Aquivos por Autor: Sílvia Castro

Nota

O website It’s a Girl Thing, financiado pela Comissão Europeia através do programa Women in Research and Innovation, publicou um vídeo com o mesmo nome que tem estado a suscitar discussões acesas nas redes sociais. O programa Women in Research and Innovation tem como objetivos … Continuar a ler

Os Sons da Ciência (39): A Natureza em sons – uma perspectiva… diferente

Diego Stocco é um músico diferente… e , embora ‘diferente’ seja muitas vezes associado a uma conotação não muito boa, aqui aplica-se porque não consigo arranjar palavras para descrever a originalidade do seu trabalho. Diego faz música a partir de sons da natureza, sem sintetizadores, computadores e samplers. A música resulta duma talentosa masterização de sons cascas de laranja, sementes de romãs que são captados com ajuda de estetoscópios, microfones em ramos de árvores e uma manancial eclético de métodos criativos.

Aqui fica o trabalho (Music from Nature) comissionado a Diego Stocco para a celebração do Dia da Terra (22 de Abril).

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (34): Promover, Inspirar e Educar em tons de azul

Sob o mote Promover, Inspirar e Educar  nasce o projecto Our Blue: um vídeo, uma música e uma acção inovadora de consciencialização e angariação de fundos para a preservação do oceano.

Tudo começou em 2010 com um pequeno grupo de instrutores de mergulho no Egipto e adaptações de músicas como Bohemian Rhapsody dos Queen e Ticket to Ride dos Beatles. O sucesso online ( já têm mais de seis mil membros no grupo do facebook) incentivou-os a mergulhos mais profundos e aventuraram-se a escrever, compor e filmar material original. O resultado de 10 meses de filmagens e centenas de mergulhos foi o vídeo de 7 minutos “Our Blue” pelos Tank Bangers. Com este vídeo, o grupo pretende alertar para a fragilidade do meio ambiente e para o impacto que as nossas acções têm no seu declínio. Podemos comprar a música no website  dos Tank Bangers. Os fundos angariados serão depois distribuídos por organizações de conservação dos oceanos e Cancer Research UK – segundo os Tank Bangers «é importante cuidar também das pessoas». E porque é que nos devemos importar com os oceanos? O vídeo “blue wonder” pode explicar (tentem não se focar só  na imagem do “hello”).

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (33): Fé e ciência balançam nos versos dos The Script

Science  & Faith (2010) dá nome ao  segundo álbum dos The Script e à  quarta faixa do mesmo.

O refrão da música remete-nos para o antigo duelo entre a fé e a ciência, como dois antagonistas, titãs, a debaterem-se pelas nossas almas e totalmente incompatíveis no mesmo contexto espácio-temporal:

«You won’t find faith or hope down a telescope
You won’t find heart and soul in the stars
You can break everything, got the chemicals
But you can’t explain a love like ours.»

Resistindo ao ímpeto de enveredar pelas teias da teologia, contesto simplesmente que a ciência também exige uma grande dose de fé e de esperança. Cada vez que olhamos através dum microscópio, para observamos as células mais pequenas, ou através dum telescópio, para observarmos as estrelas mais brilhantes, fazêmo-lo com fé e esperança de descobrirmos um pouco mais sobre o mundo que nos rodeia. E, não consigo resistir, faço-o sempre com admiração pela evolução que nos conduziu até o Aqui e o Agora.

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (32): Third rock – a música do espaço


A ciência é uma aventura e a exploração espacial é eternamente apletiva! Espaço a última fronteira (Space: the final frontier) – a frase de abertura dos inúmeros episódios do Star Trek – marcou uma geração e, para mim, o fascínio pela descoberta de outros mundos e aventuras. No entanto, naveguei por outros mares e embarquei noutras descobertas mas sempre com uma banda sonora porque não há aventura sem música.

Relembro agora, com ternura, as horas intermináveis que passei no microscópio confocal a adquirir imagens de neurónios fluorescentes. A música, a minha companheira que me proporcionava momentos de alegria e de descobertas magníficas! A melhor de todas foi a KEXP, uma rádio de Seattle que me fazia ficar sempre bem-disposta: eu podia estar no escuro durante horas mas Seattle acordava inadvertidamente para um dia chuvoso… Depois foi a Pandora, uma das primeiras rádios online personalizadas. Pouco tempo depois desta descoberta, a rádio passou a estar acessível somente a partir dos Estados Unidos.

No entanto, o fascínio pelo espaço continua presente e agora até já tenho a banda sonora para a viagem: Third Rock. A Third Rock é uma rádio online desde 12 de Dezembro com um alinhamento peculiar: música fantástica e notícias da NASA. Sim, essa mesmo: a National Aeronautics and Space Administration. Entre uma música dos Arcade Fire e outra dos The XX, são incorporadas  notícias da NASA, saudações dos colaboradores, reportagens sobre o dia-a-dia dos cientistas e engenheiros da NASA, etc.

Desta forma, a NASA aposta na exploração de novos formatos para comunicar ciência e angariar apoio junto da audiência 4G , constituída por jovens adultos – uma das denominadas hard to reach.

