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Concurso Famelab Portugal entra na fase final: Já escolheu o seu comunicador de ciência favorito?


É já no próximo sábado, 8 de Maio, que ficaremos a conhecer o representante português do FameLab, Concurso Internacional de Comunicação Científica. A grande final lusa está marcada para as 17h30, no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, em Lisboa, e põe frente a frente os dez finalistas do concurso.

O vencedor irá representar Portugal na Final Internacional do FameLab, marcada para 12 de Junho, no Cheltenham Science Festival, no Reino Unido.
E quem escolhe o vencedor? Um júri, composto por António Granado (jornalista e professor de Comunicação Social), Carlos Fiolhais (Professor universitário e divulgador de ciência), Maria Mota (investigadora e presidente da Associação Viver a Ciência) e Nuno Crato (Professor universitário e divulgador de ciência).

O evento abre as portas ao público (inscrição gratuita aqui) e será transmitido em directo no canal on-line Ciência Viva TV.

Veja como se portaram os dez finalistas nas semi-finais e escolha já o seu favorito (sem que isso implique que não possa mudar de ideias):

:: Alexandre Aibéo (Professor no Instituto Politécnico de Viseu)
:: André Fonseca (Técnico superior de 1ª classe no Departamento de Engenharia do Ambiente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria)
:: Carlos Silva (Estudante de Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico em Lisboa)
:: Maria Manuel Afonso (Estudante no Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto)
::  Maria João Fonseca (Doutoranda no ensino de biotecnologia, na Faculdade de ciências da Universidade do Porto (FCUP) e no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC))
:: Marta Rodrigues (Estudante de Biologia, na Universidade de Aveiro)
:: Pedro Morouço (Doutorando em Ciências do Desporto, no Instituto Politécnico de Leiria)
:: Rogério Martins (Professor e investigador no Departamento de Matemática, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa)
:: Rui Castanhinha (Investigador da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã)
:: Telmo Santos
(Mestrando em Bioquímica da Universidade de Coimbra)

Publicado por Sílvio Mendes

Quem é quem no “Workshop Ciência, Política e os Media” – Sessão 3

O que se pretende com a comunicação de ciência

- Divulgação, diálogo e/ou lobby?

Sessão 3 – 14h00 (15 de Abril, Fundação Calouste Gulbenkian)

Biografias dos participantes:

Ana Noronha | Ciência Viva

É directora da Agência Ciência Viva, onde são desenvolvidas iniciativas de promoção da cultura científica e tecnológica. Terminou o curso de Física em 1980 na Universidade de Lisboa e fez o doutoramento no Instituto Superior Técnico, também em Física, na área dos Sistemas Não-lineares. Foi professora auxiliar no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico e integra a equipa da Ciência Viva desde 1997, pertencendo à direcção desde 1999. Como elemento da Ciência Viva, pertence ao Advisory Committee on Education da Agência Espacial Europeia (ESA).

Ligações: Ciência Viva | Agência Espacial Europeia


José Xavier | Instituto do Mar da Universidade de Coimbra – British Antarctic Survey

Doutorado em Zoologia pela Universidade de Cambridge, Reino Unido, é representante de Portugal em três programas científicos internacionais e investigador principal no projecto nacional POLAR. Foi co-organizador do programa educacional LATITUDE60!, sobre as regiões polares, e tem estado activamente envolvido com os media para promover ciência junto do público em geral. Estuda o comportamento de pinguins e albatrozes em relação às alterações climáticas e é o cientista português que realizou a mais longa expedição científica de Portugal na Antárctica.

Ligações: Blogue Ciência Polar | Portal Polar | Instituto do Mar da Universidade de Coimbra

Marta Agostinho | Instituto de Medicina Molecular

É directora da Unidade de Comunicação do IMM, onde coordena projectos na área de Ciência e Sociedade, assuntos relacionados com a comunicação do Instituto, eventos com o público e a interacção com os media. É licenciada em Bioquímica, doutorou-se em Ciências Biomédicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e fez investigação na área da expressão génica. É pós-graduada em “Ciência e Sociedade” pela The Open University e foi recentemente eleita para integrar o Comité de “Ciência e Sociedade” da Federação Europeia das Sociedades de Bioquímica – FEBS.

