Diego Stocco é um músico diferente… e , embora ‘diferente’ seja muitas vezes associado a uma conotação não muito boa, aqui aplica-se porque não consigo arranjar palavras para descrever a originalidade do seu trabalho. Diego faz música a partir de sons da natureza, sem sintetizadores, computadores e samplers. A música resulta duma talentosa masterização de sons cascas de laranja, sementes de romãs que são captados com ajuda de estetoscópios, microfones em ramos de árvores e uma manancial eclético de métodos criativos.
Aqui fica o trabalho (Music from Nature) comissionado a Diego Stocco para a celebração do Dia da Terra (22 de Abril).
Em 1973, o planeta Terra foi invadido por uma catástrofe de criatividade que deixou cicatrizes para sempre nos seres que o habitam. O registo ficou conhecido como The Dark Side of The Moon, expressão cunhada pelos Pink Floyd, e entre outras ocorrências até se assistiu a um Eclipse (tema e vídeo que aqui destacámos).
E, sobre o assunto, por nos ser tão caro, não diremos nem mais uma palavra.
«and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon. »
O Serviço Educativo da Casa da Música (Porto) assinala o dia Mundial da Criança, no dia 1 de Junho, com um concerto intitulado Verne – 20 mil músicas submarinas. O espectáculo tem como ponto de partida a obra de ficção científica de Júlio Verne, 20 mil léguas submarinas, e é o culminar de um projecto artístico e formativo que envolveu cerca de 50 professores e educadores (ver o blogue do projecto).
O imaginário da ficção científica de Júlio Verne dará assim origem à música, oriunda de instrumentos-escultura onde “predominam sonoridades recheadas de aventura”.
Como não conseguimos adivinhar o resultado sonoro do espectáculo de dia 1 de Junho, escolhemos outro tipo de banda sonora para esta entrada: a música chama-se Jules Verne, e integra o álbum Moon (1991) da banda electrónica holandesa Peru:
Nota: O próprio Júlio Verne foi um amante da música, tendo deixado uma mão cheia de canções escritas. Em 2005, aquando do centenário da morte do escritor, foi lançado em França o disco Jules Verne – mélodies inédites, que divulga canções escritas pelo próprio Verne. As interpretações são de Françoise Masset (voz) e Emmanuel Strasser (piano)
É um poema-canção-manifesto absolutamente arrasador da autoria de Caetano Veloso. O tema Livros integra o álbum Livro (1997) e, entre uma incrível ode à literatura, lança ideias e conceitos como a radiação do corpo negro e a expansão do Universo. Enternece imaginar a “estrela entre as estrelas” a tropeçar “nos astros desastrada”. Vamos (ler e) ouvir:
«Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.»
Em Dezembro do ano passado, publicámos aqui uma nota sobre o Third Rock, projecto de radio da NASA para levar a ciência ao público mais jovem. O nosso leitor, Rubens Pazza, alertou-nos para a existência de um programa semelhante, no Brasil. Desde Setembro de 2010 que o programa Rock com Ciência embrulha conteúdos científicos num manto de música rock.
O programa nasceu no seio do campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa, no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Passa na rádio Máximus FM de Rio Paranaíba (Estado de Minas Gerais) e as emissões são posteriormente alojadas em site próprio, em formato podcast.
Para além do programa áudio, o projecto disponibiliza também textos complementares sobre os temas de cada semana
Com 59 edições já completas, o Rock com Ciência já abordou temas como a Sociologia, a Engenharia Civil, a Biologia Evolutiva, o Humor na Ciência e a Energia Nuclear, entre muitos outros. A música que aqui partilhamos é um regresso a Raul Seixas, com o tema Mosca na Sopa, utilizado pelo Rock Com Ciência para zumbir num programa sobre insectos.
Sob o mote Promover, Inspirar e Educar nasce o projecto Our Blue: um vídeo, uma música e uma acção inovadora de consciencialização e angariação de fundos para a preservação do oceano.
Tudo começou em 2010 com um pequeno grupo de instrutores de mergulho no Egipto e adaptações de músicas como Bohemian Rhapsody dos Queen e Ticket to Ride dos Beatles. O sucesso online ( já têm mais de seis mil membros no grupo do facebook) incentivou-os a mergulhos mais profundos e aventuraram-se a escrever, compor e filmar material original. O resultado de 10 meses de filmagens e centenas de mergulhos foi o vídeo de 7 minutos “Our Blue” pelos Tank Bangers. Com este vídeo, o grupo pretende alertar para a fragilidade do meio ambiente e para o impacto que as nossas acções têm no seu declínio. Podemos comprar a música no website dos Tank Bangers. Os fundos angariados serão depois distribuídos por organizações de conservação dos oceanos e Cancer Research UK – segundo os Tank Bangers «é importante cuidar também das pessoas». E porque é que nos devemos importar com os oceanos? O vídeo “blue wonder” pode explicar (tentem não se focar só na imagem do “hello”).
Science & Faith (2010) dá nome ao segundo álbum dos The Script e à quarta faixa do mesmo.
O refrão da música remete-nos para o antigo duelo entre a fé e a ciência, como dois antagonistas, titãs, a debaterem-se pelas nossas almas e totalmente incompatíveis no mesmo contexto espácio-temporal:
«You won’t find faith or hope down a telescope You won’t find heart and soul in the stars You can break everything, got the chemicals But you can’t explain a love like ours.»
