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Nova rubrica em fase de maturação

Abril 29, 2009 · 1 Comentário

radiomtrPor aqui, trata-se de amadurecer uma ideia para criar uma nova rubrica neste blogue. Ajudem-me lá, por favor. Então, para já, a coisa está assim: Chamar-se-á qualquer coisa como Conhecemo-nos bem uns aos outros?.

A pergunta é direccionada aos intervenientes e interessados na comunidade científica portuguesa.

Será que todos acompanhamos o trabalho efectuado por outras instituições e plataformas, algumas de menor mediatismo, em prol da ciência? Já todos ouvimos falar da Associação Juvenil de Ciência, da Associação de Museus e Centros de Ciência em Portugal, da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas, da Associação de Ciências Marinhas e Cooperação, da plataforma Ciência em Portugal – Personagens e Episódios (do Instituto Camões)? (E chega de exemplos, para já…)

Lançados os pergaminhos, a ideia passa por, semanalmente, dar destaque a uma destas instituições (critério um: esta rubrica não inclui, a não ser em casos pontuais, Centros Ciência Viva e Laboratórios – isso pode ficar para outra), realçando as suas actividades, missões, trabalhos específicos desenvolvidos.

Um texto sem demasiadas pretensões, mas que pretende ser um valioso complemento informativo e afastar o nevoeiro que paira sobre a divulgação de algumas destas entidades (critério dois: nunca escrever nada baseando-se apenas em informação perdida na rede, ‘conversar’ com algum responsável do respectivo projecto é o meio a seguir).

Bom, aqui está a base. É para arrancar em breve. Antes disso gostava de recolher opiniões sobre a estrutura deste projecto, sugestões para entidades a reportar e por aí fora. Não se acanhem.

 

Publicado por Sílvio Mendes

Categorias: Associações de Ciência · Cientistas portugueses · Comunicação de Ciência

Mais duas (crónicas) para o caminho…

Abril 27, 2009 · Deixe um comentário

Chamo a vossa atenção para duas crónicas recentemente publicadas no site da Associação Viver a Ciência e que merecem o nosso carinho.

aterraPessoas, da autoria Paulo Bettencourt, é um fabuloso testemunho pessoal que enfatiza o lado humano de um investigador, obrigado a deslocar-se constantemente entre cidades, países e continentes. No final, o que fica? A amizade que faz sorrir. «Os nossos frutos são conquistados exactamente da mesma forma com que o lavrador faz a sua colheita», sustenta Bettencourt.

quantumgifBanha da cobra quântica é um texto de David Marçal que denuncia muitos dos “disparates” que têm vindo a público sobre a física quântica. «Por um lado a ciência é desvalorizada quando não interessa (aquecimento global, criacionismo), por outro a sua credibilidade é usada como arma de arremesso para vender curas e mezinhas que de científico não têm nada», reclama o autor.

Publicado por Sílvio Mendes

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Dia Mundial da Terra: Cidadania pelo Verde

Abril 22, 2009 · 1 Comentário

global-excess-52É celebrado pelas diferentes ecotecas açorianas, pelas cem mil pessoas previstas nas ruas de Washington e até Evo Morales, presidente da Bolívia, vai à Assembleia Geral das Nações Unidas por força da efeméride. Mas o que é afinal o Dia Mundial da Terra?

A sua origem remonta a 1970, altura em que o Senador norte-americano Gaylord Nelson (de São Francisco), convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. É, desde 1990, festejado a 22 de Abril, em homenagem a esse momento.

O Dia Mundial Terra pretende chamar a atenção para o estabelecimento de um compromisso global de construir um planeta cada vez mais seguro, saudável e limpo.
Os seus promotores e apoiantes propõem um conjunto de acções que apliquem a cidadania ambiental, em defesa de uma economia livre de carbono, baseada em energias renováveis, o compromisso individual com vista a um consumo responsável, e uma economia verde que proporcione a criação de empregos verdes.

