Arquivo da Categoria: Arte e Ciência

Um rapaz e o seu átomo: o filme “mais pequeno do mundo”

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Investigadores da IBM criaram o “filme mais pequeno do mundo”. Não estamos a falar da duração do filme mas do facto de a animação recorrer à deslocação de átomos, com recurso a um microscópio especial.

O filme chama-se A Boy and his Atom (Um Rapaz e o seu átomo) e é feito com partículas invisíveis ao olho humano, aumentadas cem milhões de vezes. A equipa da IBM disponibilizou também um outro vídeo em que explica os objectivos e o processo de criação deste projecto.

Saber Mais: Notícia Público | Notícia BBC

Publicado por Sílvio Mendes

Ciência e cinema no IndieLisboa 2013: quatro recomendações em galego*

O produtor, programador e crítico de cinema galego, Martin Pawley, aceitou o nosso desafio e desenhou uma trajectória de ciência e cinema que é possível percorrer na edição de 2013 do Festival IndieLisboa. O desfile de cinema independente começa hoje, 18 de Abril, e permanece nas salas de Lisboa até dia 28.

Aqui ficam as sugestões – em bom galego! – daquele que foi também o responsável pela Mostra de Ciencia e Cinema da Corunha.

LEVIATHAN de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel.
2012. 87 minutos. Competição internacional. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.12.21
Se só foran ver un filme en 2013, que sexa Leviathan, unha obra mestra que obriga ao espectador a vivir de maneira totalmente inmersiva os ritmos cotiás dun barco de pesca de arrastre. Os directores empregan multitude de pequenas cámaras para obter imaxes imposíbeis, arrebatadoras, do esforzo humano no medio da natureza máis brava; o impresionante tratamento de son contribúe a facer do filme unha experiencia en sala inesquecíbel, verdadeiramente hipnótica. Lucien Castaing-Taylor codirixe o Film Study Center e o Sensory Etnography Lab da Universidade de Harvard. Tanto el coma Véréna teñen formación como antropólogos.
Festivais: Locarno 2012, Toronto 2012, Viennale 2012, FICUNAM 2013, BAFICI 2013, entre outros.

DA VINCI de Yuri Ancarani.
2012. 25 minutos. Competição internacional. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.16.42
Da Vinci
é un sistema robótico deseñado para facer intervencións cirúrxicas non invasivas. É imposíbel non ficar fascinado pola beleza coreográfica dos movementos da máquina e -sobre todo- pola espectacularidade das imaxes de altísima definición do interior do corpo humano que nos ofrece esta marabilla coa cal Yuri Ancarani pecha a triloxía dedicada ao traballo integrada ademais por Il Capo e Piattaforma Luna.
Festivais: Roma 2012, Rotterdam 2013.

DONAUSPITAL – SMZ de Nikolaus Geyrhalter.
2012. 75 minutos. Pulsar do Mundo. | Trailer
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.20.46
Sete anos despois de examinar na fermosa e inquietante Our daily bread a (deshumanizada) produción industrial de alimentos, o director austríaco retrata a vida diaria dun dos maiores hospitais de Europa. Os cuartos dos pacientes, a sala de urxencias e a cociña; os servizos relixiosos e as reunións de traballo: a cámara descóbrenos todos os espazos para construír unha imaxe de conxunto da institución e revelar paralelismos entre o (cerebral) oficio do médico e do cineasta.
Festivais: FIDMarseille 2012, IDFA 2012.

METAMORPHOSEN de Sebastian Metz.
2013. 84 minutos. Pulsar do Mundo.
Captura de ecrã 2013-04-18, às 02.22.35
En setembro de 1957 tivo lugar un accidente na central nuclear de Mayak, nos Montes Urales, que está considerado o máis grave da historia despois dos de Chernobil e Fukushima. O réxime soviético fixo todo o posíbel por ocultar unha traxedia que provocou non menos de cincuenta mortos e deixou case medio millón de persoas expostas á radiación; algunhas zonas afectadas seguen a ter o acceso restrinxido por causa da contaminación radiactiva. O alemán Sebastian Mez (Essen, 1982) explora nun esteticista branco e negro o territorio e os seus habitantes nun filme que asenta a súa denuncia social e política no bo gusto artístico.
Festivais: BAFICI 2013.

