Ainda sem ter lido o livro O Património Genético Português – A história humana preservada nos genes (2009), quase caio na tentação de o recomendar. Os ingredientes apresentados parecem dar origem a uma irresistível fusão: com incursões por áreas como a Genética, a Arqueologia, a Antropologia, a História e até a Climatologia, as autoras (duas – já lá vamos) pretendem ajudar o leitor a analisar as origens e migrações humanas no passado, focando o património genético português. Ou, por outras palavras, oferecem uma viagem pelos contornos da pergunta: “Quem somos, afinal?”.
É escrito a duas mãos: Luísa Pereira, bióloga doutorada em genética populacional humana, investigadora no IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto) e Professora Afiliada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e Filipa M. Ribeiro, jornalista, com duas pós-graduações: uma em jornalismo médico e de saúde e outra em genética e direito, e mestrado em Comunicação e Educação de Ciência. E, como se descreve no site da Gradiva (editora responsável pelo parto, integrado na colecção Ciência Aberta), o livro (apresentado a 30 de Julho) promete «uma aventura de múltiplas facetas, explorando muitas perspectivas dos recentes avanços no conhecimento quanto às origens e migrações humanas no passado, focando uma temática que nunca havia sido tratada em livro: o património genético português».
Mas esta sugestão-sem-leitura-prévia não é tiro de pólvora seca. A encomenda foi efectuada enquanto escrevia esta entrada. A seu tempo, virá a reflexão pós-leitura. Enquanto isso não acontece, confiemos nestas:
«Há tempos que não aprendia tanto a ler um livro. Nem me divertia tanto, valha a verdade. A junção de uma especialista em genética populacional com uma jornalista de ciência criou uma obra interessantíssima, acessível, culta, com sentido de humor, que me apetece rebaptizar, à la Woody Allen: ‘Tudo o que gostaria de saber sobre a origem dos portugueses que saíram da África subsariana há muitos milhares de anos.’»
Manuel Sobrinho Simões, IPATIMUP
«É excelente que a nossa viagem genética a Belmonte se tenha revelado a primeira de muitas colaborações e que o nosso trabalho mútuo, da alvorada dos seres humanos em África à comunidade única de Belmonte, seja agora apresentado ao público de forma tão elegante e experiente.»
Doron Behar, Centro Médico Rambam, Israel

