«As pessoas têm tudo a ganhar se a ciência estiver no processo de decisão política»

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Conferência Parlamentar Sobre Ciência: 2º PAINEL – A Ciência em Portugal: Da produção à Divulgação

O 2º Painel da Conferência Parlamentar Sobre Ciência, reuniu, no dia 3, Luís Portela (Presidente da BIAL), António Coutinho (Director do Instituto Gulbenkian da Ciência) e Vasco Trigo (jornalista da RTP).

«Sem uma raiz profunda na sociedade real, qualquer acção é inútil». António Coutinho, director do IGC (Oeiras), defendeu o uso de princípios de evolução biológica numa instituição e aproveitou a sua intervenção para deixar bem claro qual o caminho que acha correcto para a evolução da ciência em Portugal. Um: «90% do investimento europeu é feito dentro do próprio país. Enquanto o dinheiro não for distribuído a nível europeu, não saímos da cepa torta». Dois: «A divulgação científica tem que ser feita a partir da escola. Precisamos de melhores programas de educação de ciência». Três: «Instituições demasiado grandes perdem densidade interactiva. Não percebo como é que em Portugal há tendência para a fusão de instituições. São as mais ineficientes». Quatro: «Há uma incompatibilidade definitiva e irreversível entre uma instituição lucrativa e o espírito académico».

O director da primeira instituição portuguesa a profissionalizar a investigação científica a tempo inteiro e criar um gabinete de comunicação de ciência, demonstrou ainda a sua incompreensão pelo facto da área da investigação em saúde receber apenas 10% do orçamento distribuído pela FCT. «O sistema de distribuição por áreas não é revisto há mais de vinte anos», aponta.

Vasco Trigo, jornalista responsável pelo recentemente extinto “2010”, defende que «as pessoas têm tudo a ganhar se a ciência estiver no processo de decisão política». Por isso mesmo seguiu o caminho do jornalismo de ciência, para «ajudar a elevar o nível da cultura científica das pessoas e elevar o nível de cidadania». «Quando um cidadão que vê as verbas para a ciência não percebe para que servem, todo o processo se torna mais difícil», aprofunda.

Considera que a divulgação científica é fundamental na actividade dos cientistas mas não recomenda que os mesmos recorram a gabinetes externos de comunicação. É também defensor do jornalismo especializado e deixa um alerta a todos os comunicadores: «Temos que tornar interessante aquilo que é importante, e não o contrário».

O presidente da BIAL, Luis Portela, considera que a situação orçamental da saúde na Europa é complicada. Situação que se complica mais em Portugal por apresentar um fraco investimento de empresas privadas. «Tradicionalmente, na Europa, cerca de dois terços do investimentos em ciência faz-se por empresas privadas, em Portugal ainda estamos longe desse número», explica.
Ainda assim, Portela considera que Portugal tem condições para apostar forte na saúde  e ter bons resultados. «Podemos cruzar interesses e oferecer ao país alguma riqueza durante os próximos anos», afirma. E garante estar a fazer por isso. A BIAL tem em desenvolvimento seis medicamentos que podem vir a ser os primeiros de raiz portuguesa a serem comercializados no mercado mundial.

Publicado por Sílvio Mendes

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