 Escrito por Martin Pawley*
*Martin Pawley é produtor, programador e crítico de cinema. Entre 2007 e 2011 foi o responsável pela Mostra de Ciencia e Cinema da Coruña.

Literatura e Ciência (28): João Paiva mistura poesia com química


O centenário da Sociedade Portuguesa de Química foi a alavanca perfeita para a publicação do livro quase poesia quase química (2012) - disponível gratuitamente em versão digital . O autor, João Paiva, docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, oferece 33 poemas que fundem o seu gosto pela escrita e pela divulgação de ciência. Densidade, que aqui publicamos, é um deles.

«Densidade

Quando me
centro em mim,
cresce a minha densidade.
Mais massa
no mesmo volume
das minhas possibilidades.
Cheio,
deixo de flutuar.»

Numa entrevista publicada no site Ciência 2.0., João Paiva explica os porquês deste livro:

«Tenho um certo gosto pela poesia já prévio à ciência. É muito curioso. A poesia sobre ciência começou com uma brincadeira, quando fiz algumas adivinhas para os alunos. Depois achei que poderia fazer alguns exercícios mais elaborados de misturar a poesia com a química e há aí algum sentido de sedução pela química, a pretexto da poesia e há alguma sedução também pela poesia e pelo gosto do jogo de palavras, pela comunicação e pela semântica. Tenho feito algumas sessões em escolas e com outros públicos com esses poemas que têm a sua graça e ainda estou a avaliar essa experiência. Tem sido engraçado e interessante. E a poesia pode ser uma das muitas formas de comunicar ciência. Não há qualquer dúvida sobre isso.»

Publicado por Sílvio Mendes

DocLisboa 2012: Do Rio Ave até à central nuclear de Fukushima Daiichi

Imagem de “Sofia’s Last Ambulance “, de Ilian Metev (2012).

O Festival de documentário nacional e internacional DocLisboa celebra este ano a sua primeira década, entre 18 e 28 de Outubro, em várias salas de cinema lisboetas. A celebração faz-se com 186 filmes de 38 países, incluindo 68 obras portuguesas. Mais números: dezanove estreias mundiais, três estreias internacionais, catorze primeiras obras e duas ante-estreias.

Como já temos feito em edições anteriores, destacamos aqui alguns filmes a exibir que, de algum modo, reflictam ou abordem questões relacionadas com a ciência. O roteiro é simbólico e pode e deve ser comentado, debatido e complementado pelos nossos leitores*.

Babylon

Youssef Chebbi, Ismaël, Ala Eddine Slim | 119′ / Tunísia / 2012
Competição Internacional – Longas
REVELAÇÃO
Pessoas chegam a um território virgem numa zona selvagem. Rapidamente, constrói-se uma cidade do nada. Habitada por várias nacionalidades, as pessoas que aí vivem falam línguas diferentes. Esta nova Babilónia, rodeada de árvores e animais, ganha rapidamente a forma de uma cidade ao mesmo tempo banal e extraordinária.
25 OUT. 21:15 – Londres – Sala 2
26 OUT. 16:15 – Londres – Sala 1

Age is…

Stephen Dwoskin | 73′ / França, Reino Unido / 2012
Riscos (em memória de Chris Marker, Marcel Hanoun e Stephen Dowskin)
Uma meditação sobre a experiência subjectiva e os conceitos culturais de envelhecer. Uma ode à textura, beleza e singularidade de rostos e silhuetas em envelhecimento, um poema hipnótico feito de observações longas de detalhes minúsculos. Um gesto, uma pausa, um olhar, um momento. A intimidade foi sempre o mais importante nos seus filmes.
18 OUT. 21:15 – Londres – Sala 2
22 OUT. 16:15 – Londres – Sala 2

Poslednata Lineika na Sofia / Sofia’s Last Ambulance
Ilian Metev | 75′ / Bulgária, Croácia, Alemanha / 2012
Competição Internacional – Longas
REVELAÇÃO
Numa cidade onde treze ambulâncias se esforçam por servir dois milhões de pessoas, Krassi, Mila e Plamen são os nossos heróis improváveis, cheios de humor e salvando vidas contra todas as probabilidades. Ainda assim, a pressão de um sistema colapsado faz estragos. Por quanto tempo conseguirão tratar os feridos da sociedade até perderem empatia?
24 OUT. 21:45 – Londres – Sala 1
26 OUT. 19:15 – Londres – Sala 1

