, da ciência»


Cesário Verde (1855-1886) deixou um legado poético incontornável para a literatura portuguesa, mesmo tendo-nos sido roubado pela tuberculose aos 31 anos. Para além da sua obra, o seu pensamento chega-nos através de alguns dos seus escritos mais íntimos, retirados correspondência particular que manteve com os seus amigos, sobretudo com Silva Pinto. É um excerto de um desses documentos que hoje partilhamos aqui. Primeiro, com considerações sobre a ciência e a verdade. Depois, com a forma como planeava documentar-se sobre a sua própria doença.

«Portugal precisa de propaganda científica, e tu pelo estilo, pelo estudo, pelo carácter podias, devias aproveitar esta quadra para uma explosão de panfletário; mas sempre com o ponto de vista da verdade, da ciência e fugindo da política de cocher que se desvanece logo e não chega a distância.

(…)

Esta semana tenho estado doente bastante, do estômago, da cabeça, de tudo, sempre agoniado e enevoado. Aquele artigo do Teófilo sobre o Camilo que fala em disciplina mental faz-me pensar no que eu devo seguir; agora há uns poucos de dias que não leio. Estou à espera que saia a última edição dicionário de medicina do Littré para me estudar. Que te parece? Achas extravagante?»

Carta de Cesário Verde a Silva Pinto, 1877, in ”Cânticos do Realismo e outros poemas – 32 cartas” (Relógio d’Água, 2006)

 Publicado por Sílvio Mendes

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