Ligações: IMM| Federação Europeia das Sociedade de Bioquímica


Paulo Gama Mota | Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

É director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, inaugurado em 2006 e instalado no Laboratório Chimico. Foi responsável por vários projectos da Ciência Viva junto das escolas, director do Museu Nacional da Ciência e da Técnica Doutor Mário Silva entre 2002 e 2007, e coordenou a realização de várias exposições de divulgação e comunicação de ciência. É licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra e doutorou-se em Biologia, com especialidade em Ecologia Animal.

Ligações: Museu da Ciência da Universidade de Coimbra | Entrevista à Ciência Viva TV | Blogue De Rerum Natura

Joana Barros | Associação Viver a Ciência

Coordena a Associação Viver a Ciência desde 2008. Estudou Genética Molecular no Kings College London e fez o doutoramento no Institute of Cancer Research. No âmbito do seu trabalho de pós-doutoramento na VAC realizou várias iniciativas com o objectivo de promover a carreira de investigador e de levar a ciência ao grande público. Nomeadamente, produziu o caderno “Profissão: Cientista – retratos de uma geração em trânsito” e o livro “Vidas a Descobrir – Mulheres cientistas do mundo lusófono”, que originou recentemente uma exposição de fotografia homónima.

Ligações: Associação Viver a Ciência | Livro “Vidas a Descobrir – Mulheres Cientistas do mundo lusófono” | Caderno “Profissão: Cientista – retratos de uma geração em trânsito”

Painel:
Ana Noronha, Ciência Viva
José Xavier, Instituto do Mar da Universidade de Coimbra; British Antartic Survey
Marta Agostinho, Instituto de Medicina Molecular
Paulo Gama Mota, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Moderador:
Joana Barros, Associação Viver a Ciência
Relator:
Sílvio Mendes, Comunicador de Ciência



Este texto integra o dossier especial criado para o Workshop Ciência, Política e os Media (15 de Abril de 2010, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)

Inside [Arte e Ciência] – “A nova arte contamina”

fc1488eaf028ef876bfed2ff39626ae4.wix_mpCom portas abertas desde 24 de Setembro e até 24 de Novembro, a exposição INSIDE [arte e ciência] reúne 22 artistas que, de diferentes formas, baseiam a sua obra na ciência, desde a biologia, a inteligência artificial ou a robótica.

A iniciativa pode ser visitada na Cordoaria, em Lisboa, e proporciona também um tentador leque de Passeios Cognitivos, nome atribuído à série de conferências administradas por proeminentes cientistas nacionais e internacionais.

No site oficial do evento, o conceito de Arte e Ciência é definido como uma referência a um «conjunto de práticas artísticas derivadas ou combinadas com a ciência». «Embora seja ainda demasiado amplo e pouco definido este conceito pode desde já destacar-se da usual “ilustração científica”. De facto, esta nova forma de arte usa o conhecimento científico como base de processos criativos e artísticos originais», complementa-se.

A iniciativa, promovida pela Ciência Viva em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, tem a ambição de «contribuir para o desenvolvimento desta importante tendência, a qual, será certamente fundadora da arte do século XXI».

A 24 de Novembro, a iniciativa celebra o Dia Nacional da Cultura Científica com uma festa e uma exposição dedicadas a Rómulo de Carvalho, o virtuoso cientista e poeta (António Gedeão), autor do poema Pedra Filosofal.

Publicado por Sílvio Mendes

Experiências de Comunicação de Ciência em discussão no Porto

The Wonder Book of Science, 1922, © Nature Publishing group, Galbraith O'LearyNa tarde de sexta-feira, dia 27, um painel grande e interventivo fechou o encontro de comunicadores de ciência “Science: what else?”. Segundo o tema Experiências de Comunicação de Ciência, os participantes foram: Júlio Santos do gabinete de comunicação científica do IBMC/INEB do Porto; Filipe Pires do Centro de Astrofísica da UP; António Gomes da Costa do Pavilhão do Conhecimento, Centro Ciência Viva de Lisboa; Carlos Soares do Visionarium, Centro Ciência Viva de Santa Maria da Feira; Filipe Ressureição da Escola Secundária de Arouca e José Azevedo, sociólogo da FEUP. A moderadora foi Sandra Inês Cruz da RTP.