Não me importava de morrer se houvesse Guitarras no Céu / I wouldn’t mind dying if there were Guitars in Heaven

Tiago Pereira | 52′ / Portugal / 2012
Heart Beat
ESTREIA MUNDIAL
A Chamarrita é um baile mandado, em roda, que surgiu nos Açores há muitos anos. Um grupo de tocadores de viola da terra, bandolim, violão e rabeca (e por vezes “cantadores”) imprime a energia rítmica necessária ao avanço da dança. Há um “mandador” que vai coordenando os vários pares. Este bailho está especialmente vivo nas ilhas do Faial e do Pico.
22 OUT. 21:30 – São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
25 OUT. 16:45 – Londres – Sala 1

The Radiant

The Otolith Group | 64′ / Reino Unido / 2012
Competição Internacional – Longas
The Radiant explora o rescaldo de 11 de Março de 2011, quando o terramoto Tohoku atingiu a costa nordeste do Japão às 14:46, despoletando um tsunami que matou dezenas de milhares de pessoas e causando um acidente nuclear na central de Fukushima Daiichi. O filme invoca a promessa histórica de energia nuclear e convoca a ameaça futura de radiação.
20 OUT. 19:00 – Culturgest – Gr. Auditório
24 OUT. 18:45 – Culturgest – Pq. Auditório

Nuukuria Neishon / Nuclear Nation
Atsushi Funahashi | 145′ / Japão / 2012
Investigações
Um documentário sobre o exílio dos habitantes de Futaba, a região onde se situa a central nuclear de Fukushima Daiichi. No dia seguinte ao terramoto de magnitude 9.0 de 11 de Março de 2011, os habitantes de Futaba ouviram a explosão de hidrogénio no reactor 1 e choveu-lhes pó radioactivo em cima. A cidade foi toda designada como “zona de exclusão”.
18 OUT. 21:45 – Londres – Sala 1
22 OUT. 21:30 – São Jorge – Sala 3
24 OUT. 16:00 – Culturgest – Gr. Auditório

Um Rio chamado Ave / A River called Bird
Luís Alves de Matos | 20′ / Portugal / 2012
Competição Portuguesa – Curtas
Uma viagem contínua entre o passado e o presente. Num sentido de impermanência, como a condição natural do rio e do Homem. Num voo rasante sobre as suas águas, desde o seu início nas montanhas até à sua foz, assistimos às consequências da indiferença do Homem para com a natureza. Mas o rio resiste. Pois tudo o que é profundo se revela à superfície.
22 OUT. 19:30 – Culturgest – Gr. Auditório
24 OUT. 16:30 – São Jorge – Sala 3

* Sobre os critérios: Em última instância, todos os documentários de um festival cuja missão passa por «ver e a pensar o mundo, promovendo, ao mesmo tempo, uma reflexão viva e actuante» enquadra-se forçosamente no âmbito da ciência, quanto mais não seja no levantamento de questões da sociologia, da antropologia e da psicologia. Esta lista é, assumidamente, uma de milhares de propostas possíveis para um roteiro.

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (38): Pink Floyd e “The Dark Side of the Moon” – o inesquecível Eclipse de 1973


Em 1973, o planeta Terra foi invadido por uma catástrofe de criatividade que deixou cicatrizes para sempre nos seres que o habitam. O registo ficou conhecido como The Dark Side of The Moon, expressão cunhada pelos Pink Floyd, e entre outras ocorrências até se assistiu a um Eclipse (tema e vídeo que aqui destacámos).
E, sobre o assunto, por nos ser tão caro, não diremos nem mais uma palavra.

«and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon. »

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (25): A importância de 1,7 mil milhões de anos-luz

O Amor sempre foi um tópico de inspiração para muitas canções de variados géneros musicais. Mas como se descreve o quanto se ama alguém? Muitas vezes não se descreve, compara-se e extrapola-se para outras situações. E é disso que vive a letra da música  Nine Million Bicycles – do álbum Piece by Piece (2005) – interpretada por Katie Melua. Uma das estrofes reporta que embora o tamanho do Universo seja estimado, de uma coisa ela tem a certeza: ela irá para sempre amar o sujeito da música.

