Entradas desde Maio 2009
Caducou a possibilidade de dar opinião no inquérito disponível no site da Associação Viver a Ciência, sobre o eventual exagero na prescrição e consumo de antibióticos em Portugal. O resultado obtido parece claro: 93,1% dos votantes considera que sim, no nosso país regista-se esse excesso.

Posto isto, desviamos agora as atenções para os órgãos de comunicação social generalistas nacionais. Qual deles efectua um melhor trabalho no que ao tratamento de contéudos de ciência diz respeito? Uma votação que, certamente, será motivo de análise aqui no blogue, num futuro próximo. Para votar é apenas necessário seguir o trilho até ao site da Viver a Ciência.
Publicado por Sílvio Mendes
Categorias: Comunicação de Ciência · Inquérito
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Porquê? Por isto (e mais isto).
Publicado por Sílvio Mendes
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No dia 22 de Maio, das 10:30 às 18h, no Auditório Armando de Castro (Auditório 1) do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), na Rua Jardim do Tabaco, 34, em Lisboa, irá decorrer um simpósio cujo objectivo deriva da seguinte problemática: o ser humano é simultaneamente uma espécie biológica, fruto de processos evolutivos como as demais espécies, mas também um animal social, em que a cultura e a linguagem têm um papel de grande relevância. Do ponto de vista disciplinar, o ser humano, a sua cultura e sociedade, têm sido objecto de estudo de várias áreas do saber, com diferentes tradições, metodologias e problemáticas, incluindo a biologia, antropologia, psicologia, sociologia e história.
O simpósio irá reunir investigadores de diferentes áreas que estudem a nossa espécie, e discutir os limites e o nível de complementaridade entre cada perspectiva disciplinar, as fronteiras, barreiras e articulações entre as várias disciplinas. (ver programa e sumários das palestras.)
O simpósio está integrado nas comemorações do ISPA do 200º aniversário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos desde a publicação da sua obra «Sobre a Origem das Espécies».
Organizado pela Unidade de Investigação em Eco-Etologia e Centro de Biociências do ISPA, com colaboração do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.
A entrada é gratuita, mas pede-se que os interessados se pre-inscrevam, enviando um correio electrónico para: centro.biociencias@ispa.pt
Publicado por André Levy
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Tagged: Charles Darwin, Fronteiras do Humano, ISPA, Origem das Espécies
Há ideias que lemos ou ouvimos e depois propagamos sem verificar a sua validade, dada a autoridade intelectual e sapiência da fonte. Porém todos somos falíveis, e mesmo um autor consagrado pode ser fonte de uma história errada, contribuindo assim para a sua difusão. Ao repetirmos a história juntamo-nos à cadeia de propagação. Se a história é interessante tenderá a propagar-se mais que a sua, mais aborrecida, correcção. Vem isto a propósito de dois mitos, ou histórias incorrectas, que eu próprio tenho repetido e que aqui tenciono corrigir procurando redimir-me.
O primeiro é o mito de que Charles Darwin tinha uma cópia do artigo de Mendel «Versuche über Pflanzenhybriden», descrevendo as suas experiências com cruzamentos de ervilhas. Na verdade, as evidências apontam para que Darwin não tinha o artigo. Não subscrevia a revista no qual o artigo foi publicado e não existe cópia do artigo no espólio de Darwin. Leu alguns livros no final da sua vida que faziam referência à obra de Mendel, mas não em grande detalhe. Mesmo que tivesse o artigo é muito possível que, à semelhança dos seus contemporâneos evolucionistas que o leram, o seu significado não fosse evidente. (ver).
O mais curioso, do ponto de vista da difusão de histórias falsas, é que por vezes, no decurso da sua transmissão, se tornam mais elaboradas: há quem tenha até escrito que Darwin tinha a revista com o artigo de Mendel com as páginas ainda por abrir (livros e revistas antigos eram impressos em folhas grandes maiores que o formato do livro, sendo assim encadernadas e vendidas tendo depois o leitor que as cortar com uma faca ou “abre-cartas”, instrumento agora anacrónico mas que seria habitual em qualquer secretária até meados do século XX). Pois, este detalhe das folhas por cortar não faz sentido, já que a revista onde o artigo de Mendel foi publicado era distribuído já com as páginas separadas.
Já Mendel leu a «Origem das Espécies», tendo nós acesso aos comentários que fez na sua cópia do livro (a marginalia), que indicam que Mendel não compreendeu o significado dos seus resultados para a evolução.
