Vê-se à segunda (30): Breve História do Planeta Terra

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Breve História da Terra

Esta segunda partilhamos mais um filme que, em menos de 3 minutos, nos fala da evolução do nosso planeta. Vale a pena ver e aprender um pouco mais sobre a terra e o que já  sabemos sobre ela.

Pubicado por Sara Amaral

Vê-se à segunda (29) : Aventuras de pensadores de Ciência

A Open University produziu esta animação que nos oferece uma viagem por alguns conceitos científicos com os quais nos deparamos todos os dias.

Publicado por Sara Amaral

Nova espécie de escorpião

Arquipélagos de ilhas são reconhecidas como locais com grande potencial para especiação e radiação adaptativa, e logo como locais para espécies endémicas e biodiversidade notável. Os tentilhões e tartarugas das Galápagos.  As Drosophila e tentilhões em Hawaii. Os caracóis nos Açores estudados pelo Prof. António Frias. Ilhas são locais favoráveis a especiação alopátrica, onde populações isoladas do continente e relativamente isoladas das outras ilhas podem divergir e formar novas espécies.

Mas não são só as ilhas de terra no meio oceano que favorecem especiação. Rios de água doce, “ilhas” aquáticas rodeadas de terra; nunataks (do Inuit nunataq) – rochedos expostos e rodeados de gelo; ou picos de montanha rodeados de terrenos mais baixos funcionam como “ilhas”.

As “ilhas aéreas” na Sierra Nevada (sky islands), no sudoeste dos EUA, rodeadas por planícies temperadas e deserto, nas zonas baixas, são um exemplo de como também este tipo de “ilhas” pode favorecer especiação, como exemplificado pelo estudo dos gafanhotos Melanopus pelo grupo de Lacey Knowles. O mapa abaixo ilustra este arquipélago de topos de montanha.

Geografia das "ilhas aéreas" na Sierra Nevada

Geografia das “ilhas aéreas” na Sierra Nevada

Este tipo de topografia em zona temperadas tem ainda outra importância biogeográfica. Encostas de montanhas apresentam um gradiente climático altitudinal análogo aos gradientes latitudinais. Assim, espécies adaptadas a climas frios, presentes durante períodos glaciares em latitudes mais baixas que actualmente, podiam refugiar-se, durante períodos inter-glaciares deslocando-se para norte ou subindo em altitude, para os topos de montanhas. Esta região dos EUA é uma intersecção de espécies temperadas (quentes e frias) e tropicais, contendo metade das espécies de aves da América do Norte e mais de 3000 espécies de plantas e 104 espécies de mamíferos.

Durante 50 anos, apenas quatro espécies de escorpiões de montanha do género Vaejovis eram conhecidas na zona topograficamente complexa do Arixona, Novo México e deserto do Sonora. Durante os últimos 6 anos, fruto de investigação intensa, este número mais do que triplicou. São agora conhecidas 13 espécies no grupo “Vaejovis vorhiesi” com distribuições alopátricas no Arizona. Por exemplo, Vaejovis jonesi ocorre em florestas de juniperos no Plateau do Colorado; Vaejovis lapidicola ocorre em florestas de pinheiro-carvalho na margem sul deste Plateau. Subindo em altitude encontra-se a a recém-descoberta V. deboerae. 

Vaejovis brysoni

Vaejovis brysoni

Uma nova espécie de escorpião Vaejovis brysoni foi descrita recentemente nas montanhas de Santa Catalina, tornando-se a primeira espécie que se encontra actualmente em simpatria com outra espécie do grupo, V. deboerae.

Ayrey RF, Webber MM. A new Vaejovis C.L. Koch, 1836, the second known vorhiesi group species from the Santa Catalina Mountains of Arizona (Scorpiones, Vaejovidae). ZooKeys. 2013 (270):21-35.
[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]
Publicado por André Levy

Nova espécie de coruja

A coruja Rinjani (Otus jolandae). Credit: Philippe Verbelen

A coruja Rinjani (Otus jolandae). Credit: Philippe Verbelen

A identificação de aves, em particular corujas, tradicionalmente baseava-se na plumagem e morfologia. Em 1978, o ornitólogo Joe T. Marshall constatou que devido à variabilidade geográfica nas cores e padrões de plumagem vários erros de classificação eram cometidos.