Agora que já temos banda sonora, se alguém sabe o que se ouve no espaço é a NASA e até vamos aprendendo algumas coisas: só faltam os 200,000$ para reservar um dos lugares nos voos suborbitais da Virgin Galactic. Um passo de cada vez…

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (30): Uma música de Róisín Murphy e o Amor do nosso… Cérebro?!


Não se pode lutar contra o amor, a química do amor, a biologia do amor ou os seus impulsionadores biológicos: a atracção sexual e a ligação afectiva. Felizmente os avanços nas área das Neurociências vão-nos dando algumas pistas para compreender como o nosso cérebro nos permite sentir dessa forma. (Avisa-se desde já que este não é um post super romântico e lamechas, vamos directos para a química!)

A Róisín Murphy (ex- Moloko) está com um problema (que apresenta no tema Overpowered, integrado no álbum homónimo de 2007): sente-se impotente face aos químicos que flutuam no seu cérebro, químicos esses que a ciência ainda não consegue explicar.


«When I think that I’m over you
I’m overpowered
It’s long overdue
I’m overpowered

As science struggles on to try to explain
Oxytoxins flowing ever into my brain»

Ok, a ciência não explica tudo, mas explica algumas coisas como a Ocitocina e  outras que tais toxinas que afligem a menina Róisín.

Um dos primeiros sinais de enamoramento é o “palpitar dos corações”, ou seja, as fases iniciais de amor induzem uma reposta de stress e os níveis de adrenalina e cortisol aumentam no sangue. Na fase de atracção a Dopamina e a Serotonina desempenham também um papel fundamental. A Dopamina está associada com a estimulação de desejo e recompensa.

Helen Fisher observou, através de MRI scans, que quando os vountários para o estudo observam uma fotografia da pessoa pela qual estavam apaixonadas, o sistema dopaminérgico era activado. Por seu lado a Serotonina faz com que estejamos sempre a pensar na pessoa amada (que bonito…), mas para isso é necessário um equilíbrio muito delicado entre a Serotonina e a Dopamina, como Helen explica no seu capítulo do livro “Grandes Ideias Perigosas

Depois é necessário “manter a chama”, estabelecer uma ligação afectiva é importante para que os casais fiquem juntos o tempo suficiente para terem e cuidarem de filhos. E aqui entra em acção a Ocitocina (com que a Róisín se preocupa) e a Vasopressina. Mas para percebermos melhor como nos apaixonarmos e nos mantermos apaixonados, nada melhor do que ouvir a palestra fascinante da Helen para a TED.

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (29): Biophilia – “onde a natureza e a música se encontram” pelas mãos de Björk


De alguma forma, estamos todos ligados. Esta pode ser uma premissa simplificada para Biophilia – a ligação intrínseca entre todos os sistemas vivos e o meio ambiente, que origina um único sistema complexo que mantém o equilíbrio da Terra. Esta hipótese exposta por Edward O.Wilson tem sido explorada ao longo dos anos e está integrada na Teoria Endossimbiótica de Lynn Margulis e na Hipótese de Gaia de James E. Lovelock.

Ao denominar o seu novo trabalho com o título Biophilia, Björk tornou mais amplo este conceito de forma abranger a música e, como ela própria diz, este é um álbum “onde a natureza e a música se encontram“.

Muitas coisas são únicas a Björk e a este álbum em especial. O álbum está repleto de músicas com títulos alusivos a várias áreas da ciência; este não é um trabalho convencional, será um trabalho multimédia “composto por música, aplicações para sistemas móveis, internet, instalações artísticas e espectáculos ao vivo“; e, apesar do álbum ser publicado só em Setembro, Björk deixa-nos esta pérola: a edição do primeiro single, Crystalline, é acompanhada por uma aplicação para iPhone & iPad cuja introdução é narrada pelo David Attenborough! E o que posso dizer mais? Quando o mestre fala, o melhor que se pode fazer é prestar atenção e ouvir:

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Os Sons da Ciência (28): Com Dave Bartholomew os macacos dizem o que lhes vai na alma


Em 1859 Charles Darwin publicou a A origem das espécies ou On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life  (ou o melhor título para um comunicado de imprensa que jamais foi escrito).

A bordo do Beagle ele colocou em prática o método científico e, através da observação e experimentação, propôs a Teoria da Evolução para explicar a magnífica diversidade de formas de vida existentes na natureza.

A ideia de evolução foi, e continua a ser, muito discutida, o que é sempre bom, e ainda hoje não é universalmente aceite. Muitos contestam o pressuposto de que o Homem descende directamente dos macacos. Mesmo que esta ideia tenha nascido duma interpretação totalmente errónea do que está descrito na A Origem das espécies, é interessante que ninguém tenha perguntado aos macacos o que eles pensavam desta associação. Nesta música, Dave Bartholomew, o conceituado músico de Nova Orleães, especula sobre o que os macacos diriam se lhes fosse dada a oportunidade de expressar as suas opiniões.

