Pontos Cegos “Os Cientistas são humanos”

Na passada sexta-feira, no auditório do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Paulo Pereira e Herwig Turck apresentaram Blindspot (ponto cego). Este projecto investiga a percepção, numa colaboração interdisciplinar. Um estranho método apresenta-se numa intersecção entre o método da ciência e a criatividade da arte. Os objectos em palco são as ciências da visão, os laboratórios e os cientistas. Paulo é cientista e nos objectos que cria com Herwig reflecte sobre o seu papel. Ser cientista enobrece o homem, valoriza a sua palavra na sociedade. Mas não devemos esquecer, diz Herwig, que “os cientistas são humanos”.

No final das “Conversas sobre Cérebro e Arte”, promovidas em Coimbra, foram protagonistas Paulo Pereira, cientista e Herwig Turck, artista. Para uma plateia escassa apresentaram informalmente o projecto no qual têm vindo a colaborar. Desta iniciativa resultaram uma série de exposições de fotografia, performances e instalações artísticas, algumas destas acessiveís em www.theblindspot.org.

O Blindspot / Ponto cego fisiológico é uma área do nosso campo visual que corresponde à falta de células fotoreceptoras do disco óptico da retina. Uma parte do campo de visão do olho não é perceptível, mas é compensado no cérebro pela informação do outro olho. Analogamente, Paulo e Herwig chamam a atenção aos “Novos Invisiveís” com as suas intervenções interdisciplinares. A percepção visual depende das curcunstâncias sociais e culturais e os cientistas não são excepção. Afinal, “os cientistas são humanos”, complementa Herwig. “Eles trabalham no contexto que são educados”.

O Blindspot produz uma sinergia entre arte e ciência. Nas diferentes experiências que fazem parte do projecto, produz-se uma “proto-linguagem”, ou “intermedia” entre arte e ciência. Objectos são descontextualizados, gestos são automatizados, como se falássemos de uma “antropologia do método científico”.

Na instalação blinddate, podemos experienciar esta percepção única dentro dos sons reais que povoam os laboratórios do AIBILI (Association for Innovation and Biomedical Research on Light and Image) de Coimbra. Os materiais de laboratório são isolados, estudados, “para ver como mudam quando no palco”, diz Herwig. “São emancipados de alguma forma” quando vistos por diferentes perspectivas.

A Semana Internacional do Cérebro ocorreu de 16 a 22 de Março com várias actividades assinaladas. O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e o Centro de Neurociências e Biologia Celular promoveram um conjunto de “Conversas sobre Cérebro e Arte”, das quais Herwig Turck e Paulo Pereira foram protagonistas.

Publicado por João Cão

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