
Imagem de “Sofia’s Last Ambulance “, de Ilian Metev (2012).
O Festival de documentário nacional e internacional DocLisboa celebra este ano a sua primeira década, entre 18 e 28 de Outubro, em várias salas de cinema lisboetas. A celebração faz-se com 186 filmes de 38 países, incluindo 68 obras portuguesas. Mais números: dezanove estreias mundiais, três estreias internacionais, catorze primeiras obras e duas ante-estreias.
Como já temos feito em edições anteriores, destacamos aqui alguns filmes a exibir que, de algum modo, reflictam ou abordem questões relacionadas com a ciência. O roteiro é simbólico e pode e deve ser comentado, debatido e complementado pelos nossos leitores*.
Babylon

Youssef Chebbi, Ismaël, Ala Eddine Slim | 119′ / Tunísia / 2012
Competição Internacional – Longas
REVELAÇÃO
Pessoas chegam a um território virgem numa zona selvagem. Rapidamente, constrói-se uma cidade do nada. Habitada por várias nacionalidades, as pessoas que aí vivem falam línguas diferentes. Esta nova Babilónia, rodeada de árvores e animais, ganha rapidamente a forma de uma cidade ao mesmo tempo banal e extraordinária.
25 OUT. 21:15 – Londres – Sala 2
26 OUT. 16:15 – Londres – Sala 1
Age is…

Stephen Dwoskin | 73′ / França, Reino Unido / 2012
Riscos (em memória de Chris Marker, Marcel Hanoun e Stephen Dowskin)
Uma meditação sobre a experiência subjectiva e os conceitos culturais de envelhecer. Uma ode à textura, beleza e singularidade de rostos e silhuetas em envelhecimento, um poema hipnótico feito de observações longas de detalhes minúsculos. Um gesto, uma pausa, um olhar, um momento. A intimidade foi sempre o mais importante nos seus filmes.
18 OUT. 21:15 – Londres – Sala 2
22 OUT. 16:15 – Londres – Sala 2
Poslednata Lineika na Sofia / Sofia’s Last Ambulance
Ilian Metev | 75′ / Bulgária, Croácia, Alemanha / 2012
Competição Internacional – Longas
REVELAÇÃO
Numa cidade onde treze ambulâncias se esforçam por servir dois milhões de pessoas, Krassi, Mila e Plamen são os nossos heróis improváveis, cheios de humor e salvando vidas contra todas as probabilidades. Ainda assim, a pressão de um sistema colapsado faz estragos. Por quanto tempo conseguirão tratar os feridos da sociedade até perderem empatia?
24 OUT. 21:45 – Londres – Sala 1
26 OUT. 19:15 – Londres – Sala 1
Não me importava de morrer se houvesse Guitarras no Céu / I wouldn’t mind dying if there were Guitars in Heaven

Tiago Pereira | 52′ / Portugal / 2012
Heart Beat
ESTREIA MUNDIAL
A Chamarrita é um baile mandado, em roda, que surgiu nos Açores há muitos anos. Um grupo de tocadores de viola da terra, bandolim, violão e rabeca (e por vezes “cantadores”) imprime a energia rítmica necessária ao avanço da dança. Há um “mandador” que vai coordenando os vários pares. Este bailho está especialmente vivo nas ilhas do Faial e do Pico.
22 OUT. 21:30 – São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
25 OUT. 16:45 – Londres – Sala 1
The Radiant

The Otolith Group | 64′ / Reino Unido / 2012
Competição Internacional – Longas
The Radiant explora o rescaldo de 11 de Março de 2011, quando o terramoto Tohoku atingiu a costa nordeste do Japão às 14:46, despoletando um tsunami que matou dezenas de milhares de pessoas e causando um acidente nuclear na central de Fukushima Daiichi. O filme invoca a promessa histórica de energia nuclear e convoca a ameaça futura de radiação.
20 OUT. 19:00 – Culturgest – Gr. Auditório
24 OUT. 18:45 – Culturgest – Pq. Auditório
Nuukuria Neishon / Nuclear Nation
Atsushi Funahashi | 145′ / Japão / 2012
Investigações
Um documentário sobre o exílio dos habitantes de Futaba, a região onde se situa a central nuclear de Fukushima Daiichi. No dia seguinte ao terramoto de magnitude 9.0 de 11 de Março de 2011, os habitantes de Futaba ouviram a explosão de hidrogénio no reactor 1 e choveu-lhes pó radioactivo em cima. A cidade foi toda designada como “zona de exclusão”.
18 OUT. 21:45 – Londres – Sala 1
22 OUT. 21:30 – São Jorge – Sala 3
24 OUT. 16:00 – Culturgest – Gr. Auditório
Um Rio chamado Ave / A River called Bird
Luís Alves de Matos | 20′ / Portugal / 2012
Competição Portuguesa – Curtas
Uma viagem contínua entre o passado e o presente. Num sentido de impermanência, como a condição natural do rio e do Homem. Num voo rasante sobre as suas águas, desde o seu início nas montanhas até à sua foz, assistimos às consequências da indiferença do Homem para com a natureza. Mas o rio resiste. Pois tudo o que é profundo se revela à superfície.
22 OUT. 19:30 – Culturgest – Gr. Auditório
24 OUT. 16:30 – São Jorge – Sala 3
* Sobre os critérios: Em última instância, todos os documentários de um festival cuja missão passa por «ver e a pensar o mundo, promovendo, ao mesmo tempo, uma reflexão viva e actuante» enquadra-se forçosamente no âmbito da ciência, quanto mais não seja no levantamento de questões da sociologia, da antropologia e da psicologia. Esta lista é, assumidamente, uma de milhares de propostas possíveis para um roteiro.
Publicado por Sílvio Mendes