«And three monkeys sat in a coconut tree
Discussing things as they are said to be
Said one to other now listen, you two
“There’s a certain rumour that just can’t be true
That man descended from our noble race
Why, the very idea is a big disgrace, yea”
No monkey ever deserted his wife
Starved her baby and ruined her life

Yea, the monkey speaks his mind

And you’ve never known a mother monk
To leave her babies with others to bunk
And passed them on from one to another
‘Til they scarcely knew which was their mother
Yea, the monkey speak his mind

And another thing you will never see
A monkey build a fence around a coconut tree
And let all the coconuts go to waste
Forbidding other monkeys to come and taste
Why, if I put a fence around this tree
Starvation would force you to steal from me

Yea, the monkey speaks his mind

Here’s another thing a monkey won’t do
Go out on a night and get all in a stew
Or use a gun or a club or a knife
And take another monkey’s life
Yes, man descended, the worthless bum
But, brothers, from us he did not come

Yea, the monkey speaks his mind

Yea, now the monkey speaks his mind»

Curiosidade 1: Há algum tempo atrás Ana Cristina Ferrão trouxe esta música para a sua S.O.S Radar.

Curiosidade 2: O programa EvoS - que pretende explicar a teoria evolutiva a estudantes de qualquer área do conhecimento e demonstrar a importância desta teoria em áreas do conhecimento além da Biologia- vai ser lançado no dia 14 de Maio de 2011, o próximo sábado, e enquadra-se nas comemorações do Centenário da Universidade de Lisboa e da Faculdade Ciências de Lisboa.

Curiosidade 3: A exposição “A evolução de Darwin” está patente na Casa Andresen, no Jardim botânico do Porto, até 17 de Julho

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Os Sons da Ciência (27): Viagem pelos ossos do esqueleto humano ao som de Fujiya & Miyagi


A clavícula (collarbone) é o osso que se encontra entre o esterno e a omoplata. É fácil senti-lo com os dedos porque não existe músculo à sua volta e a única coisa entre eles (osso e dedo) será a pele. Mas se estas indicações não forem suficientes para o encontrar, basta então seguir as indicações dos Fujiya & Miyagi… se calhar demora-se um pouco mais até lá chegar, mas a melodia acompanha-nos neste percurso pelo ossos do corpo humano, numa viagem de ida e volta desde os dedos dos pés à cabeça.

«Toe bone connected to the ankle bone
ankle bone connected to the shin bone
shin bone connected to the knee bone
knee bone connected to the thigh bone
thigh bone connected to the hip bone
hip bone connected to the back bone
back bone connected to the collarbone
collarbone connected to the neck bone
neck bone connected to the head bone
head bone connected to the neck bone
neck bone connected to the collarbone
collarbone connected to the back bone
back bone connected to the hip bone
hip bone connected to the thigh bone
thigh bone connected to the knee bone
knee bone connected to the shin bone
shin bone connected to the knee bone
ankle bone connected to the shin bone
toe bone connected to the ankle bone
ankle bone connected to the shin bone
shin bone connected to the knee bone
knee bone connected to the thigh bone
thigh bone connected to the hip bone
hip bone connected to the back bone
back bone connected to the collarbone»

Collarbone é a 2ª música do album de 2006, Transparent Things, editado pelos Fujiya & Miyagi (a primeira música chama-se Ankle Injuries – lesão do tornozelo).

Curiosidade: o osso mais pequeno do corpo humano é o estribo que faz parte do conjunto de ossos no interior do aparelho auditivo. Sem ele seria difícil escutar esta música.

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (26): Peter Gabriel e as experiências de Milgram: «fazemos o que nos dizem para fazer»

Em 1986, 25 anos após as experiências de Milgram, Peter Gabriel grava o álbum So, onde podemos encontrar a música We Do What We’re Told (Milgram’s 37), que se refere as experiências sociais que começaram em Yale no ano de 1961.

Stanley Milgram queria averiguar  se os participantes no estudo iriam obedecer a ordens ditadas por uma figura autoritária, mesmo que essas ordens fossem contra os seus princípios e consciência. A experiência começava com duas pessoas, cada uma na sua sala. Uma delas, Pessoa A,  administraria choques eléctricos à Pessoa B,  que se encontrava noutra sala, se esta respondesse de forma errada a uma pergunta. Os choques aumentavam de intensidade por cada resposta errada. Na realidade a Pessoa B era um actor e não estava a receber os choques eléctricos, embora batesse na parede e gritasse como se estivesse, mas isto a Pessoa A não sabia. Numa experiência, 37 dos 40 participantes, administraram a voltagem mais elevada.

Na altura os resultados foram muito discutidos, pelas implicações éticas, visto que os participantes eram sujeitos a um intenso stress emocional, e pelas suas implicações sociais.

A música de Gabriel sumaria os resultados da experiência com a frase «We do what we’re told» – Fazemos o que nos dizem para fazer – embora os participantes não quisessem administrar choques eléctricos, faziam-no porque assim lhes disseram para fazer.

«we do what we’re told
we do what we’re told
told to do

One doubt
one voice
one war
one truth
one dream»

Curiosidade: A música faz parte da banda Sonora dum episódio da série de televisão dos anos 80 Miami Vice.

 

Publicado por Sílvia Castro