Marshall foi enviado pelo Smithsonian à Tailândia no final dos 1970′s para acertar a taxonomia das corujas endémicas em várias das suas ilhas, e propôs que as vocalizações fossem usadas como carácter taxonómico de maior confiança, em particular no género Otus.

Foi com base nesta característica que George Sangter e Ben Kim identificaram uma nova espécie de coruja na ilha de Lombok, ilha da província de Nusa Tenggara Ocidental da Indonésia, afastada por apenas 15 km da ilha de Sumbawa, a que deram o nome comum em referência ao segundo maior vulcão  da Indonésia (o Gunung Rinjani) e um epíteto específico com uma derivação do nome da esposa de Sangster: a coruja Rinjani (Otus jolandae).

Sonograma das várias espécies de Otus na região.

Sonograma das várias espécies de Otus na região.

Em 2003, Sangster e King, independentemente, viajaram a Lombok para estudar as vocalizações de uma população local de um noitibó e determinar se esta era Caprimulgus macrurus ou uma nova espécie (resultou ser efectivamente C. macrurus). Mas durante este estudo registaram novas vocalizações de uma coruja local. Usaram gravações da vocalização para atraírem indivíduos, e concluíram que eram distintas das corujas de Bali e Java.

A coruja de Lombok é tão parecida com a coruja das Molucas (Otus magicus), comum em várias ilhas da Indonésia, que nunca ninguém havia confirmado a sua classificação com base em vocalizações ou DNA. Também Sangster e King duvidaram que haviam feito uma descoberta, e nos últimos dez anos acumularam evidências: confirmaram que ninguém havia anteriormente reportado as diferenças, recolheram mais gravações em diferentes partes da ilha, procuram a coruja noutras ilhas, comparam a coruja com outros espécimenes em museus, e finalmente fizeram uma análise de DNA. Todas as evidências confirmavam que haviam descoberto uma nova espécie.

Diz Sangster: “Embora nos tenha levado quase 10 anos para descrever esta nova coruja, isto não é excepcional. Claro que todas as espécies fáceis de descrever já o foram a muito tempo, de forma que aquelas aves ainda por descobrir não revelam a sua verdadeira identidade facilmente.

Mapa da Wallacea, o grupo de ilhas Indonésias separadas por águas profundas da Austrália e Ásia continental, com as distribuições das espécies e subespécies de coruja.

Mapa da Wallacea, o grupo de ilhas Indonésias separadas por águas profundas da Austrália e Ásia continental, com as distribuições das espécies e subespécies de coruja.

Artigo Original: Sangster et al. 2013. A New Owl Species of the Genus Otus (Aves: Strigidae) from Lombok, Indonesia. PLOS ONE 10.1371/journal.pone.0053712
Fonte de informação adicional: Scientific American
[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]
Publicado por André Levy

Vê-se à segunda (28): Maravilhas naturais de Portugal

Hoje começa a semana e partilhamos um vídeo que mostra um pouco das tantas maravilhas naturais que o nosso país tem para oferecer.

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«Alguns momentos que as nossas lentes têm fotografado no decorrer do último ano que o vão levar numa pequena viagem desde as mais densas florestas até aos picos das maiores montanhas, atalhando por entre o Montado, descendo os mais belos rios sem deixar de passar pelos estuários e chegando finalmente onde o mar começa”.

Produzido pela aidnature, um projecto nacional que visa a documentação e conservação da natureza. Vale a pena espreitar os vários filmes e documentários.

Publicado por Sara Amaral

Congresso discute ‘comunicação de ciência portuguesa’ em Maio

Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2013 realiza-se nos dias 27 e 28 de Maio, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.