O segundo mito é que Karl Marx escreveu a Darwin pedindo-lhe para lhe dedicar o segundo volume do «Capital». Também esta história parece ser falsa. A origem do erro provém de uma carta de Darwin encontrada entre o espólio de cartas de Marx, na qual Darwin cordialmente recusa o convite confessando não entender nada sobre o assunto. Era hábito na altura que no início das cartas constava apenas “Caro Sr.”, pelo que a carta em si não indica que Darwin respondeu a Marx. O espólio de Marx passou para o cuidado da sua filha Eleanor, companheira do socialista Britânico Edward Aveling. Dois investigadores estabeleceram que fora Aveling que escrevera a Darwin pedindo para lhe dedicar o volume 2, e resposta de Darwin a Aveling ter-se-á misturado entre as cartas do Marx. Curiosamente, Stephen Jay Gould repetiu a falsa história numa das suas primeiras colunas na revista «Natural History», tendo mais tarde rectificado o seu erro. (ver)
Moral: podemos cometer o erro de espalhar inconscientemente e acriticamente uma falsa história (afinal Gould, um historiador, ensaísta e cientista de distinção, fê-lo). Mas estaremos em melhor companhia, se como Gould procurarmos verificar cada detalhe e ter a humildade de reconhecer e corrigir erros cometidos, tentando pôr fim à transmissão de falsas histórias, por muito interessantes que sejam.
Publicado por André Levy
Categorias: Biologia Evolutiva · Comunicação de Ciência
Tagged: Capital, Darwin, Edward Aveling, Marx, Mendel, Origema das Espécies
Chamo a atenção para este excelente artigo de Luis Pedro Nunes (o director do Inimigo Público) no Expresso. Um jornalista a escrever sobre pseudo-jornalismo sobre pseudo-ciência (os pseudos gostam de andar de braço dado).
Abraço quântico nacionalista
Para dizer bem de um português vale tudo? Até mandar para o lixo a Física Quântica?
Para dizer bem de um português vale tudo? Vale. Até torcer as leis da Física Quântica
Anda por aí uma onda de nacionalismo bimbo que não tem explicação. Tudo serve para nos inflar. Do cão de Obama ao milagre azeiteiro do Condestável passando pelo jeitinho português que Barroso garante ter levado para Bruxelas até, imagine-se, à escolha que um site de humor norte-americano fez sobre as palavras que supostamente fazem falta ao léxico inglês. O termo português ‘desenrascanço’ é necessário ao vocabulário inglês, dizem. E o que é isso? “É um bigode arranjado de emergência com pêlos púbicos.” Ah, que orgulho… Eles bem queriam ter palavra ‘desenrascanço’. Mas não têm… por essas é que lá fora se aprecia muito o jeitinho do Barroso. Decidi deixar-me contagiar.
E vi, de facto, como a inveja grassa entre nós. Constatei que um amigo meu, cientista, só porque trabalha num daqueles superaceleradores de partículas que querem abrir um buraco negro e engolir o Universo e desta forma terminar o doutoramento com brilharete, resolveu denegrir um compatriota nosso que apareceu há dias na RTP numa peça do correspondente no Rio de Janeiro, Pacheco de Miranda, sobre um curso de Terapia Quântica em que “os portugueses já conseguem ensinar em vários pontos do mundo!”. Qual Manoel da Panificação. Agora Física Quântica quentinha em três minutos.
mais aqui.
(e agora vou continuar a trabalhar no buraco negro para engolir o mundo)
Publicado por David Marçal
Categorias: Comunicação de Ciência · Crónicas · Paranormal
Tagged: Expresso, Física Quântica, Inimigo Público, Luis Pedro Nunes
Ronda aleatória à procura de notícias sobre ciência nos portais de três diários nacionais. Eis o resultado:
No Público, estende-se a passadeira vermelha às aranhas. Ou melhor, ao biólogo português – Luís Crespo – que descobriu novas espécies de aranhas. «Algumas vivem no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra». E, segundo o que é descrito no artigo, não é a primeira nova espécie que lhe entra ‘pela casa adentro’. Ler o artigo aqui.
No renovado Diário de Notícias, o destaque também vai para a investigação nacional: «Maiores triblobites do mundo encontradas em Portugal». E o artigo arranca assim: «O maior e mais completo conjunto de fósseis de trilobites do mundo foi descoberto na região de Arouca, perto de Aveiro, por uma equipa de paleontólogos espanhóis e portugueses. Entre os fósseis descobertos estão também os maiores exemplares conhecidos.» Confira o texto aqui.
No novíssimo i, só lá vamos com pesquisa. Ora: digitar “ciência” no motor de pesquisa (definindo apenas para artigos publicados nos últimos sete dias) dá este resultado: uma notícia apenas - «Portugal vai ter centro na invetsigação do cancro», publicada no dia 9. Resta apenas saber se serei eu que estou a encontrar dificuldades em perceber a lógica de um novo conceito de informação (?) ou se a nova publicação já nasceu mesmo sem o mínimo de vocação e interesse pelos temas de ciência.
Publicado por Sílvio Mendes
Categorias: Comunicação de Ciência
Tagged: aranhas, Diário de Notícias, i, Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, Luís Crespo, Público, triblobites