Peixe Lázaro


Louis Agassiz descreveu um fóssil de Celacanto (em referências aos raios ocos da cauda) em 1839, reconhecendo tratar-se de um sarcopterígio, peixes de barbatanas lobadas, juntamente com os peixes pulmonados (os dipnóicos) e os tetrápodes. Nos cem anos que se lhe seguiram foram encontrados mais de cem fósseis de celacanto. Era assumido que o peixe estava extinto desde o final do Cretácico (aproximadamente 65 Milhões de anos [Ma]).  Foi portanto uma grande surpresa quando, em 1938, entre a apanha de um pescador local, na costa este da África do Sul, uma curadora de museu, Majorie Courtenay-Latimer, identificou um espécimen vivo de celacanto (que passou a assumir o nome Latimeria chalumnae). Por se ter pensado extinto, e ter sido descoberto como ainda existente, o celacanto é um dos melhores exemplos de taxon Lázaro.
Igualmente surpreendente: o espécimen vivo era quase idêntico às formas fósseis com mais de 65 Ma, isto é, era como se esta linhagem não tivesse evoluído durante todo esse tempo. Especímenes  foram entretanto encontrados na costa oriental Africana, chegando ao Quénia.

Nova surpresa sucedeu em 1997. Mark Erdmann encontrava-se na Indonésia na sua lua de mel, com a sua esposa Arnaz. Durante a passagem pelo mercado, Arnaz notou um peixe de enorme tamanho e aspecto peculiar a ser transportado numa carroça. Erdmann reconheceu de imediato o peixe, fotografou-o, mas este foi comprado por outro cliente, antes que ele o pudesse adquirir. Erdmann voltou meses mais tarde de Menado, na Sulawesi Norte, e depois de entrevistar mais de 200 pescadores, encontrou uns que ocasionalmente viam a raja laut (“O rei do mar”). Em 1998, Erdmann conseguiu finalmente pescar um segundo celacanto da Sulawesi. Uma equipa Indonésia e Francesa (liderada por Laurent Pouyaud) descreveu o espécimen como uma nova espécie de celacanto, Latimeria menadoensis.

Mais de 70 anos depois da redescoberta do celacanto, uma nova descoberta foi anunciada no Journal of Vertebrate Paleontology. Foi descrito um fóssil de celacanto, na Columbia Britânica (Canada) do género Rebellatrix, com cerca de 240 Ma, que se distingue pela barbatana caudal bifurcada (como um atum). Tal contrasta com os celacantos vivos, que têm uma barbatana caudal larga e tri-lobada, sendo animais de movimento lento. O Rebellatrix era provavelmente capaz de movimentos rápidos, típicos de um predador, como um tubarão.

Publicado por André Levy

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