Literatura e Ciência (3): Miguelanxo Prado

stratosTodos sabemos como pode ser perigoso o conhecimento científico, se estiver ao serviço de mentes perigosas. Todos sabemos como a interpretação dos avanços da ciência pode ser perversa para alguns indivíduos. E todos sabemos que a análise deste tema não dá para simplificar em duas linhas, e era assunto para uma tese com tiques de infinito. Ainda assim, por momentos, o galego Miguelanxo Prado cria a ilusão dessa possibilidade de simplificação, mostrando também todas as potencialidades da banda desenhada. Ética, reflexão, ironia, sociedade, política… está tudo dentro da sequência: “A Ciência é uma grande coisa! Não lhe parece?”. Como pode caber tanto significado dentro de um quadradinho?

«- E agora iremos em excursão, em busca dos selvagens… Autênticos selvagens africanos!
– Oooh! Que bom!
(…)
– E esses selvagens são perigosos?
– São extremamente ferozes e agressivos, mas dentro destes aparelhos nada temos a temer…
Os verdadeiros extinguiram-se, mas a partir de crias de proletas [proletários], criados em estado selvagem, conseguiu-se recuperar esta espécie desaparecida! A ciência é uma grande coisa! Não lhe parece? A mim, emociona-me… obviamente, não têm alma!
– Ali… ali!…
– Sim… devem andar à caça.»

Miguelanxo Prado, in “Stratos”

Publicado por Sílvio Mendes

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