Literatura e Ciência (7): “Confissão”, de Bulhão Pato

«Fui na infância católico exaltado;
Tudo era para mim edificante,
Ver o altar, ver o trono cintilante,
Ouvir na igreja a voz do órgão sagrado!

Foi-se apagando o amor arrebatado,
E a ciência levou-me num instante,
Com o sopro glacial e penetrante,
O edifício de luz do meu passado!

Deitei-me aos pés dos grandes missionários,
Na eloquência e na fé extraordinários;
Nenhum deles me deu sombras d’esp’rança!

Ó crenças infantis, talvez agora,
Volteis a mim, ardentes como outrora:
Diz-se que um velho torna a ser criança!… »

Bulhão Pato — Bilbau, Espanha, 1829-1912

Publicado por Pedro Falcão

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