We are twelve billion light years from the edge,
That’s a guess,
No-one can ever say it’s true
But I know that I will always be with you

Bonito sim senhor… até que Simon Singh reparou na imprecisão dos factos. Simon é autor de vários livros, incluindo do Big Bang, um livro sobre a origem do Universo, e colunista do Guardian.

Katie Melua gravou posteriormente uma versão alternativa da música escrita por Simon:

We are 13.7 billion light-years from the edge of the observable universe; that’s a good estimate with well-defined error bars/and with the available information, I predict that I will always be with you

Curiosidade: Katie Melua pertenceu ao clube de astronomia da escola que frequentou.

Publicado por Sílvia Castro

Concurso de imagens «A Física da Vida» aceita trabalhos de ciência e arte até 31 de Março

Encontra-se aberto, até 31 de Março, o período de submissão de imagens para o concurso e exposição de ciência e arte sobre A Física da Vida.

O objectivo da exposição passar por «dar a conhecer não só a estética associada à investigação científica, mas também diferentes visões artísticas sobre um tópico científico», estando a participação aberta tanto para cientistas como para artistas.

O concurso (e posterior exposição) realiza-se no âmbito do EMBO Workshop intitulado Biophysical Mechanisms of Development (BMD), a realizar entre 24 e 27 de Maio, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras.

O autor da obra premiada receberá uma Apple TV e será convidado para o jantar de Gala do workshop.

Datas importantes:
:: 31 de Março de 2011 – Data limite para submissão de imagens
:: De 11 de Abril a 6 de Maio de 2011 – Imagens sujeitas a votação na página Facebook do Evento
:: 7 de Maio – Notificação dos seleccionados
:: De 24 a 27 de Maio – Exibição dos trabalhos seleccionados no EMBO BMS2011
:: 26 de Maio – Anúncio do vencedor e Cerimónia e Entrega do Prémio

As imagens concorrentes devem ser enviadas para o endereço bmdart@igc.gulbenkian.pt.

Mais informações: Website | Página Facebook

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (19): O mundo é químico no baú sonoro dos Blur

O primeiro Sons da Ciência do ano faz-nos viajar até 1993 para recordarmos o tema Chemichal World, da autoria dos britânicos Blur, editado no álbum Modern Life is Rubbish. Fica dado também o sinal de partida para as comemorações do Ano Internacional da Química 2011, com música.

« The pay-me girl has had enough of the bleeps
So she takes the bus into the country
Although she got herself rosy cheeks
She didn’t leave enough money to pay the rent
The landlord says that she’s out in a week
What a shame she was just getting comfy
Now she’s eating chocolate to induce sleep
In a chemical world, It’s very, very, very cheap

And I don’t know about you
But they’re putting the holes in, yes, yes
It’s been a hell of a do
They’ve been putting the holes in, yes, yes

Peeping Thomas has a very nice view
Across the street at the exhibitionist
These townies they never speak to you
Just stick together so they never get lonely
Feeling lead, feeling quite light-headed
Had to sit down and have some sugary tea
In chemical world, in a chemical world
It’s very, very, very cheap
(…)»

Publicado por Sílvio Mendes

Interpretar visualmente o mundo natural


Se estiver em Barcelona, pode, até amanhã dia 7 de Janeiro, ver os magníficos
trabalhos do artista Americano Dan Funderburgh. Este propõe-nos interpretações visuais da popular série de 25 livros “Life Science Library”, publicados pela Time-Life entre 1964 e 1967, sobre os grandes tópicos mundo natural.

«O trabalho científico baseia-se na convicção de que a natureza é, basicamente, ordenada. A evidência para apoiar este hipótese, pode constatar-se no desenho de um favo ou da concha de um molusco; mas os cientistas procuram e descobrem padrões a todos os níveis da existência.»
The Scientist, Henry Margenau

Esta exposição está patente na loja/galeria Vallery, pertencente ao estúdio de design gráfico VASAVA, em Barcelona.

Publicado por Pedro Falcão

Vê-se à segunda (18): Complexo conceito de biodiversidade explicado em notável animação

Não podíamos deixar terminar o Ano Internacional da Biodiversidade sem antes partilhar este trabalho efectuado por estudantes da Vancouver Film School, no âmbito da cadeira de Design Digital. Roberta Ramalho, Jesse Lang, Juan Carlos Arenas Madrid e Amanda Healey são os jovens autores da animação Biodiversity que, sem mais contemplações, vos convido a ver.

Publicado por Sílvio Mendes