Num artigo recentemente publicado, o portal Ambiente Online reforça a actualidade da luta:

Apesar de estar quase a celebrar o seu 40º aniversário, nunca como agora o princípios se do Dia Mundial da Terra se revelaram tão prementes e actuais. Os gelos do Árctico recuaram de 6 a 7 por cento no Inverno e de 10 a 12 por cento no Verão, nos últimos 30 anos, indica um relatório apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA). Como consequência do aquecimento da atmosfera, a fusão dos gelos também acelerou as alterações climáticas, uma vez que a neve e o gelo reflectem 70 a 80 por cento da energia solar, enquanto a água a absorve.

O Painel Internacional sobre Alterações Climáticas prevê um aumento da temperatura média do ar entre 0,8°C e 2,6°C em 2050, e entre 1,4°C e 5,8°C em 2100. Na Europa meridional este aumento será particularmente pronunciado no Verão. Por outro lado, os Invernos deverão tornar-se mais húmidos, com um aumento de precipitação de 1 a 4 por cento por década, enquanto os Verões deverão tornar-se mais secos, com uma redução de cerca de 5 por cento por década. Mas já hoje em dia, em várias regiões do planeta, existem comunidades inteiras que precisam de percorrer dois a três quilómetros por dia para chegarem a uma fonte pública de água. Esta história de vida faz parte da realidade de 1,1 mil milhões de pessoas em todo o mundo que ainda não têm acesso a água potável.

Nota: Decidimos também chamar a atenção para as reflexões impostas por esta efeméride. Durante três dias, temos um banner especial do Dia Mundial da Terra. A imagem é retirada de um poster intitulado “Global Excess”, da autoria do designer Guillermo Brotons, que pode ser consultado aqui.

Saber mais: Earth Day Network

Publicado por Sílvio Mendes

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1. Histórias naturais: A orquídea mentirosa e a ejaculação da vespa

Abril 20, 2009 · 3 Comentários

Orquídea do género Cryptostylis e polinizador

Orquídea do género Cryptostylis e polinizador

Uma das primeiras coisas que nos apercebemos ao estudar biologia um pouco mais é que, para qualquer regra que tenha sido estabelecida, existem sempre excepções. Por vezes essas excepções são bem mais interessantes do que a regra e o seu estudo pode levar-nos a perceber muito melhor essa mesma regra. Um artigo* recentemente publicado no The American Naturalist mostra, mais uma vez, que a relação justa e fiel entre as flores e os seus insectos polinizadores pode afinal envolver um pouco de mentira. Neste caso, uma dose extrema de mentira. A flor, uma orquídea australiana (género Cryptostylis), atrai machos da vespa Lissopimpla excelsa usando como “isco” algo irresistível para um macho: o cheiro de uma fêmea! A mentira é tão perfeita que leva os machos não só a copular com a flor, como a ejacular. Porque teria a orquídea evoluído tal semelhança? Quais os custos para os machos? Será que estes aprendem a reconhecer a mentira? Estas são algumas das perguntas que os autores tentam responder e que fazem com que ler este artigo se assemelhe a ouvir uma aventura dos nossos avós contrabandistas!

A relação entre plantas e os seus insectos polinizadores é normalmente baseada na “confiança” entre as espécies envolvidas de que a planta fornece de néctar o insecto, e este leva consigo grãos de pólen essenciais para a reprodução da mesma planta. Mas há excepções. Na família das orquídeas as excepções representam quase tantas espécies como a regra. Estas orquídeas não retribuem o esforço dos insectos que as polinizam, usando uma variedade de estratégias para enganar os mesmos. Entre essas estratégias há orquídeas que levam os machos de determinados insectos a copular com as suas flores. Gaskett e os co-autores do artigo “Orchid sexual deceit provokes ejaculation” repararam que após copularem com as flores das orquídeas, alguns destes insectos deixavam uma gota de líquido nas mesmas. A anáslise desse líquido revelou que os insectos estavam a levar essa cópula bastante a sério.

