Recentemente realizou-se no ISCTE o Colóquio intitulado “Diálogo Intercultural: Barreiras e Oportunidades”. Este evento permitiu apresentar diferentes perspectivas e formas de agir perante as diferenças culturais (a dos investigadores e a dos profissionais) é bem verdade. Mas não é menos verdade que foram as disparidades entre o meio científico e o profissional-aplicado, uma das diferenças mais evidentes. Entendendo cultura como um conjunto de costumes, instituições e obras, as diferenças entre a comunidade científica e os profissionais revelaram-se em si mesmas diferenças interculturais. Os investigadores apresentaram os seus estudos e algumas reflexões acerca das suas implicações, como é seu costume. Os profissionais descreveram a forma como trabalham em contextos de interculturalidade, focando o modo como são resolvidos os problemas que dela derivam; falaram em nome das suas instituições. Pois bem, nem uns nem outros se propuseram a utilizar o diálogo para averiguar de que forma a investigação científica poderia servir os profissionais presentes no evento ou os profissionais poderiam aplicar a investigação científica ali apresentada.
Nas mesas temáticas produziram-se informações sobejamente ricas e interessantes, que no entanto pecaram precisamente pela falta de diálogo intercultural! Os membros das mesas não perderam tempo a encontrar pontos de contacto entre os conteúdos que apresentavam, em criar pontes entre os resultados que os cientistas descreviam e as dificuldades que os profissionais denunciavam. O distanciamento entre os códigos e critérios do mundo da ciência e do da intervenção constitui um obstáculo muitas vezes difícil de transpor. Nesta ocasião, como em tantas outras, chegaram a dar-se choques entre o pensamento fundamental de alguns investigadores e as ideias ancoradas na prática dos profissionais. Aconteceu à volta da temática escola-educação. Os pressupostos teóricos da integração comprometiam os investigadores com a defesa de turmas interculturais e a rejeição da segregação dos alunos de acordo com a sua cultura de origem. Contrariamente, as pessoas que desenvolviam actividades dentro das escola, descreviam o importante papel das turmas exclusivamente formadas por crianças estrangeiras/imigrantes na aprendizagem da língua portuguesa com posteriores beneficios para integração destas crianças.