Resistindo ao ímpeto de enveredar pelas teias da teologia, contesto simplesmente que a ciência também exige uma grande dose de fé e de esperança. Cada vez que olhamos através dum microscópio, para observamos as células mais pequenas, ou através dum telescópio, para observarmos as estrelas mais brilhantes, fazêmo-lo com fé e esperança de descobrirmos um pouco mais sobre o mundo que nos rodeia. E, não consigo resistir, faço-o sempre com admiração pela evolução que nos conduziu até o Aqui e o Agora.
A ciência é uma aventura e a exploração espacial é eternamente apletiva! Espaço a última fronteira (Space: the final frontier) – a frase de abertura dos inúmeros episódios do Star Trek – marcou uma geração e, para mim, o fascínio pela descoberta de outros mundos e aventuras. No entanto, naveguei por outros mares e embarquei noutras descobertas mas sempre com uma banda sonora porque não há aventura sem música.
Relembro agora, com ternura, as horas intermináveis que passei no microscópio confocal a adquirir imagens de neurónios fluorescentes. A música, a minha companheira que me proporcionava momentos de alegria e de descobertas magníficas! A melhor de todas foi a KEXP, uma rádio de Seattle que me fazia ficar sempre bem-disposta: eu podia estar no escuro durante horas mas Seattle acordava inadvertidamente para um dia chuvoso… Depois foi a Pandora, uma das primeiras rádios online personalizadas. Pouco tempo depois desta descoberta, a rádio passou a estar acessível somente a partir dos Estados Unidos.
No entanto, o fascínio pelo espaço continua presente e agora até já tenho a banda sonora para a viagem: Third Rock. A Third Rock é uma rádio online desde 12 de Dezembro com um alinhamento peculiar: música fantástica e notícias da NASA. Sim, essa mesmo: a National Aeronautics and Space Administration. Entre uma música dos Arcade Fire e outra dos The XX, são incorporadas notícias da NASA, saudações dos colaboradores, reportagens sobre o dia-a-dia dos cientistas e engenheiros da NASA, etc.
Desta forma, a NASA aposta na exploração de novos formatos para comunicar ciência e angariar apoio junto da audiência 4G , constituída por jovens adultos – uma das denominadas hard to reach.
Agora que já temos banda sonora, se alguém sabe o que se ouve no espaço é a NASA e até vamos aprendendo algumas coisas: só faltam os 200,000$ para reservar um dos lugares nos voos suborbitais da Virgin Galactic. Um passo de cada vez…
A rubrica Os Sons da Ciênciavolta a Fausto Bordalo Dias. Pouco tempo depois de o artista apresentar o disco Em busca das Montanhas Azuis (2011), fazemos uma viagem de 41 anos até à primeira música do primeiro EP que Fausto editou, em 1970. Madrugada é o tema de abertura de Fausto (1970) e conta a história de um homem e uma mulher que se cruzam de madrugada, essa hora “toda feita de cansaço”. E o que aconteceu? “Ele lia o jornal,/ O sinal mudou,/ Ela atravessou,/ Num adeus final”. E ‘dentro do jornal’, uma reflexão com alguma ironia sobre os horizontes da ciência e das explorações espaciais:
«Estados Unidos da América: Cientistas afirmam que as explorações espaciais levarão ao progresso do mundo e às portas do céu.»
Não se pode lutar contra o amor, a química do amor, a biologia do amor ou os seus impulsionadores biológicos: a atracção sexual e a ligação afectiva. Felizmente os avanços nas área das Neurociências vão-nos dando algumas pistas para compreender como o nosso cérebro nos permite sentir dessa forma. (Avisa-se desde já que este não é um post super romântico e lamechas, vamos directos para a química!)
A Róisín Murphy (ex- Moloko) está com um problema (que apresenta no tema Overpowered, integrado no álbum homónimo de 2007): sente-se impotente face aos químicos que flutuam no seu cérebro, químicos esses que a ciência ainda não consegue explicar.
«When I think that I’m over you
I’m overpowered
It’s long overdue
I’m overpowered
As science struggles on to try to explain Oxytoxins flowing ever into my brain»
Ok, a ciência não explica tudo, mas explica algumas coisas como a Ocitocina e outras que tais toxinas que afligem a menina Róisín.
Um dos primeiros sinais de enamoramento é o “palpitar dos corações”, ou seja, as fases iniciais de amor induzem uma reposta de stress e os níveis de adrenalina e cortisol aumentam no sangue. Na fase de atracção a Dopamina e a Serotonina desempenham também um papel fundamental. A Dopamina está associada com a estimulação de desejo e recompensa.
Helen Fisherobservou, através de MRI scans, que quando os vountários para o estudo observam uma fotografia da pessoa pela qual estavam apaixonadas, o sistema dopaminérgico era activado. Por seu lado a Serotonina faz com que estejamos sempre a pensar na pessoa amada (que bonito…), mas para isso é necessário um equilíbrio muito delicado entre a Serotonina e a Dopamina, como Helen explica no seu capítulo do livro “Grandes Ideias Perigosas”
Depois é necessário “manter a chama”, estabelecer uma ligação afectiva é importante para que os casais fiquem juntos o tempo suficiente para terem e cuidarem de filhos. E aqui entra em acção a Ocitocina (com que a Róisín se preocupa) e a Vasopressina. Mas para percebermos melhor como nos apaixonarmos e nos mantermos apaixonados, nada melhor do que ouvir a palestra fascinante da Helen para a TED.
Colaboradores activos
André Levy
David Marçal
João Cão
Pedro Falcão
Sara Amaral
Sílvia Castro
Sílvio Mendes
Outros colaboradores
Ana Confraria
Andreia Reis
Beatriz Lloret
Paulo Bettencourt
Ricardo Ramiro
Vasco Matos Trigo