Sabendo que a produção de esperma tem custos para os indivíduos (ex.: massa corporal reduzida), estes cientistas perguntaram o porquê de tal acontecer. Para responder à questão analisaram o sucesso reproductivo de diferentes orquídeas, nas quais a intensidade da actividade sexual entre a planta e o insecto era variável (ex.: alguns copulavam sem ejaculação, outros apenas ficavam momentaneamente presos dentro da flor, etc). A resposta foi clara: plantas que levassem os insectos à ejaculação tinham uma probabilidade maior de serem polinizadas com sucesso. O casal vencedor (ou perdedor): as orquídeas do género Cryptostylis e os machos da vespa Lissopimpla excelsa.

É sabido que as orquideas produzem cheiros muito parecidos com as feromonas** produzidas pelas fêmeas de certos insectos. Os autores acreditam que, no caso das Cryptostylis, o cheiro por elas produzido é tão semelhante ao das fêmeas de Lissopimpla excelsa que estimula não só uma cópula extremamente vigorosa e longa, como um maior número de visitas por parte dos polinizadores, o que por sua vez leva a uma maior e melhor transferência de pólen. Apesar de bem montada… a mentira tem perna curta, com a experiencia os machos vão aprendendo a evitar estas orquídeas, sendo que após serem enganados alguns já nem aterram nestas plantas. Assim sendo como subsiste a mentira? Como são polinizadas estas orquídeas?! Servem-se da inexperiência dos mais jovens, aliada ao estilo de vida solitário destas vespas e ao facto de serem haplodiploides (as fêmeas só necessitam de machos para produzirem mais fêmeas; os machos nascem de ovos não fertilizados). Uma vez que são solitários não se pode dar uma transferência de informação entre gerações, cada indivíduo tem de aprender apenas e só através dos seus próprios erros – o que leva a que os mais jovens sejam também os mais enganados. Todo o sistema faz com que estas orquídeas pareçam mais perversas do que a mais perversa vilã de telenovela. Se não reparem: como no sistema haplodipoide as fêmeas da vespa produzem machos sem necessidade de esperma, está assegurado um fornecimento continuo de jovens machos no auge da sua ingenuidade e das suas capacidades sexuais (o pico de esperma acontece após emergirem). Como estes machos vão perder tempo e esperma em relações com as orquídeas é provavel que acasalem menos com as fêmeas, mas ainda assim o suficiente para estas não desaparecerem. Isto leva no entanto a que haja mais machos do que fêmeas na população, o que por sua vez faz com que haja mais competição entre machos, fazendo com que estes “pensem” menos na hora de escolher uma “fêmea”, e diminuindo o efeito da aprendizagem.

É doentio! Mas, extremamente belo: “Orchids exhibit an almost endless diversity of beautiful adaptations.” ***
* Gaskett, AC, Winnick, CG, Herberstein, ME; 2008; Orchid Sexual Deceit Provokes Ejaculation; The American Naturalist 171(6) pp. E206-E212

** A não ser que exista algo terrivelmente errado nos textos da wikipedia, irei usar frequentemente os links do site em português (ou inglês), para que os leitores possam clarificar alguns termos.

*** Darwin, C. (1862). On the various contrivances by which British and foreign orchids are fertilised by insects, and on the good effects of intercrossing (London: J. Murray).

