Barbara Hammer é uma verdadeira sobrevivente – do cinema experimental, que diz correr sérios riscos de extinção (por culpa do “novo mundo da desordem”) e do cancro nos ovários que, recentemente, colocou a sua vida em risco. Sobreviveu à doença e colocou a sua experiência na tela com assombrosa beleza, num imprevisível diário autobiográfico registado durante o processo de tratamento de uma doença oncológica. “A horse is not a metaphor” (2008) já foi exibido duas vezes na Corunha e é um dos grandes filmes propostos pela Mostra de Cinema e Ciencia, em curso na cidade até dia 31 de Outubro. Sobreviverá também no cinema.
A realizadora marcou, ontem, presença na Galiza, conduzindo uma conferência intitulada “A ciência nos filmes experimentais de Barbara Hammer”. Sem que tenha sido um exercício consciente – «nunca pensei muito em ciência para os meus filmes, tenho que confessar, mas apercebi-me que há, de facto, muitos temas de ciência neles», admitiu – a sua longa carreira no mundo do cinema experimental já a levou a abordar um considerável leque de questões científicas. Animais e questões sociológicas nos Galápagos, os mistérios dos Tempo e o corpo humano são alguns dos temas que foram despertando a sua curiosidade. E Hammer tem o dom de a partilhar com fascínio e lucidez e de tornar ainda mais especial aquele que era, provavelmente, o momento mais aguardado da Mostra.
Filmes da realizadora mencionados na palestra:
Endangered (1988)
Pond and waterfall (1982)
Bent Time (1983)
Dr. Watson’s X-rays (1991)
A horse is not a metaphor (2008)
Mais: Mostra de Cinema e Ciencia 2009
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pedrofalcao // Outubro 28, 2009 às 1:00 pm |