A Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha vai na III Edição (termina amanhã, 30 de Outubro) e é uma verdadeira montra do dinamismo que se concentra à volta da divulgação científica nesta cidade galega. Exemplos disso são os três (!) Museus de Ciência que a cidade possui, das quais já vos falei no ano passado.
Mas as surpresas não ficam por aqui. Na edição deste ano ficámos a conhecer melhor Julio Casal, economista de formação e profissão (a “ciência obscura”, como ele diz ser costume catalogá-la), e um profundo apaixonado pela ciência em geral, abraçando por isso a Asociación de Amigos da Casa das Ciências e as exigências da organização da Mostra.
Elementos que, por si só, já dariam uma boa história. Mas a que vos quero contar aqui é outra: Julio, que não se cansa de questionar o mundo, é o criador (2007) da editora de divulgação científica “le pourquoi-pas?” (por que não?), sediada, lá está, na Corunha.
A le pourquoi-pas? coloca no mercado uma “colecção de volumes de divulgação científica escritos por autores espanhóis de reconhecido prestígio”, como são os casos de Ramón Núñez, director do Museo Nacional de Ciencia y Tecnologia, Manuel Toharia e Miguel Barral.
Uma série de livros que tem como objectivo “dar respostas a questões da actualidade sob um ponto de vista da ciência mas também do censo comum”, com um estilo “multidisciplinar que demonstre as inesgotáveis conexões que [a ciência] tem com outros âmbitos”.
Julio Casal até nem precisava de ser economista para perceber que um negócio destes assenta mais numa ideia romântica e numa vontade de servir o público do que numa real possibilidade de lucro. Mas, com a sua iniciativa, garante mais ‘três pontos’ de admiração para o impressionante ‘Deportivo Cientifico de La Coruña’ (para que não suscite dúvidas: a expressão é mesmo invenção minha).
Porquê o nome “le pourquoi-pas?”? Julio conta aqui a história melhor que eu o faria.





Barbara Hammer é uma verdadeira sobrevivente – do cinema experimental, que diz correr sérios riscos de extinção (por culpa do “novo mundo da desordem”) e do cancro nos ovários que, recentemente, colocou a sua vida em risco. Sobreviveu à doença e colocou a sua experiência na tela com assombrosa beleza, num imprevisível diário autobiográfico registado durante o processo de tratamento de uma doença oncológica. “