Publicado por Ricardo Ramiro

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127 anos da morte de Darwin

Abril 19, 2009 · Deixe um comentário

Enterro de Darwin
Tendemos a fazer celebrações quando as efemérides calham em números “redondos”, como 10, 20, 25, 50, 100, 150 anos. (Num aparte, seria interessante entender por que estes números são mais “redondos” do que 69 que, conotações sexuais à parte, me parece muito “redondo”.) Assim, e como é sabido pelos leitores deste blog, este ano comemora-se os bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da «Origem das Espécies». No passado dia 19 de Abril, passaram 127 anos desde a morte de Darwin, em 1882. Não será número redondo, mas estando nós este ano a celebrar a vida e obra de Darwin, parece-me apropriado assinalar a data. Recordo que depois de toda a controvérsia em torno das suas ideias, Darwin foi enterrado numa cerimónia de Estado em Westminister Abbey, perto de Issac Newton, sendo apenas uma das cinco pessoas não membros da família real a receber tal honra no século XIX. Reproduzo abaixo o obituário de Darwin escrito por Thomas Henry Huxley, seu amigo, admirador e defensor público (o “bulldogue” de Darwin”), mas também o seu crítico no seio da ciência (e.g., Huxley atribuía pouca importância ao mecanismo de selecção natural). O texto foi originalmente publicado na revista Nature, 27 de Abril de 1882.

Muitos poucos, mesmo entre aqueles que tiveram o maior interesse no progresso da revolução do conhecimento natural lançado pela publicação da «Origem das Espécies»; e que têm assistido, não sem admiração, a mudança rápida e completa que ocorreu tanto dentro como fora das fronteiras do mundo científico na atitude das mentes humanas perante as doutrinas expostas nessa grande obra, poderiam estar preparados para a extraordinária manifestação de respeito e afecto para o homem, e de profunda reverência pelo filósofo, que se seguiu ao anúncio, na passada quinta feira, da morte do Sr. Darwin.
Não apenas nestas ilhas, onde tantos sentiram o fascínio do contacto pessoal com um intelecto que não tinha superior, e com um carácter que era ainda mais nobre que o seu intelecto; mas, em todas as partes do mundo civilizado, parece que todos cujo trabalho é tomar o pulso das nações e saber quais os interesses das massas da humanidade, estavam bem cientes que milhares do seus leitores pensariam o mundo mais pobre após a morte de Darwin, e pensariam com ávido interesse sobre cada incidente da sua história. Na França, na Alemanha, na Austro-Hungria, na Itália, nos Estados Unidos, escritores de todo o espectro de opinião, por uma vez unânimes, prestaram de bom grado o seu tributo ao valor no nosso grande conterrâneo, ignorado em vida pelos representantes oficiais do reino, mas enterrado em morte entre os seus pares em Westminister Abbery por vontade da inteligência da nação. Não nos cabe a nós aludir aos sagrados lamentos da casa em luto em Down; mas não é nenhum segredo que, fora do grupo doméstico, existem muitos para os quais a morte do Sr. Darwin é uma perda inteiramente irreparável. Isto não apenas devido à sua natureza admiravelmente genial, simples e generosa; a sua conversa alegre e animada, e a infinita variedade e precisão da sua informação; mas porque quanto mais conhecíamos dele, mais ele aparentava incorporar o ideal do homem de ciência. Incisivos eram os seus poderes de raciocínio, vasto era o seu conhecimento, maravilhoso era a sua tenacidade imparável, sob dificuldades físicas que haveriam convertido nove em cada dez homens em inválidos desnorteados; não era estas qualidades, por grandes que fossem, que mais impressionavam aqueles que eram admitidos na sua intimidade com veneração involuntária, mas uma certa intensa e apaixonada honestidade que irradiava de todos os seus pensamentos e acções, como que através de um fogo central.
Era este mais raro e grandioso dom que mantinha a sua imaginação e grande poder especulativo dentro dos devidos limites; que o compelia a desenvolver trabalhos prodigiosos de investigação original e leitura, sobre os quais se baseiam os seus trabalhos publicados, que o fazia aceitar críticas e sugestões de qualquer um, não apenas sem impaciência, mas com expressões de gratidão e por vezes quais cómicas na sua excessiva valorização; o que o leva a impedir que nem ele nem outros fossem enganados por frases e não poupando tempo nem esforço por forma a obter ideias claras e distintas sobre cada tópico sobre o qual se ocupava.
Não era possível falar com Darwin sem ser lembrado de Sócrates. Havia o mesmo desejo de encontrar alguém mais sábio que ele próprio; a mesma crença na soberania da razão; o mesmo humor; o mesmo interesse simpático em todos os modos e trabalhos do homem. Mas em vez de voltar as costas aos problemas da natureza desesperadamente insolúveis, o nosso moderno filósofo dedicou a sua vida inteira a atacá-los com o espírito de Heraclíto e de Demócrito, com resultados que são a substância do qual as suas especulações eram as sombras antecipatórias.
O devido apreço ou até enumeração destes resultados não é praticável nem desejável neste momento. Há um momento para tudo – um tempo para glorificar as crescentes conquistas sobre o reino da natureza, e um tempo de luto pelos heróis que nos têm conduzido à vitória. Ninguém lutou melhor, e ninguém foi mais afortunado que Charles Darwin. Ele encontrou a grade verdade, espezinhado, vilificado por intolerantes, e ridicularizado por todo o mundo; ele viveu o suficiente para vê-la, sobretudo pelos seus esforços, irrefutavelmente estabelecida na ciência, inseparavelmente incorporada nos entre os pensamentos comuns do homem, e apenas odiado e atemorizado por aqueles que o vilificariam, mas não se atrevem. Que mais pode um homem desejar do que isto?
Mais uma vez a imagem de Sócrates emerge, e a nobre peroração da “Apologia” soa nos nossos ouvidos como se fosse a despedida de Charles Darwin :—
“A hora da nossa despedida chegou, e temos de ir em caminhos separados — eu para morrer e vocês para viver. Qual o melhor, apenas Deus sabe.”
T. H. HUXLEY

