(Não quero repetir discussões sobre a definição de Astrobiologia, mas a ANSA está de parabéns pelo o seu departamento de relações públicas.)
Lago Mono
Segundo entendi da conferência de imprensa da NASA, foi encontrado no Lago Mono na Califórnia (na Terra, portanto), micro-organismos que não só sobrevivem na ausência de fósforo (P) e presença de arsénio (As) . Mais, o arsénio substitui o P na coluna vertebral do DNA.
Isto é de facto incrível e um descoberta relevante. Sem dúvida. Abre as portas sobre possíveis estruturas de DNA e sobre a possibilidade de existência de bio-moléculas e vida, noutros planetas, com condições diferentes (o que uma oradora referiu como ampliar o conceito de condições propícias para o aparecimento de vida, ou habitabilidade), mas não consiste em prova concreta da existência de vida extra-terrestre. Para mim, sobretudo, acrescenta a conceito da diversidade da vida na Terra.
Como biólogo da vida na Terra, a pergunta mais interessante, é saber se isto implica uma segunda raíz da vida, ou uma ramo da árvore da vida conhecida que evoluiu, em condições particulares, para ter uma molécula de DNA diferente? A cientista da NASA, Felisa Wolfe-Simon, terminou a sua apresentação indicou que estas bactérias fazem parte da mesmo, única, árvore da vida na Terra.


Olá,
Gostei do texto!!! :-)
Podem ler mais sobre isto, aqui:
http://astropt.org/blog/2010/12/02/nasa-descobre/
abraços!
Carlos Oliveira
A meu ver os pontos fundamentais que resultam desta descoberta podem ser os seguintes:
Mesmo com um ambiente primordial diferente do esperado ( isto é, com os elementos primordiais básicos da vida como o carbono, o azoto, a água e o fósforo) a vida arranja uma solução, e o que resta descobrir é se a inclusão de arsénico nas chamadas bases fosfatadas, se dá desde o inicio, ou se é um inclusão ou substituição realizada por falta de Fósforo. ( de um modo físico o Fósforo e o Arsénio tem grande semelhança a nível de dimensões e estrutura).
Se se verificou uma “substituição” isto resultará de uma adapataçao funomenal que vai de acordo com a ideia de que “ a natureza arranja sempre uma solução”.
Se por outro lado as cadeias de ADN foram construídas desde “sempre” com o arsénio , a conclusão pode ser muito “maior” e indicar-nos que o ADN e todos os procedimentos que levam a biositese por ADN ( que são a esmagadora maioria) é o modo mais eficaz e quem sabe até mais universal de “criação de vida”.
Abre a porta para novas definição de vida, deixa de ser pragmático os elementos constituintes da vida ( Carbono, Oxigénio e etc) e a vida ( como no caso das cianobacterias) pode ter outros artifícios e adaptações.
A nível astrobiologico, demonstramos que muito possivelmente será uma vida molecular muito diferente que será encontrado no universo, metabolismos estranhos aos nossos olhos, mas que revelaram a mesma eficácia…e resta saber se continuaram a usar a estrutura de dupla hélice de agora se expande, deixa de ser tão simples e lança para o mofo das bibliotecas os livros que ainda ontem eram as bíblias da bioquímica.
O artigo da AstroPT está muito bom.. acabei por ficar a pensar sobre estes extremófilos… Afinal a origem da Vida na Terra está nestes ambientes extremos de temperatura e pressão. Pensar como seriam estes primeiros organismos é um grande desafio.. E com esta descoberta (re)afirma-se a adaptabilidade e imaginação da Natureza.
Mas, Jaime, “lança para o mofo das bibliotecas os livros que ainda ontem eram as bíblias da bioquímica” é um bocado extremo hem? :) Verdade que os paradigmas são muitos, e o mofo parece surgir exponencialmente, mas, na minha opinião, as bíblias vão continuar a ser”rezadas” por mais uns bons anos.. ;)
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Ver http://viveraciencia.wordpress.com/2012/07/09/vida-com-arsenato-refutada/