Arquivo de etiquetas: Fausto Bordalo Dias

Os Sons da Ciência (31): O jovem Fausto Bordalo Dias e as explorações espaciais


A rubrica Os Sons da Ciência volta a Fausto Bordalo Dias. Pouco tempo depois de o artista apresentar o disco Em busca das Montanhas Azuis (2011), fazemos uma viagem de 41 anos até à primeira música do primeiro EP que Fausto editou, em 1970.
Madrugada é o tema de abertura de Fausto (1970) e conta a história de um homem e uma mulher que se cruzam de madrugada, essa hora “toda feita de cansaço”. E o que aconteceu? “Ele lia o jornal,/ O sinal mudou,/ Ela atravessou,/ Num adeus final”. E ‘dentro do jornal’, uma reflexão com alguma ironia sobre os horizontes da ciência e das explorações espaciais:

«Estados Unidos da América: Cientistas afirmam que as explorações espaciais levarão ao progresso do mundo e às portas do céu.»

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (6): Manifesto ecológico num “pé de catraia em óleo sujo à beira mar”


Editado em 1977, o quarto álbum de Fausto Bordalo Dias –Madrugada dos trapeiros – contém um tema que, para muitos, se assumiu como o primeiro grande manifesto ecológico da música portuguesa. Podemos defender que sim e o seu contrário, mas melhor mesmo é ouvir este extraordinário tema – Se tu fores ver o mar (Rosalinda) de um dos mais inspirados cantautores da história da música portuguesa.

Se Tu Fores Ver o Mar (Rosalinda)

«Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão

(…)

Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado.»

Publicado por Sílvio Mendes