Publicado por André Levy

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Igreja vs Darwin: é possível a «convergência na busca da verdade»

Abril 13, 2009 · 1 Comentário

«A Igreja não pode abdicar de um diálogo com a ciência e de uma possível convergência na busca da verdade»

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No sábado de Páscoa, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, deu um inesperado passo de aproximação à teoria da Evolução de Darwin. Muitas das respostas que a teologia católica lhe atribuía basearam-se numa “deficiente leitura” da Bíblia, afirmou durante a sua homilia de vigília Pascal, celebrada na Sé de Lisboa.

«Tanto os darwinistas como a maneira católica de lhes responder partiram de uma leitura do texto bíblico, não querida pelo seu autor nem legitimada pela comunidade para quem foi escrito», defendeu. O mesmo erro, assinalou, é cometido por “muitos dos actuais movimentos chamados criacionistas”.

E disse mais:

«[A Bíblia] é um texto simbólico, num género literário hoje conhecido e estudado; é uma revelação do sentido profundo da criação e da vida e não a narração do modo como as coisas aconteceram, perspectiva própria da ciência».

«[A teoria da Evolução das Espécies (que classificou como uma revolução)] gerou, em alguns, um positivismo científico, que levou ao agnosticismo e mesmo ao ateísmo, excluindo de qualquer modo a contínua intervenção de Deus nesta longa caminhada da vida».

«Apesar das dificuldades que a teoria de Darwin pôs à compreensão cristã da origem da vida e do universo, a Igreja não a pode recusar liminarmente nem pode continuar a distinguir os campos da ciência e da fé como planos que nunca se encontram».

«A perspectiva científica de Darwin levantou questões cruciais, a que a Igreja não pode ser indiferente na sua compreensão da realidade»

Seria apenas mais uma opinião, como outra, que não justificaria qualquer destaque. Mas há um número espantoso que também foi notícia (Público/ 9 de Abril): A fé católica é professada por 88,10 por cento dos portugueses, segundo o último Anuário Católico.

O discurso de D. José Policarpo é, em última análise, um contributo interessante para o despertar da curiosidade sobre a obra de Charles Darwin. E foi noticiado em tudo o que é media, como exemplificam as notícias no DN, Destak, JN, RR… e por aí fora. E para que não nos sobrem dúvidas, aqui fica o texto da homilia, na íntegra.

Publicado por Sílvio Mendes

Categorias: Comunicação de Ciência
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Amêndoas por chocolate. E depois?