Das diferentes experiências emergiram tópicos de discussão sobre estratégias e finalidade da comunicação de ciência, a literacia (ou falta dela) em Portugal e sobre o perfil profissional do comunicador de ciência.

Centro Ciência não é local de ensino

Os Centros Ciência Viva e a sua filosofia de funcionamento estiveram em destaque. O Pavilhão do Conhecimento e o Visionarium têm, respectivamente, cerca de 250’000 e 100’000 visitantes por ano, na sua maioria estudantes do Ensino Básico e Secundário em visitas guiadas. Carlos Soares, do Centro Ciência “onde o futuro é uma peça de museu” diz que os Centros Ciência têm como objectivo o “despertar de vocações”, opinião partilhada por António Gomes da Costa. Segundo o director executivo do Pavilhão do Conhecimento, “ensinar ciência não acontece num Science Center” . Os visitantes têm, sim, oportunidade de ganhar familiaridade e verificar a utilidade da ciência. A aprendizagem em si fica remetida para a escola.

Nesta discussão sobre onde fica a fronteira entre comunicação e ensino de ciência foi importante a presença do professor Filipe Ressureição. A sua apresentação encheu-se de emoção ao descrever a evolução do seu grupo em oito anos. No princípio, uma sala e uma arrecadação e falta de equipamento. Hoje, os jovens do 10.º ao 12.º ano da Vila de Arouca têm oportunidade de ser envolvidos em investigação científica de excelência (conforme reporta aqui o Ciência Hoje).
O professor descreveu um percurso sinuoso à procura de novos financiamentos, como o da Agência Ciência Viva. A experiência do Professor de Arouca motiva-o a ser crítico dos Centros Ciência portugueses. “O meu problema é com o modelo de módulos disparatamente caros sem rentabilidade”, acrescentou.

Críticas à Ciência Viva

Apesar desta intervenção, a falta de sustentabilidade económica dos Centros Ciência não foi discutida. A referência indirecta ao tema veio quando se falou do voluntariado. Gomes da Costa explicou, desde logo, um princípio básico do voluntariado, que “os voluntários não vêm substituir o trabalho pago” e elogiou os seus voluntários séniores “aproveitados como comunicadores”. Carlos Soares sublinhou a dedicação dos voluntários que fazem parte do Visionarium e a representante do Jardim de Botânico de Lisboa expôs a estratégia equilibrada e elegante para integrar e motivar estudantes e voluntários no dia-a-dia de “um paraíso no coração da cidade”.
Outra crítica dirigida à Ciência Viva foi proferida pelo investigador José Azevedo, que afirmou que a Agência “não se preocupa com a divulgação de resultados, criação de redes” e falha no processo de avaliação. Gomes da Costa, como membro da direcção da Ciência Viva, reconheceu a crítica e referiu “várias tentativas de fazer essa avaliação”. O Fórum Ciência Viva foi criado também na perspectiva de “mostrar exemplos de boas dinâmicas e criar uma rede”, justificou ainda.

