Domesticação animal

Gostaria com este ensaio dar inicio a uma série sobre plantas e animais domesticados, sua origem e história, suas variedades, e sua importância na história humana. Havendo que começar por alguma ponta, inicio com o universo mais restrito dos animais domesticados.

Antes de tratar de qualquer espécie em particular, a frase anterior sugere a pergunta: porquê a nossa espécie domesticou um número relativamente pequeno de espécies? Jared Diamond, no seu livro «Armas, Germes e Aço», no qual aborda factores ecológicos que possam ter dado vantagem histórica a umas civilizações versus outras, aborda precisamente esta questão. Por domesticação considera-se não o mero amansar de alguns indivíduos ou a manutenção em cativeiro de animais capturados, mas a criação de gerações consecutivas e a eventual selecção de características desejáveis.

Ele considera o conjunto de mamíferos herbívoros ou omnívoros, com peso médio superior a 45 kg, disponíveis para domesticação pelos humanos. Estas condições restringem o conjunto a 148 espécies candidatas. A sua maioria localiza-se na Euroásia (72), seguido pela África subsariana (51), Américas (24) e Austrália (apenas o Canguru-vermelho). Estes números reflectem a perda por extinção de espécies, particularmente nas Américas e Austrália, correlacionadas com a colonização pela nossa espécie, e as áreas relativas e diversidade ecológica.

O elande, gunga ou cefo (Taurotragus oryx), bovídeo Africano.

Diamond assinala como deste conjunto de 148 espécies apenas 14 foram domesticadas com sucesso, a sua maioria na Eurásia (13) e uma nas Américas (a lama). Nenhum dos mamíferos na África subsariana ou Austrália foram domesticados. Tal não se deveu à falta de tentativas, incluindo modernas, como a falta de sucesso de domesticar o elande em África, que dada a sua resistência às doenças locais e tolerância ao clima traria vantagens face às espécies originárias da Eurásia.

Diamond reparte as 14 espécies entre as 5 principais (ovelha, cabra, vaca, porco e cavalo), que são criadas por grande parte do mundo, e as nove menores, mais restritas em distribuição (duas espécies de camelo – de uma e duas bossas, lama, burro, rena, e quatro espécies de bovino: búfalo-asiático, iaque, banteng, e gauro).

Diamond aponta um conjunto de condições necessárias à domesticação que permitiram a domesticação destas 14 espécies, e o falhanço entre os restantes candidatos:

1) uma dieta pouco específica e economicamente viável;
2) uma taxa de crescimento individual e populacional relativamente rápida;
3) condições de acasalamento simples e pouco exigentes;
4) disposição amena;
5) baixo nível de nervosismo;
6) estrutura social de dominância hierárquica (de forma a que o domesticador humano possa ocupar a posição de alfa).

Publicado por André Levy

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