Abril 9, 2009 · 1 Comentário

«O problema não é comer chocolate, é comer só chocolate!»

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Aqui fica um trabalho magnífico sobre alguns dos segredos do chocolate, assinado pelo Ciência Hoje das Crianças (Brasil).

Com a Páscoa à porta, numa era em que os chocolates ganham terreno à forma das amêndoas, perceba como o chocolate até nem faz assim tão mal… desde que integrado numa dieta equilibrada.

Gera energia para o corpo, ajuda a produzir serotonina (substância que deixa as pessoas mais calmas, relaxadas e felizes), é certo. Mas não abusemos: a gordura em excesso traz uma série de problemas.

Bom, o melhor é oferecer-vos o texto. Aqui está, escrito a pensar nos mais pequenos, mas também serve para graúdos.

Páscoa Feliz e chocolate na medida certa, são os votos sinceros deste humilde escriba.

Publicado por Sílvio Mendes

Categorias: Comunicação de Ciência
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“Cientistas ao palco” – Noite dos Investigadores 2009 já marcha

Abril 8, 2009 · Deixe um comentário

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A Noite dos Investigadores 2009 – intitulada “Cientistas ao Palco” celebra-se a 25 de Setembro, simultaneamente em várias cidades do país. Os cientistas são chamados ao palco para apresentarem uma visão diferente do seu trabalho, comunicando com o público através do teatro.

Abertas estão já as inscrições para o workshop, a realizar nos fins-de-semana de 18/19 e 25/26 de Abril. Cientistas procuram-se para fazer teatro. O workshop é dirigido a cientistas (investigadores de todas as áreas científicas – exactas, da vida, técnicas e tecnológicas, humanas, sociais e artísticas) que pretendam participar na Noite dos Investigadores 2009.

Workshop: Ficha de Inscrição | Programa | Questões Frequentemente Perguntadas
Mais informações: Blogue Cientistas ao Palco | Twitter NI09 | Facebook Cientistas ao Palco

Publicado por Sílvio Mendes

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Estudantes do Porto procuram o porquê das coisas

Abril 3, 2009 · 2 Comentários

puzzle_pieces_id150248_size500o«Ciência: a causa das coisas» é o título das III Jornadas de Ciências do ISCSN, organizadas pela Associação de Estudantes  e pelo Departamento de Ciências do Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte (ISCS-N), marcadas para os dias 17 e 18 de Abril, no Centro de Congressos e Exposições do Edifício da Alfândega do Porto.

E, hoje em dia, o que promove o conhecimento científico?
Como descobrimos a Causa das Coisas?
Qual o papel da investigação no avanço do conhecimento e quem financia essa investigação?
Como fazer chegar esse conhecimento não só aos cientistas da área, mas à população em geral?
Como comunicar Ciência?
Como divulgar teorias que vão contra dogmas e axiomas pré-estabelecidos?

Quais os grandes avanços da Ciência no século XXI?
Quais as investigações de sucesso “capazes de mudar o Mundo”?

Uma lista interminável de questões são colocadas pela organização do evento, deixando antever uma discussão fértil. No documento de apresentação das Jornadas há ainda uma citação de um poema de Alice Gomes – «Professor, diz-me porquê, porque voa o papagaio que solto no ar, que vejo voar, tão alto no vento que o meu pensamento não pode alcançar» – como metáfora para a actividade de investigação. «Para um cientista e investigador a idade dos porquês não acaba nunca, é uma constante da sua vida», lê-se.

O programa apresenta nomes como Jorge Massada, João Queirós e Nuno Crato, entre outros, divididos por painéis que abordam os seguintes temas:

- Filosofia da Ciência: Progresso e Disseminação
- Financiamento, Cooperação, Investigação e Desenvolvimento
- Projectos Científicos que Podem Mudar o Mundo
- Princípios Fundamentais da Ciência
- 2009 a Celebrar Ciência

Publicado por Sílvio Mendes

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