Cultura Científica

O sociólogo José Azevedo abordou a cultura científica na sociedade. Segundo um estudo comparativo publicado em 2007 (aqui acessível em inglês), há uma falta de estudantes que queiram seguir uma carreira científica nos países desenvolvidos. O paradoxo elevado a “preocupação política” é que “os inquiridos têm a noção da importância da ciência para a sociedade mas não o querem para si”.
Júlio Santos também promove uma cidadania activa no laboratório associado IBMC/INEB, com cerca de 2’000 alunos por ano a tomar parte das actividades promovidas. A falta de alunos interessados na carreira científica é preocupante, contudo desabafa: “enganar meninos é o que eu não quero”. A promoção do imaginário de ficção científica CSI “não contribui para a cultura científica”, defende.
Esta carência de cultura de ciência está presente “a todos os niveís” afirma o Presidente do Visionarium. Mas qual a solução? A comunicação de ciência “tem que se tornar mais disponível para discutir com o público”, defende o sociólogo. É necessário “criar uma perspectiva de criação de hierarquia horizontal” com o público.
Pragmaticamente, quais as iniciativas a desenvolver? Segundo Azevedo, temos que fomentar uma cultura de avaliação, para permitir uma melhoria nas iniciativas e envolver os novos media na criação de redes. E é importante ter espaços onde pessoas sem formação específica possam intervir e partilhar ciência.
O Centro Ciência pode ser este espaço de partilha, uma “arena óptima” para intervenção social. O Pavilhão do Conhecimento tem promovido estas estruturas não-formais de ciência, com workshops com participantes dos 14 aos 68 anos. Contudo, Gomes da Costa verifica “a dificuldade em criar espaços de discussão que envolvam adultos”.
Realmente, conforme realçou o cientista José Azevedo, preocupam socialmente os adultos e pais com resistência à educação científica. Neste sentido, é importante ter “profissionais de comunicação com formação científica”.

Acreditas no El Dorado?

O perfil do comunicador de ciência foi um último ponto de discórdia nos últimos minutos do “Science: what else?”. Por um lado, foi defendida a criação de uma via de especialização em jornalismo científico. Por outro, conforme afirmou veementemente a moderadora Sandra Cruz, acreditar nas especializações de ciência é “acreditar no El Dorado”. O mercado profissional está saturado, o desemprego abunda e há uma sobrecarga de especializações. Será que há colocações para estes profissionais? Talvez Portugal não esteja assim tão mal cotado na aldeia global. Afinal a ciência e o jornalismo científico de excelência já existem por cá.

Publicado por João Cão

«O compromisso com a ciência é uma política de longo prazo?»

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Conferência Parlamentar Sobre Ciência: 1º PAINEL – A Ciencia em Portugal: Realidade e perspectivas

O primeiro painel da Conferência Parlamentar Sobre Ciência, que se realizou no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República, no dia 3 de Março, reuniu João Santieiro (Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia), Lino Fernandes (Presidente da Agência de Inovação) e Ana Noronha (Directora Executiva do Ciência Viva).

Os dois primeiros oradores estiveram em quase plena sintonia, e as suas intervenções quase se podem resumir numa só ideia: o reforço do orçamento para a ciência tem sido grande nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

João Santieiro defende que «pela primeira vez temos empresas privadas a financiarem de forma significativa a actividade científica». O motivo: «O investimento público teve um efeito de alavanca para o investimento privado».Mas o presidente da FCT deixou também algumas interrogações: «O compromisso com a ciência é uma política de longo prazo? É possível encontrar na sociedade portuguesa um consenso que permita essa estabilidade? Nós, na comunidade científica, sabemos que se assim não for é difícil continuar». «Temos que nos aliar, internacionalizar e fazer parte da comunidade internacional», apontou.

O presidente da Agência de Inovação, Lino Fernandes, pintou um cenário totalmente optimista: Portugal apresenta hoje uma massa crítica mais recente, mais actualizada e mais internacionalizada, e é já um produtor de tecnologia com capacidade de exportação. «Estamos ainda atrasados, é verdade, mas temos recuperado». Resultados práticos para um ano delicado? «É a primeira grande crise que a economia portuguesa atravessa em que não tem o atraso científico dos anos 30. Estamos melhor preparados para superar problemas complexos e a crise também pode significar uma oportunidade», defende.

Ana Noronha destacou a importância vital das acções de divulgação de ciência – «para haver desenvolvimento científico, é preciso que o público compreenda o mundo científico» – sobretudo no público mais jovem. «O futuro está nas mãos dos mais novos, espero que com cultura científica», concluiu.

A deputada independente Luísa Mesquita havia inaugurado o painel. Desta forma: «A comunidade científica é maioritária nesta plateia, que faz sentir ao parlamento que vê nas questões de ciência uma questão muito importante para o país»

Publicado por Sílvio Mendes