© Rita Caré, desenhado durante o Encontro Sci Com Portugal, em Abril de 2011.

© Rita Caré, desenhado durante o Encontro Sci Com Portugal, em Abril de 2011.

:: Envolver o público
:: Envolver os cientistas
:: Envolver os media

«O Congresso de Comunicação de Ciência 2013 pretende ser um ponto de encontro e discussão para todos os que trabalham e se interessam pela comunicação e divulgação da Ciência.
A comunidade de profissionais que se dedicam à investigação, promoção, comunicação e disseminação de ciência em Portugal tem-se desenvolvido consideravelmente nos últimos anos, com o correspondente aumento na quantidade e qualidade do trabalho realizado nestas áreas. Paralelamente a este crescimento, o interesse pelas questões científicas e tecnológicas e a procura de informação científica aumentou de forma sensível nos diferentes sectores do público. Com esta evolução, também amplificaram as oportunidades e a necessidade de actualização, de debate e de interacção na comunidade de profissionais de comunicação de ciência. O Congresso de Comunicação de Ciência – SciCom PT 2013 pretende ser uma plataforma ao serviço desses objectivos.»

Datas importantes:
Data limite para submissão de propostas: 26 de Março de 2013
Data de anúncio das propostas aceites para comunicação: 22 de Abril de 2013
Data limite para inscrição: 20 de Maio de 2013

Contactos oficiais: Blogue | Twitter | Facebook

Publicado por Sílvio Mendes

Espécies na troposfera

Quando pensamos em indivíduos vivos a ocupar o ar, na  vida aérea, na atmosfera, pensamos em nuvens de pólen, sementes em dispersão, ou animais voadores, como os peixes-voadores, insectos, as aves, morcegos, ou nos extintos pterossauros. Mas tal como na terra ou na água, também na atmosfera existem organismos microscópicos, que se mantêm na atmosfera não por acção muscular, mas em movimento browniano, aleatório, à mercê dos movimentos do ar, como o pó.

Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA (PNAS), por DeLeon-Rodriguez et al., documentou a existência de procariontes (células sem núcleo) a alturas entre os 8 e 15 km de altura, bem acima da Camada Limite Atmosférica . «As amostras foram recolhidas em 2010, a bordo de um avião DC-8, antes, durante e depois de dois grandes furacões no oceano Atlântico, Earl e Karl. Esta recolha aconteceu no âmbito do programa Processos de Génese e de Intensificação Rápida (GRIP), da agência espacial norte-americana NASA.» (ver) Segundo os autores do estudo, estes micro-organismos podem influenciar o clima, afectando a formação de nuvens. A análise genética das amostras demonstrou a existência de bactérias viáveis, com tamanhos entre 0,25 e um micrómetro de diâmetro, num total de 17 grupos diferentes, incluindo algumas capazes de metabolizar os compostos de carbono omnipresentes na troposfera.

atmosfera

 A troposfera é a a camada inferior da atmosfera, contendo 80% da sua massa e 99% do seu vapor de água. Estende-se entre 7 km – nas zonas polares – e 20 km de altitude – nos trópicos. A sua camada inferior, a Camada Limite Atmosférica, onde a fricção com a superfície influencia o movimento do ar, tem entre algumas centenas de metros até 3 km de altura  dependendo da forma da superfície e a hora do dia.

[Aproveito a ocasião de estar a escrever sobre procariontes para homenagear o recém falecido Carl Woese, que propôs a divisão dos procariontes entre as Bacteria e os Archea, que com os Eucariontes foram a sistemática de três reinos; sendo os Archea o reino irmão dos Eucariontes.]

Dada a amostragem de espécies de procariontes na atmosfera e o enorme volume desta, quantas espécies existirão na troposfera? Curtis et al. (2002) estimaram que poderão existir quatro milhões de taxa procariontes na atmosfera!

[Este artigo faz parte de uma série dedicada à biodiversidade e descoberta de novas espécies.]
Publicado por André Levy